Tag: agroecologia

  • Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    A cidade de Piracicaba (SP) recebeu na última terça-feira (23) o Fórum de Agricultura Regenerativa 2026, que colocou em debate a relação entre produção agrícola, preservação ambiental e financiamento de práticas sustentáveis. O encontro, realizado pela primeira vez no Brasil, reuniu 350 participantes presenciais e mais de 3 mil conectados online, com representantes de mais de 20 países entre produtores rurais, cientistas, investidores e formuladores de políticas públicas.

    O evento discutiu caminhos para ampliar a adoção de modelos produtivos baseados na regeneração do solo, conservação da biodiversidade e fortalecimento da segurança alimentar. O tom das falas foi de alerta sobre a necessidade de acelerar a transição no campo, diante de desafios climáticos, econômicos e regulatórios.

    Ensino, políticas públicas e lacunas estruturais

    Um dos pontos centrais do debate foi a crítica à formação acadêmica e à ausência de políticas públicas mais robustas para incentivar a agricultura regenerativa.

    A diretora estratégica para a América Latina na Naia Trust, Analí Bustos, afirmou que há um descompasso entre ensino e prática no setor. “Quando descobri que no meu país e na maior parte do mundo os estudantes de agronomia ou agricultura não estudam ecologia, fiquei espantada. Para mim, não existe agro sem ecologia e não pode existir ensino de agronomia sem ecologia”, disse.

    A especialista também defendeu maior participação do poder público na transição. “Faltam políticas públicas e incentivos para uma maior adoção da agricultura regenerativa. É essencial que seja promovido um cenário mais favorável, com benefícios e crédito, para que haja interesse por parte dos produtores”, completou.

    Brasil no centro do debate global sobre alimentos

    Outro ponto de destaque foi o papel estratégico do Brasil no cenário agrícola internacional. O cientista e ex-CEO do Crop Trust, Geoffrey Hawtin, afirmou que o país tende a ganhar ainda mais relevância na produção de alimentos.

    “O Brasil é um dos países agrícolas mais importantes do mundo, e provavelmente se tornará ainda mais importante”, declarou. Segundo ele, mudanças climáticas podem alterar a dinâmica global de produção e consumo. “Podemos ver ao longo do tempo uma necessidade de transformação em parte dos mercados de exportação, destinando menos à pecuária intensiva e mais à alimentação humana direta”, afirmou.

    O especialista também reforçou a necessidade de cooperação em diferentes níveis para avançar na agenda sustentável.

    Aumento de insumos e desafio da transição

    Dados apresentados durante o fórum indicaram preocupações com o uso crescente de defensivos agrícolas no mundo. O cientista-chefe da CABI, Ulrich Kuhlmann, citou aumento de 70% no uso de agrotóxicos entre 2000 e 2023, segundo dados da FAO.

    “O aumento do uso de agrotóxicos no mundo de 2000 a 2023 foi de 70%, segundo dados da FAO, e isto é muito preocupante”, afirmou. Para ele, a agricultura regenerativa pode ser uma alternativa viável, mas ainda enfrenta barreiras econômicas e estruturais.

    Kuhlmann destacou a falta de retorno financeiro claro ao produtor como um dos entraves à adoção de novas práticas. Ele também citou limitações da extensão rural e sugeriu o uso de ferramentas digitais de assistência técnica como alternativa para ampliar o acesso ao conhecimento.

    Mudança de paradigma no campo

    A diretora de Sustentabilidade da Daterra, Isabela Pascoal Becker, defendeu uma revisão na forma como a sociedade enxerga o setor agrícola.

    “É essencial que enxerguemos a agricultura como parte da natureza, não como um vilão ou algo separado”, afirmou. Para ela, a mudança precisa ser estrutural e envolver toda a cadeia produtiva.

    O fórum foi promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal. O encontro teve transmissão em quatro idiomas e contou com apoio institucional e do setor privado.

  • Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Uma imagem que está viralizando nas redes mostra algo que muitos pesquisadores nem esperavam: um veado‑campeiro completamente branco passeando pelo Pantanal. O registro, feito pelo fotógrafo e guia de safári Fábio Mitsuka Paschoal, virou “fantasma do Pantanal” nas redes, e expõe um lado pouco falado do albinismo animal: é bonito, raro… e, em muitos casos, muito mais perigoso do que parece.

    O que faz esse veado parecer um “fantasma”

    O animal fotografado é um veado‑campeiro (Ozotoceros bezoarticus), espécie típica de campos abertos e áreas de transição, normalmente reconhecida pela pelagem marrom‑avermelhada que a ajuda a se misturar à vegetação. Já o exemplar flagrado no Pantanal apresenta albinismo, uma mutação genética rara que impede a produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos pelos e aos olhos.

    O veado branco como termômetro do Pantanal
    (Foto: Fábio Paschoal)

    Como resultado, o veado aparece com pelagem totalmente branca, olhos mais claros e contorno muito marcado contra o verde e o dourado do Pantanal, justamente o contrário do que seria ideal para passar despercebido. E o próprio Paschoal comentou que, depois de mais de 15 anos trabalhando como guia na região, foi a primeira vez que viu um animal como esse.

    Albinismo: raro, mas caro para a sobrevivência

    Especialistas explicam que o albinismo é uma condição hereditária, recessiva, que costuma aparecer quando dois pais portadores do gene se reproduzem. Em ambientes naturais, a ausência de pigmento pesa muito: o animal fica mais visível para predadores, além de enfrentar maior sensibilidade à luz solar e risco de doenças de pele e problemas de visão.

    No caso do veado‑campeiro, isso é um problema sério, porque a espécie já vive pressionada pela destruição de campos, caça ilegal e atropelamentos. A combinação de vulnerabilidade ecológica com coloração chamativa aumenta a chance de o animal ser atacado ou ser mais facilmente caçado.

    Quando a genética pesa mais que a camuflagem (Foto: Fábio Paschoal)

    Por que esse registro é um “em 1 milhão”

    Fábio Paschoal comparou o encontro a algo como “um em 1 milhão”. A chance de um animal nascer com albinismo na natureza é muito baixa. Em populações isoladas ou com endogamia, essa chance pode subir um pouco, mas ainda assim o albinismo continua sendo um evento raro.

    O mesmo filhote albino já foi visto várias vezes pelos guias de safári da região. Isso mostra que ele conseguiu, até agora, driblar parte dos riscos que sua genética traz. Pesquisadores veem nisso um sinal de que a área protegida e o cuidado dos safáris atuam como um escudo para esse animal tão singular.

    O veado‑campeiro albino virou um termômetro visual do que resta de naturalidade no Pantanal. Se um animal tão marcante consegue sobreviver em plena natureza, é sinal de que a proteção ambiental ainda funciona em parte.

     

  • Horta de Zeca Pagodinho pode produzir 40 toneladas e mudar cenário carioca

    Horta de Zeca Pagodinho pode produzir 40 toneladas e mudar cenário carioca

    Em 2025, uma área de 8 mil metros quadrados que servia de pasto em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ganhou um destino completamente diferente. O cantor Zeca Pagodinho cedeu o terreno para a criação da Horta Urbana Xerém I, primeira horta urbana comunitária do distrito, e o resultado chegou rápido: em apenas três meses de operação, o projeto já havia distribuído mais de uma tonelada de alimentos para a comunidade local.

    https://www.instagram.com/p/DXRjVFeFT0f/?img_index=1

    A iniciativa partiu do filho do sambista, Louiz Carlos da Silva, e encontrou terreno fértil, tanto literalmente quanto na vontade do cantor de transformar o seu entorno. “A vida tem que ser assim, ninguém pode viver sozinho. Tem que ser tudo dividido. É a vida, dividir o que eu ganhei”, afirma o cantor.

    O que está plantado ali e o que pode crescer

    O espaço já reúne mais de 11 mil mudas de hortaliças, entre abóbora, acelga, alface, beterraba, brócolis, rúcula, quiabo e salsa, além de mais de 50 espécies de árvores frutíferas como acerola, jabuticaba, carambola, manga e laranja Bahia. A variedade não é por acaso: o cultivo diversificado garante produção constante ao longo do ano e uma dieta mais equilibrada para as famílias atendidas.

    Quando estiver em plena produção, a estimativa é que a horta gere até 40 toneladas de alimentos por ano. Parte será distribuída gratuitamente para famílias cadastradas, creches e escolas públicas. Outra parte entra no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Prefeitura de Duque de Caxias, o que garante renda para quem trabalha na terra.

    Zeca Pagodinho na Horta Xerém I, de onde hortaliças, frutas e legumes serão colhidos para alimentar comunidade
    (Foto: Reprodução/Ana Branco)

    Embrapa e UFRRJ no meio do samba

    O projeto não funciona sozinho. O Instituto Zeca Pagodinho atua em parceria com a Embrapa Agrobiologia e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que fornecem suporte técnico e capacitação. O nome dado à unidade é “Quintal Produtivo”, e ele integra a Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

    “Em três meses de projeto, já distribuímos mais de uma tonelada de alimentos, atendendo às cozinhas solidárias da Baixada”, explicou Louiz Carlos. Além da produção, o Instituto organiza cursos de agricultura agroecológica para que moradores da região aprendam a transformar seus próprios quintais em espaços produtivos. O conhecimento circula entre os vizinhos e o alcance da iniciativa cresce junto.

    Um problema real com resposta concreta

    O contexto que cerca esse projeto não é pequeno. Dados do IBGE indicam que, em 2023, cerca de 1,2 milhão de pessoas no Rio de Janeiro viviam em situação de insegurança alimentar. No Brasil, 9% dos domicílios ainda enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave, mesmo após o país sair do Mapa da Fome da ONU.

    “Quando chegamos a Xerém, era tudo barro, poucas famílias, e muita gente passando necessidade. Para todo mundo que entra no sítio, eu pergunto: ‘Já almoçou?’ Pobre, rico, polícia, otário, malandro… todo mundo come”, contou Zeca ao jornal O Globo. A horta, nesse sentido, não é só um projeto agrícola. É a formalização de uma prática que o sambista já carregava como modo de vida.

    O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, que visitou o Instituto em julho de 2024 para firmar o acordo que viabilizou a iniciativa, resumiu bem o que está em jogo: “Alimentar é um verbo que o Brasil está precisando utilizar, e a gente conjuga a partir daqui, com o Instituto Zeca Pagodinho.”

  • Câmara aprova prioridade para alimentos orgânicos na merenda escolar

    Câmara aprova prioridade para alimentos orgânicos na merenda escolar

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria o Programa de Priorização do Abastecimento Escolar com Produtos Frescos e Orgânicos. A proposta busca incentivar o consumo de alimentos saudáveis na merenda escolar e fortalecer a agricultura familiar.

    O texto, aprovado em outubro de 2025, é o substitutivo da deputada Roberta Roma (PL-BA) ao Projeto de Lei 2481/24, de autoria do deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI). Segundo a relatora, os ajustes feitos garantem a viabilidade do programa.

    Roberta Roma destacou que a iniciativa “está alinhada com os princípios da agroecologia e da sustentabilidade ambiental”. Já o autor do projeto, Jadyel Alencar, defendeu que “o programa proporcionará refeições mais saudáveis e nutritivas. Ao mesmo tempo em que valoriza os agricultores familiares e estimula a transição ecológica”.

    Incentivo à agricultura orgânica e familiar

    O substitutivo aprovado altera a Lei da Alimentação Escolar, incorporando novas diretrizes para a compra de alimentos livres de agrotóxicos no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    De acordo com o texto, os produtos deverão seguir preferencialmente os princípios da agroecologia e da agricultura orgânica. Envolvendo também o agroextrativismo sustentável, a pesca artesanal e a piscicultura familiar. O objetivo é diversificar a merenda escolar com alimentos frescos, produzidos localmente e de forma sustentável.

    A gestão e execução do programa ficarão sob responsabilidade do governo federal, em articulação com estados, municípios, cooperativas, associações de agricultores familiares, instituições de pesquisa, organizações civis e o setor privado.

    Próximas etapas

    A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Educação, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

    O produtor de orgânicos Luiz Claudio Ravaglio da Rocha. Foto: Hedeson Alves/TECPAR

    Caso seja aprovada em todas as instâncias, a medida seguirá para votação no Plenário da Câmara. E em seguida, para o Senado Federal antes de se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Fortaleza e Juazeiro recebem eventos do Dia Mundial da Alimentação

    Fortaleza e Juazeiro recebem eventos do Dia Mundial da Alimentação

    Quatro organizações internacionais promovem entre 15 e 17 de outubro uma série de eventos em Fortaleza (CE) e Juazeiro (BA) para celebrar o Dia Mundial da Alimentação (DMA) 2025. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (WFP), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) organizam atividades no 2º Festival Ceará Sem Fome e no 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia.

    A programação marca os 80 anos da FAO e traz o slogan “De Mãos Dadas por uma alimentação melhor e um futuro melhor”. As entidades focam na promoção de sistemas agroalimentares inclusivos e sustentáveis como estratégia para combater a insegurança alimentar.

    Projeto beneficiará 5 mil produtores em três países

    Durante os eventos, o FIDA lançará o projeto “Melhoramento Participativo dos Recursos Genéticos e Sistemas de Sementes para a Produção Agroecológica – Raízes Agroecológicas”. A iniciativa, financiada pela União Europeia e executada pelo IICA em parceria com a Embrapa, beneficiará mais de 5 mil pequenos produtores agroecológicos do Brasil, Argentina e Bolívia.

    O projeto capacitará agricultores em técnicas de melhoramento genético participativo e conservação da agrobiodiversidade. A ação também promove a inclusão e o empoderamento de mulheres, comunidades indígenas e tradicionais, enfrentando a escassez de recursos no setor.

    Fortaleza recebe projeções e debates sobre segurança alimentar

    Na quarta-feira (15/10), as organizações instalam o estande do Dia Mundial da Alimentação no 2º Festival Ceará Sem Fome, evento organizado pelo governo estadual. O espaço oferece materiais promocionais sobre o trabalho das agências e exibe vídeos institucionais, incluindo um minidocumentário sobre o 80º aniversário da FAO.

    Os representantes das agências da ONU – Jorge Meza (FAO), Daniel Balaban (WFP) e Hardi Vieira (FIDA) – participam da abertura oficial ao lado do governador Elmano de Freitas, da primeira-dama Lia de Freitas e do ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Paulo Teixeira.

    O painel “De mãos dadas por alimentos melhores e um futuro melhor” acontece às 11h e representa um dos momentos centrais da programação. As autoridades concedem coletiva de imprensa às 13h40, seguida pela solenidade institucional às 14h.

    Capital cearense ganha projeção mapeada e iluminação especial

    Na quinta-feira (16/10), data oficial do DMA, Fortaleza se destaca nacionalmente com intervenções visuais. A fachada do Museu da Imagem e do Som (MIS), em frente ao Palácio da Abolição, recebe às 18h30 uma projeção mapeada com vídeo produzido pela FAO. O conteúdo convida o público a refletir sobre alimentação saudável e incentiva ações coletivas pela erradicação da fome, desnutrição e insegurança alimentar.

    No mesmo dia, às 19h, a Arena Castelão recebe iluminação azul, cor oficial da FAO, reforçando a visibilidade da campanha na capital cearense.

    Juazeiro sedia abertura do Congresso de Agroecologia

    Em Juazeiro (BA), o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia acontece de 15 a 18 de outubro na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A Associação Brasileira de Agroecologia organiza o evento, que conta com participação das agências da ONU.

    Na quarta-feira (15/10), às 19h, o diretor-país do FIDA, Arnoud Hamleers, representa as organizações na Conferência de Abertura. No dia seguinte (16/10), às 17h30, Meza e Hamleers participam de ato público na Orla ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e do ministro do MDA.

    O lançamento oficial do projeto “Raízes Agroecológicas” ocorre na sexta-feira (17/10), das 14h às 16h, em formato híbrido com tradução simultânea português-espanhol.

    FAO completa 80 anos de atuação global

    A FAO nasceu após a Segunda Guerra Mundial com a missão de apoiar a recuperação da produção de alimentos em países devastados pelos conflitos. Atualmente, a organização trabalha para construir sistemas agroalimentares mais eficientes, inclusivos e sustentáveis, sem deixar ninguém para trás.

    Este ano, o DMA contará com comemorações especiais em 150 países. Em Roma, sede da organização, inaugura-se o Museu e Rede de Alimentação e Agricultura (FAO MuNe), que oferece ao público uma experiência imersiva nas tradições alimentares e agrícolas e apresenta inovações do setor. A cerimônia oficial conta com a presença do Papa Leo XIV e do Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

    Serviço

    FORTALEZA (CE)

    • Festival Ceará Sem Fome – Centro de Eventos do Ceará
    • Av. Washington Soares, 999 – Salão Mundaú
    • Painel “De mãos dadas por alimentos melhores e um futuro melhor”
    • 15/10 | 11h às 12h
    • Coletiva de imprensa com agências da ONU e Governo do Ceará
    • 15/10 | 13h40
    • Solenidade de abertura oficial com autoridades
    • 15/10 | 14h
    • Estande da FAO + Vídeos institucionais e minidoc FAO 80 anos
    • 15/10 | 8h às 18h
    • Projeção mapeada do vídeo da FAO – Museu da Imagem e do Som
    • Av. Barão de Studart, 410 – Meireles
    • 16/10 | 18h30
    • Iluminação especial da Arena Castelão (cor azul FAO)
    • 16/10 | 19h

    JUAZEIRO (BA)

    • 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia – UNIVASF Juazeiro
    • Av. José de Sá Maniçoba, s/n – Centro
    • Conferência de Abertura com representantes da ONU
    • 15/10 | 19h
    • Ato público na Orla com autoridades federais e estaduais
    • 16/10 | 17h30
    • Lançamento do projeto “Raízes Agroecológicas”
    • 17/10 | 14h às 16h
    • Formato híbrido, com tradução português-espanhol
  • Café orgânico Lobo do Serrote une sustentabilidade e realidade virtual

    Café orgânico Lobo do Serrote une sustentabilidade e realidade virtual

    Com raízes cravadas na Serra da Mantiqueira e alma voltada à preservação da natureza, o Café Orgânico Lobo do Serrote levou ao São Paulo Coffee Festival 2025 uma experiência que vai além da xícara. A marca de Socorro-SP, gerida pela produtora Luciana Capobianco e seu marido, aposta em cafés fermentados, realidade virtual e narrativas envolventes que conectam agricultura regenerativa, fauna silvestre e inclusão social.

    Durante o festival, realizado entre 27 e 29 de junho na Bienal do Parque Ibirapuera, o público conheceu os três microlotes da marca — todos cultivados com colheita manual seletiva, certificação orgânica e pontuações superiores a 86 pontos na escala da SCA (Specialty Coffee Association). O Arara 3 Fermentação Natural, com 88,5 pontos, apresenta notas sensoriais de ameixa preta, calda de fruta e licor. O Catiguá MG2 (86 pontos) combina melaço, praliné e avelã. Já o Catiguá 3 Fermentado (87,5 pontos) traz aromas de frutas brancas, rapadura e cardamomo.

    Meio ambiente, café e inclusão em um mesmo propósito

    “O Lobo do Serrote nasceu com a proposta de proteger o meio ambiente e valorizar o café orgânico de altitude”, explica Luciana Capobianco. A fazenda mantém viveiros de espécies nativas da Mata Atlântica e áreas de reflorestamento para revitalização ecológica. Além disso, abriga açudes para garantir água à fauna silvestre, especialmente aos lobos-guará — espécie ameaçada de extinção que inspira o nome da marca.

    Luciana, Cris, Patrício e Caique durante o São Paulo Coffee Festival 2025 – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes

    Mais do que uma homenagem estética, a relação da fazenda com o lobo-guará é prática: o local é reconhecido como área de soltura de animais reabilitados por ONGs especializadas. “Recentemente, soltamos o Urbano, que vive em liberdade por ali. Em breve, vamos acolher uma lobinha que ficará um ano conosco até estar pronta para voltar à natureza”, conta a produtora.

    Outro diferencial está na dimensão social do projeto. A equipe da fazenda inclui refugiados venezuelanos, acolhidos em programas de reinserção produtiva. Um deles lidera a produção do café fermentado apresentado no evento. “Além do cuidado com a floresta, nos preocupamos com as pessoas. Geramos emprego e formação para quem precisa recomeçar”, afirma Luciana.

    Para reforçar a imersão do público, o estande da marca trouxe um óculos de realidade virtual que permite uma visita 360º à propriedade. “A ideia é mostrar de perto tudo o que construímos: o manejo orgânico, a flora, os açudes e o nosso compromisso com o futuro”, conclui.

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  • Fazenda Bananal: conheça uma opção de turismo na Mata Atlântica

    Fazenda Bananal: conheça uma opção de turismo na Mata Atlântica

    Localizada em Paraty, Rio de Janeiro, a Fazenda Bananal é um exemplo inspirador de como turismo, educação ambiental e sustentabilidade podem se integrar para promover a conservação da Mata Atlântica e o desenvolvimento local. Com 180 hectares, sendo 70% de mata preservada, a fazenda histórica do século XVII foi restaurada e transformada em um polo de agroturismo e educação socioambiental. Ela oferece experiências imersivas que conectam visitantes à natureza, cultura e gastronomia da região.

    A visita proporciona uma vivência única em meio à Mata Atlântica. São trilhas educativas, hortas agroflorestais que ocupam mais de 16 hectares e espaços de observação da biodiversidade local. O visitante pode explorar sistemas agroflorestais (SAFs), participar de oficinas temáticas e desfrutar do contato direto com a flora e fauna preservadas, promovendo uma conexão profunda com o meio ambiente.

    Além disso, o casarão histórico do século XIX abriga exposições sobre a biodiversidade e cultura local, enquanto o Parque Naturalizado, espaço interativo para crianças, estimula o aprendizado por meio do brincar com elementos naturais.

    Educação ambiental para todas as idades

    A fazenda recebe escolas e grupos para atividades práticas como compostagem, reciclagem, cultivo orgânico e trilhas com interpretação ambiental. Essa abordagem transforma o local em um laboratório a céu aberto, onde diferentes públicos vivenciam na prática os princípios da agroecologia, compreendem os desafios ambientais e se sensibilizam para as soluções sustentáveis.

    O restaurante da Fazenda Bananal destaca-se pela culinária que valoriza ingredientes orgânicos cultivados localmente, com cardápios sazonais inspirados na biodiversidade da Mata Atlântica. A cafeteria oferece lanches artesanais, e a Feira Bananal, realizada mensalmente, comercializa produtos como chocolates, compotas e geleias. Os produtos são produzidos na própria fazenda e por parceiros locais, fortalecendo a economia criativa da região.

    Originalmente a Fazenda Bananal era uma importante produtora de cana, café e banana durante o período colonial. Porém, hoje ela ressignifica sua história ao promover a regeneração ambiental e a educação para a sustentabilidade. Restaurada pelo Grupo OCanto, a propriedade alia preservação do patrimônio histórico, com o casarão restaurado segundo critérios do IPHAN, à conservação da natureza.

    A Fazenda Bananal oferece uma programação cultural diversificada, incluindo exposições, oficinas de arte e natureza, e observação de aves, sempre com foco na valorização da cultura local e da biodiversidade. A equipe atualiza as atividades todos os meses, oferecendo experiências únicas que acompanham a programação cultural de Paraty.

    Informações para visitação

    Aberta de terça a domingo, das 9h às 17h, com última entrada às 16h, a Fazenda Bananal cobra ingresso para as “Experiências Bananal”. São (R$ 60 inteira e R$ 30 meia), que dão acesso a todas as atividades guiadas e autoguiadas. O espaço é ideal para quem busca um dia de contato profundo com a natureza, cultura e gastronomia da Mata Atlântica.

    Para mais informações e programação atualizada, visite o site oficial da Fazenda Bananal e acompanhe o perfil no Instagram @fazendabananal.

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  • Palmito pupunha: produção de palmeira amazônica no interior paulista

    Palmito pupunha: produção de palmeira amazônica no interior paulista

    Em Pires de Cima, bairro rural de colonização alemã em Limeira (SP), os irmãos Douglas e Cassiana Carradas estão escrevendo um novo capítulo na história de sua propriedade familiar centenária. Há três anos, eles decidiram investir na produção sustentável de palmito pupunha, uma cultura incomum na região, com apoio técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    O Sítio Carradas, antes dedicado ao cultivo convencional de grãos, hoje divide espaço com uma plantação de pupunheiras (Bactris gasipaes), palmeira originária da Amazônia. A transição para o Protocolo de Agroecologia — sistema que prioriza práticas sustentáveis e equilíbrio ambiental — contou com orientação da engenheira agrônoma Carla de Meo, da Casa da Agricultura de Limeira.

    Cultura, que não é típica da região, foi implantada com sucesso na propriedade da família, com acompanhamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) por meio de sua Regional local.

    “Queríamos algo alinhado à preservação ambiental. O palmito pupunha surgiu como alternativa viável e rentável”, explica Cassiana Carradas. A escolha não foi ao acaso: a espécie permite colheita contínua por até 10 anos, sem necessidade de replantio, graças ao perfilhamento (brotos laterais), e substitui a extração predatória de palmitos nativos.

    Apoio técnico e investimento

    O projeto exigiu planejamento detalhado. “Estudamos mercado, custos e adaptações, como irrigação por gotejamento, crucial para o desenvolvimento das mudas trazidas do Vale do Ribeira”, relata Carla. A família acessou recursos do Feap Mulher, linha de crédito do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, para perfuração de poço, garantindo água para a produção.

    Inicialmente voltada à indústria, a produção migrou para vendas diretas. “O retorno foi surpreendente. Comercializamos em feiras, para restaurantes e clientes finais, com preços que variam conforme o corte — o ‘coração’ do palmito é o mais valorizado”, destaca Douglas.

    A produção dos irmãos Carradas é comercializada em feiras da região e, diretamente, para restaurantes e consumidores.

    A qualidade do produto, colhido no ponto ideal para garantir maciez, conquistou chefs e consumidores. Cada planta rende até 3 kg de palmito, processado artesanalmente no sítio — do cozimento em panela de pressão ao acondicionamento em vidros esterilizados.

    Sustentabilidade que alimenta o futuro

    Além da rentabilidade, os irmãos enxergam na pupunha um legado ambiental. “É uma cultura perene que protege o solo e evita desmatamento”, ressalta Carla. A propriedade serve agora como modelo para outros produtores interessados em transição agroecológica.

    Para os Carradas, o sucesso vai além dos números. “Estamos honrando a história dessa terra, que pertence à família há gerações, mas com olho no futuro”, finaliza Cassiana.

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