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  • Brasil declara guerra ao desperdício de alimentos em painel global

    Brasil declara guerra ao desperdício de alimentos em painel global

    A cena se repete silenciosamente em propriedades rurais pelo Brasil. Toneladas de alimentos nunca chegam à mesa do consumidor. Eles se perdem no caminho. Apodrecem. Viram estatística. Nesta sexta-feira (14), a AgriZone trouxe esse problema urgente para o centro do palco. O painel “Ação Global sobre Perda e Desperdício de Alimentos”, da Coalizão Clima e Ar Limpo (CCAC), misturou governos e especialistas. A missão? Encontrar saídas.

    Clecivaldo Ribeiro, diretor do Mapa, foi direto. “É inadmissível”, disparou. Ele se referia a um número que persiste como um fantasma: cerca de 30% dos alimentos produzidos no campo brasileiro se perdem antes do processamento ou da comercialização. É um buraco negro que suga recursos, dinheiro e esperança. Enquanto isso, a fome ainda é uma realidade para milhões. A conta não fecha.

    O Brasil quer virar esse jogo. Clecivaldo deixou claro que reduzir perdas dentro das porteiras é prioridade nacional. Não é só sobre comida. É sobre eficiência. É sobre clima. O descarte inadequado desses alimentos libera metano na atmosfera. Um gás de efeito estufa potente. Um superpoluente. Combater o desperdício, portanto, é uma tacada dupla. Alimenta pessoas e resfria o planeta.

    Soluções

    E as soluções? O Mapa aposta em políticas públicas de base. Assistência técnica no campo. Capacitação. Disseminação de boas práticas. “Reduzir perdas exige conhecimento”, explicou o diretor. O foco é equipar o produtor. Melhorar o manejo. Revolucionar o armazenamento. Minimizar os danos pós-colheita. É uma mudança de cultura.

    O recado do painel foi unânime. Reduzir a perda de alimentos não é mais uma opção. É uma necessidade premente. Uma estratégia inteligente para fortalecer a segurança alimentar de forma rápida. E sustentável.

    Clecivaldo Ribeiro encerrou com uma convicção. Enfrentar as perdas no campo é o passo decisivo. “Reduzir desperdícios é proteger recursos, fortalecer a agricultura e garantir comida para quem precisa”. O caminho está traçado. Agora, é ação.

  • Embrapa apresenta AgriZone com soluções sustentáveis na COP30

    Embrapa apresenta AgriZone com soluções sustentáveis na COP30

    A Embrapa leva à COP30 a AgriZone, uma vitrine de inovação e sustentabilidade que reforça o papel da ciência brasileira na produção de alimentos de baixo carbono. O espaço destaca práticas que unem tecnologia, resiliência e segurança alimentar global.

    Instalada na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), a AgriZone fica a apenas 1,8 quilômetro das áreas oficiais da COP30 — Green Zone e Blue Zone. O local estará aberto ao público de 10 a 21 de novembro, das 10h às 18h, com entrada gratuita e inscrição on-line ou presencial.

    Mais de 400 palestras e painéis técnicos gratuitos

    A programação da AgriZone reúne mais de 400 atividades técnicas, entre palestras, painéis, workshops e exposições imersivas. São cinco auditórios, vitrines vivas, áreas de alimentação e apresentações culturais.
    Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o espaço “reforça a mensagem de que a inovação é o caminho para alimentar o mundo e proteger o planeta”.

    Entre os participantes estão cientistas, líderes, CEOs, representantes de governos e organismos internacionais como FAO, ONU, Fundação Gates, IICA, União Europeia, OCDE e CGIAR. Também confirmaram presença instituições de pesquisa do Reino Unido, Holanda, Alemanha, China, França, Japão, Dinamarca, EUA, Sudão e Quênia.

    O evento reúne ainda entidades nacionais como Contag, Senar, Abrasem, Sobrade, The Nature Conservancy, Instituto Socioambiental, cooperativas, startups e empresas do agronegócio e florestal.
    Os debates abordam temas centrais como adaptação da agricultura às mudanças climáticas, bioeconomia, economia circular, gênero, justiça climática e agricultura de baixo carbono.

    Programação construída de forma colaborativa

    A agenda da AgriZone foi definida a partir de uma chamada pública realizada pela Embrapa. Organizações ligadas à agricultura, segurança alimentar e clima submeteram propostas para integrar o evento.
    Foram recebidas 450 propostas, avaliadas por um grupo técnico da Embrapa. O resultado é uma programação plural e inclusiva, que reúne ONGs, agricultura familiar, instituições financeiras, ministérios, empresas privadas e organismos internacionais.

    Vitrine viva de agricultura de baixo carbono

    A AgriZone apresenta uma vitrine viva com sistemas de produção sustentável de carne, soja, leite, milho, sorgo e trigo.
    De acordo com Ana Euler, diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia, esses modelos “representam uma transformação profunda na agropecuária brasileira, unindo produtividade e sustentabilidade”.
    As tecnologias demonstram práticas do Plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com forte contribuição da Embrapa.
    No dia 16 de novembro, será lançado o selo da Carne de Baixo Carbono, resultado da parceria entre a Embrapa e a Marfrig.

    Inovações genéticas e cultivares sustentáveis

    Entre os destaques, está o milho transgênico BTMAX, desenvolvido pela Embrapa e pela Helix. A tecnologia é 100% nacional e reduz o uso de inseticidas químicos, combatendo pragas como a lagarta-do-cartucho e a broca-da-cana.
    Outro lançamento é o sorgo granífero BRS 3002, criado em parceria com a Latina Seeds. O híbrido se destaca pela alta produtividade, resistência a doenças e estabilidade na segunda safra, oferecendo mais segurança ao produtor.
    A vitrine também apresenta o guandu BRS Mandarim e o guatã, leguminosas indicadas para recuperar pastagens degradadas. As espécies ajudam a reduzir custos com adubos químicos e diminuem em até 70% a emissão de metano por quilo de ganho de peso bovino.

    Seleção genética de bovinos com menor emissão

    A Prova de Emissão de Gases (PEG) é outra tecnologia em destaque. O método identifica bovinos que emitem menos metano e convertem melhor o alimento em peso.
    A seleção genética permite o melhoramento de rebanhos com base em critérios ambientais, reforçando o compromisso da Embrapa com a pecuária sustentável.

    Inclusão produtiva e soluções sociais

    A AgriZone abriga o Núcleo de Responsabilidade Socioambiental (Nures), voltado a pequenos e médios produtores. O núcleo promove sistemas agroalimentares que fortalecem a segurança e a soberania alimentar.
    Entre as tecnologias expostas estão o Sisteminha Embrapa, que integra criação de peixes e galinhas ao cultivo de hortaliças, e a Fossa Séptica Biodigestora, alternativa de baixo custo para tratamento de esgoto.
    O projeto Semear Digital leva conectividade e ferramentas de gestão à agricultura familiar, ampliando a inclusão tecnológica no campo.

    Resgate de alimentos e saberes tradicionais

    As vitrines vivas também mostram cultivares biofortificadas, hortaliças protegidas e Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). Essas espécies resgatam alimentos ancestrais e valorizam a cultura alimentar regional.
    As Pancs possuem alto valor nutricional, baixo impacto ambiental e cultivo simples, sendo uma oportunidade de renda para agricultores familiares.
    Também estão em destaque o algodão naturalmente colorido, os clones de cajueiro-anão e a fibra de caju desidratada, inovações que ampliam o aproveitamento do fruto e reforçam a sustentabilidade da agroindústria.

    Piscicultura sustentável e economia local

    A Embrapa apresenta o sistema de criação de tambaquis em tanques-rede, desenvolvido em parceria com a associação Bom Peixe, de Palmas (TO).
    A tecnologia define parâmetros de densidade, alimentação e manejo ideais para garantir melhor produtividade e rentabilidade ao piscicultor, reduzindo perdas e intermediários na comercialização.

    Fazenda Álvaro Adolpho: vitrine da intensificação sustentável

    A Fazenda Álvaro Adolpho, uma das áreas centrais da AgriZone, foi transformada em exemplo de intensificação sustentável.
    O espaço reúne mais de 45 cultivares e 30 sistemas agropecuários integrados, como ILPF com eucalipto e teca, consórcios de gramíneas e leguminosas, além de cultivos de soja, milho, trigo, arroz e amendoim.
    As áreas mostram arranjos agroflorestais com café robusta, açaí, cacau, banana e bacuri, evidenciando o potencial produtivo e sustentável da Amazônia.

    Visitas guiadas e experiências imersivas

    O público poderá visitar o meliponário de abelhas nativas, símbolo da bioeconomia amazônica, e a Capoeira do Black, área florestal de 60 anos com monitoramento por drones e inteligência artificial.
    Também haverá laboratórios de sementes, hortos medicinais e trilhas interpretativas, reforçando o conceito de ciência acessível e interativa.

    Pavilhão Comida, Cultura e Tradição

    O Pavilhão Comida, Cultura e Tradição conecta a produção sustentável de alimentos às identidades regionais. O espaço valoriza gastronomia, saberes locais e diversidade cultural, integrando cultura e sustentabilidade na transição para sistemas alimentares de baixo carbono.

    Plataforma Saúde do Solo BR

    Durante a COP30, a Embrapa lança a Plataforma Saúde do Solo BR, no dia 17 de novembro. A ferramenta reúne mais de 52 mil amostras e oferece monitoramento aberto e contínuo da saúde dos solos brasileiros.
    O sistema usa mapas interativos e dados de livre acesso para apoiar práticas agrícolas regenerativas. A iniciativa posiciona o Brasil na vanguarda mundial do monitoramento do solo e contribui para o cumprimento das metas climáticas nacionais.

    Parcerias e cooperação internacional

    A AgriZone reforça o papel da Embrapa na Aliança Global Contra a Fome, liderada pelo Brasil no G20. A iniciativa busca financiar pequenos produtores e fortalecer a agricultura inclusiva.
    Entre os parceiros estão ministérios, organizações internacionais, ONGs e empresas privadas, como Fundação Gates, IICA, Bayer, Nestlé e Contag.
    Para a presidente Silvia Massruhá, “a COP30 marca o início de uma jornada de colaboração internacional pela sustentabilidade e segurança alimentar”.