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  • Crédito rural vira termômetro para vendas na Expointer 2026

    Crédito rural vira termômetro para vendas na Expointer 2026

    A liberação efetiva do crédito rural deve ser um dos principais indicadores para medir o ritmo das vendas de máquinas agrícolas na 49ª Expointer. O evento será realizado de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS).

    Em um cenário de cautela, produtores e fabricantes acompanham a chegada dos recursos do Plano Safra 2026/2027. Além disso, o setor avalia se as novas medidas de apoio terão efeito sobre as decisões de investimento no segundo semestre.

    A avaliação é da Agritech, fabricante de soluções para a agricultura familiar. Durante a feira, a empresa apresentará os tratores AGT-20 e AGT-25 Cabinado.

    Para a fabricante, entretanto, o anúncio de novas linhas de financiamento não é suficiente. Nesse sentido, a velocidade de liberação dos recursos será fundamental para definir o comportamento do mercado.

    Segundo o gerente de Vendas e Marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, as medidas anunciadas pelo governo federal melhoram as perspectivas para o setor. Ainda assim, produtores e indústria mantêm uma postura de cautela.

    “Vivemos um momento de cautela, tanto para os produtores quanto para a indústria. Vamos revisar nossas metas de vendas para este ano, mas vemos com otimismo o lançamento do Plano Safra. Agora, é fundamental acompanhar a velocidade com que o crédito chegará ao agricultor familiar”, afirma.

    Crédito rural pode destravar investimentos

    O cenário ganha importância no Rio Grande do Sul. Afinal, a agricultura familiar tem forte participação na produção agropecuária do Estado.

    Além disso, parte dos produtores enfrenta dificuldades para retomar investimentos após perdas provocadas por eventos climáticos. Por isso, o acesso ao crédito rural pode ter impacto direto na capacidade de recuperação das propriedades.

    Para o ciclo 2026/2027, o governo federal destinou R$ 85,2 bilhões ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O pacote também reúne medidas voltadas aos produtores que registraram perdas de safra.

    Entre as ações está a possibilidade de renegociação de dívidas rurais em até dez anos. A medida também prevê período de carência para agricultores que tiveram perdas decorrentes de eventos climáticos.

    Nessas condições, as operações do Pronaf podem ter juros de até 5% ao ano. Assim, a expectativa é facilitar a reorganização financeira dos produtores e abrir espaço para novos investimentos.

    Outra medida é a prorrogação do prazo de adesão ao Desenrola Rural até 20 de dezembro de 2026. O programa permite regularizar débitos do crédito rural da agricultura familiar com descontos sobre juros e encargos.

    Dessa forma, as medidas podem ajudar a recuperar a capacidade de investimento das propriedades. Ao mesmo tempo, podem estimular a renovação da frota e a mecanização no campo.

    Máquinas agrícolas ganham espaço na feira

    É nesse contexto que a Agritech chega à Expointer 2026. A fabricante apresentará dois modelos destinados a pequenas e médias propriedades.

    Um deles é o AGT-20, trator 4×4 de 17 cavalos de potência. O modelo possui bitola superestreita e foi desenvolvido para trabalhar em lavouras com espaçamento reduzido.

    Além disso, o equipamento conta com transmissão 9×3, sistema hidráulico universal e tomada de potência de 540 e 1.000 rpm. Entre as aplicações estão atividades como pulverização, roçada e acionamento de trincha.

    A empresa também levará o AGT-25 Cabinado. O modelo foi desenvolvido para propriedades de pequeno porte e conta com cabine climatizada.

    Foto: Divulgação

    Nesse caso, o foco está nas condições de trabalho e no conforto do operador. Assim, a fabricante amplia as opções para produtores que buscam mecanizar as atividades sem abrir mão de melhores condições durante a operação.

    Expointer será termômetro do mercado

    Para a Agritech, a participação na Expointer ocorre em um momento estratégico. A feira permitirá acompanhar de perto a reação dos produtores às medidas anunciadas no Plano Safra.

    Além disso, o evento deve ajudar a indústria a avaliar o ritmo das decisões de compra. A expectativa é identificar se o crédito rural terá condições de transformar a cautela atual em novos investimentos.

    “A expectativa é que a efetiva ampliação do acesso ao crédito seja determinante para impulsionar a renovação da frota e a mecanização das pequenas propriedades nos próximos meses”, conclui Oliveira.

    Portanto, a liberação dos recursos será um dos pontos de atenção para o mercado de máquinas agrícolas durante a Expointer. Para fabricantes e produtores, a velocidade do crédito pode definir o ritmo dos investimentos no segundo semestre.

  • Mercado de tratores cresce 19,6% até setembro

    Mercado de tratores cresce 19,6% até setembro

    Na beira da estrada de terra, o barulho do motor de um trator zero quilômetro já não chama tanta atenção assim. Na concessionária da cidade, esse som virou rotina outra vez. Depois de uma sequência de anos mais travados, o mercado de máquinas agrícolas voltou a ganhar fôlego, e os tratores estão, literalmente, saindo do pátio. De janeiro a setembro deste ano, as vendas cresceram 19,6% na comparação com o mesmo período de 2024, alcançando cerca de 39,9 mil unidades no país, segundo os dados mais recentes da Fenabrave.​

    O salto fica ainda mais evidente quando o olhar vai para setembro. Em um único mês, o volume vendido subiu 27,5% frente a setembro do ano passado, chegando a aproximadamente 6 mil tratores comercializados, com alta de 15,7% em relação a agosto. Nas revendas, o clima é de “finalmente a chave virou”, embora ninguém se iluda: a conta de juros, custo de produção e endividamento do produtor continua pesando no fechamento de cada negócio.​

    No discurso do presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, aparece uma palavra que começou a rodar forte no campo: recomposição. As concessionárias, que vinham de um período de vendas fracas e estoques mais enxutos, agora aproveitam a expectativa de uma safra melhor para repor máquinas e alinhar o portfólio às demandas do produtor. Depois de quedas sucessivas em 2023 e 2024, o avanço de quase 20% em 2025 ainda ocorre sobre uma base baixa, mas indica que o pior da ressaca pode ter ficado para trás.​

    Agricultura familiar

    Na prática, quem puxa a fila desse crescimento são, principalmente, os tratores de até 100 cavalos de potência, voltados para a agricultura familiar e propriedades menores. Esse segmento sentiu forte as restrições de crédito e a piora de renda nos últimos anos, então qualquer melhora no acesso a financiamento e alguma perspectiva de preço melhor para as principais culturas já vira motivo para destravar a compra adiada. Não raro, o produtor volta à loja com aquela frase meio tímida: “lembrá daquele orçamento que fiz ano passado… vamos refazer ele?”.​

    De acordo com o gerente de Vendas da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, o resultado traz também o fortalecimento de modalidades de aquisição como o consórcio. “O mercado de máquinas agrícolas vem mostrando retomada consistente, impulsionada pelo interesse de pequenos e médios produtores em modernizar suas propriedades. O consórcio, em especial, tem se consolidado como uma alternativa viável e segura para planejar a compra de equipamentos sem comprometer o fluxo financeiro”, afirma.

    Mesmo com a reanimação do mercado de tratores no Brasil, o cenário ainda pede cautela. As taxas de juros seguem em patamar elevado, o nível de endividamento no campo continua alto e a rentabilidade, em muitas regiões, não voltou ao pico recente do agronegócio. A leitura das entidades é que 2025 marca um ano de retomada gradativa: as vendas sobem, a frota começa a se renovar de novo, mas o sprint mais forte só deve acontecer se o crédito ficar menos caro e se os programas de apoio à compra de máquinas tiverem continuidade. Até lá, o ronco do trator novo aumenta, sim, porém ainda com o pé meio leve no acelerador.​