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  • Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Você pega o pacote de arroz para cozinhar e encontra aquela farinha fina acumulada no fundo. Ou, pior ainda, avista pequenos insetos se movimentando entre os grãos. É uma cena familiar para boa parte das famílias brasileiras, e a reação imediata costuma ser jogar tudo fora com repulsa. Mas a situação é mais complexa do que parece, e a resposta para a pergunta que todo mundo já fez, “caruncho faz mal?”, depende de alguns fatores que vale conhecer antes de tomar qualquer decisão.

    De onde vem o caruncho e por que ele aparece nos grãos

    Antes de qualquer coisa, é preciso derrubar um equívoco comum: o caruncho não nasce necessariamente por descuido do consumidor. Segundo a agrônoma e professora Cristina Schetino Bastos, da Universidade de Brasília, o ciclo da infestação pode começar ainda na lavoura, durante a colheita, e seguir por todas as etapas, incluindo transporte, beneficiamento e armazenamento. Ou seja, o inseto pode chegar à despensa de casa dentro do próprio pacote lacrado.

    O nome “caruncho” é, na verdade, um termo genérico. A professora explica que ele designa popularmente mais de uma espécie de besouro que infesta produtos armazenados, com destaque para o Sitophilus zeamais, um besouro pequeno também conhecido como bicudo. Essa espécie é especialmente problemática porque tem alta capacidade de sobrevivência e consegue perfurar grãos intactos, o que dificulta o controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

    Os insetos se associam principalmente a arroz, milho e trigo e, por consequência, a derivados como macarrão e farinhas. E as condições do ambiente doméstico podem acelerar a proliferação: umidade moderada e temperaturas favoráveis criam o cenário ideal para o desenvolvimento dos insetos, enquanto ambientes muito secos ou com temperaturas extremas dificultam sua sobrevivência.

    Freezer, recipientes de vidro e atenção à mistura de alimentos novos com antigos estão entre as medidas mais eficazes para manter caruncho longe — (Foto: Tomasz Klejdysz/Getty Imagens)

    Comer alimento com caruncho faz mal?

    Aqui está a resposta que a maioria das pessoas busca, e ela é menos alarmante do que o estômago sugere no momento do susto. De acordo com a nutricionista Fabiana Ximenes, o consumo acidental desses insetos geralmente não representa um risco grave à saúde. No entanto, podem ocorrer sintomas gastrointestinais leves como náuseas, desconforto abdominal e diarreia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com imunidade baixa.

    Um fator importante nessa equação é o preparo do alimento. O risco é maior quando o alimento contaminado é consumido cru, já que o cozimento tende a eliminar os insetos. Ainda assim, especialistas alertam que confiar apenas no cozimento não é a melhor estratégia. Sinais mais graves de deterioração do produto precisam ser observados antes de qualquer decisão de aproveitamento.

    Grãos empelotados, cheiro alterado e presença de teias indicam que o alimento deve ser descartado, independentemente de qualquer outra consideração. Nesses casos, o risco não está apenas nos insetos, mas no estado geral do produto, que pode ter sofrido contaminação por fungos ou bactérias associadas à infestação prolongada.

    Como evitar o caruncho em casa de forma simples e eficaz

    A boa notícia é que prevenir a infestação doméstica não exige grandes investimentos. Medidas simples de armazenamento reduzem drasticamente o risco de proliferação e protegem toda a despensa. Especialistas recomendam armazenar grãos em recipientes bem fechados, de preferência de vidro, evitar ambientes quentes e úmidos, não misturar alimentos novos com antigos e, quando possível, manter grãos no congelador por um período após a compra.

    Esse último ponto merece atenção especial. Colocar o pacote recém-comprado no freezer por alguns dias elimina eventuais ovos ou larvas que possam ter chegado junto com o produto, interrompendo o ciclo de reprodução antes mesmo que ele comece na despensa de casa.

    Além disso, vale inspecionar embalagens antes de comprar, evitar produtos com sinais de dano na embalagem e preferir compras em locais com bom giro de estoque. No campo e nas propriedades rurais, o controle é ainda mais relevante: a indústria utiliza técnicas como expurgo com gás para eliminar insetos, controle de temperatura e uso de atmosferas modificadas, mas isso não garante ausência total do caruncho no produto final.

  • PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    O agronegócio brasileiro fechou 2025 com um resultado que poucos setores da economia conseguiriam exibir. O PIB do setor avançou 12,20% em relação ao ano anterior, o segundo maior resultado da série histórica, movimentando R$ 3,20 trilhões. É um número impressionante. Só que, por baixo da euforia, existe um sinal que merece atenção.

    O crescimento foi sustentado, em grande parte, pela valorização de preços ao longo do período, um movimento que perdeu força no segundo semestre e já impacta o ritmo da atividade. Em outras palavras: o campo produziu bem e os preços ajudaram, mas essa combinação não vai durar para sempre.

    A pecuária que ninguém esperava ver tão forte

    Se há um protagonista claro de 2025, é a pecuária. O ramo pecuário fechou o ano com a maior expansão entre todos os recortes, crescendo 32,55% no acumulado. O número soa quase exagerado, mas os dados sustentam cada ponto percentual.

    A bovinocultura de corte foi o principal vetor, com o valor bruto da produção subindo 23,71% no ano, resultado de alta de 15,84% nos preços reais e expansão de 6,79% no volume. A agroindústria ligada ao setor foi ainda mais longe: a agroindústria pecuária disparou 36,54%, favorecida pela valorização dos produtos e aumento da produção.

    Foram exportações em volume recorde, preços em patamar historicamente alto e uma cadeia que entregou eficiência de ponta a ponta. O setor de carnes virou, na prática, o motor principal do agro em 2025.

    O lado agrícola cresceu, mas em ritmo diferente

    Enquanto a pecuária acelerava, a agricultura andou em passo mais moderado. O ramo agrícola avançou 3,40%, sustentado pela maior produção de milho, soja, algodão e café. Positivo, mas longe do destaque da pecuária.

    No setor primário como um todo, o crescimento foi de 17,06%, com destaque para as culturas de milho e café. Já a agroindústria de base agrícola contou uma história diferente: as atividades de base agrícola recuaram 3,33% devido à baixa nos preços industriais. Queda de produção industrial no campo agrícola, enquanto o lado pecuário disparava. O contraste é revelador de como 2025 distribuiu seus ganhos de forma desigual dentro do próprio setor.

    Um quarto da economia brasileira depende do campo

    O resultado de 2025 também consolidou algo que vai além dos números de curto prazo. A participação do agronegócio no PIB nacional subiu para 25,13%, ante 22,9% registrados em 2024. Um em cada quatro reais produzidos no Brasil em 2025 passou, de alguma forma, pelo campo.

    Sob a ótica dos segmentos, todos avançaram no acumulado: insumos (+5,37%), primário (+17,06%), agroindústria (+5,60%) e agrosserviços (+13,76%). O agronegócio não cresceu por um único ponto de pressão. Cresceu de forma ampla, o que dá consistência ao resultado, mesmo com as ressalvas sobre preços.

    O presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende, resume bem a tensão que fica para 2026: “O PIB cresce, mas isso não significa automaticamente mais rentabilidade no caixa de quem produz. O custo de produção segue pressionado, o crédito ficou mais caro e o risco aumentou.”

    O freio no final do ano e o que vem pela frente

    O quarto trimestre entregou um recado claro. O indicador recuou 1,11% frente ao terceiro trimestre, com recuo generalizado entre os segmentos, com destaque para a queda de 2,32% nos insumos. Não foi colapso, mas foi um aviso.

    Entre julho e dezembro, o PIB do agro entrou em trajetória de desaceleração, confirmando a perda de tração iniciada ainda no terceiro trimestre, à medida que o ciclo de alta de preços iniciado em 2024 se esgotou. O motor que moveu o crescimento ao longo do ano perdeu combustível justamente na reta final.

    Para 2026, a leitura muda de tom. O resultado passa menos pelo volume colhido e mais pela capacidade de sustentação de margens em um ambiente de preços menos pressionados, um ponto sensível em um setor que depende cada vez mais de custo, crédito e eficiência para manter o crescimento. Quem entrar neste ano com gestão apertada e tecnologia na ponta tem vantagem real. Quem depender apenas do ciclo favorável de preços vai sentir o terreno mudar.