Tag: agricultura orgânica

  • Câmara aprova prioridade para alimentos orgânicos na merenda escolar

    Câmara aprova prioridade para alimentos orgânicos na merenda escolar

    A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria o Programa de Priorização do Abastecimento Escolar com Produtos Frescos e Orgânicos. A proposta busca incentivar o consumo de alimentos saudáveis na merenda escolar e fortalecer a agricultura familiar.

    O texto, aprovado em outubro de 2025, é o substitutivo da deputada Roberta Roma (PL-BA) ao Projeto de Lei 2481/24, de autoria do deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI). Segundo a relatora, os ajustes feitos garantem a viabilidade do programa.

    Roberta Roma destacou que a iniciativa “está alinhada com os princípios da agroecologia e da sustentabilidade ambiental”. Já o autor do projeto, Jadyel Alencar, defendeu que “o programa proporcionará refeições mais saudáveis e nutritivas. Ao mesmo tempo em que valoriza os agricultores familiares e estimula a transição ecológica”.

    Incentivo à agricultura orgânica e familiar

    O substitutivo aprovado altera a Lei da Alimentação Escolar, incorporando novas diretrizes para a compra de alimentos livres de agrotóxicos no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

    De acordo com o texto, os produtos deverão seguir preferencialmente os princípios da agroecologia e da agricultura orgânica. Envolvendo também o agroextrativismo sustentável, a pesca artesanal e a piscicultura familiar. O objetivo é diversificar a merenda escolar com alimentos frescos, produzidos localmente e de forma sustentável.

    A gestão e execução do programa ficarão sob responsabilidade do governo federal, em articulação com estados, municípios, cooperativas, associações de agricultores familiares, instituições de pesquisa, organizações civis e o setor privado.

    Próximas etapas

    A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Educação, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

    O produtor de orgânicos Luiz Claudio Ravaglio da Rocha. Foto: Hedeson Alves/TECPAR

    Caso seja aprovada em todas as instâncias, a medida seguirá para votação no Plenário da Câmara. E em seguida, para o Senado Federal antes de se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Crédito rural e apoio técnico impulsionam produção orgânica

    Crédito rural e apoio técnico impulsionam produção orgânica

    Impulsionada pela demanda crescente por alimentos mais saudáveis e sustentáveis, a produção orgânica vem conquistando mercado entre consumidores paulistas. Essa mudança de hábitos, pautada por maior conscientização sobre segurança alimentar e sustentabilidade, também tem gerado novas oportunidades no campo, impulsionando pequenos e médios produtores a adotarem práticas agroecológicas mais responsáveis.

    Para fortalecer esse movimento, o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, oferece duas frentes de apoio: o Projeto Orgânicos Agro SP, linha de crédito rural viabilizada pelo Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), e o Protocolo de Transição Agroecológica (PTA), desenvolvido em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).

    Crédito FEAP impulsiona agricultores

    Criado em 2025, o crédito Orgânicos Agro SP reconhece o papel central da agricultura sustentável para o desenvolvimento econômico e social. A iniciativa oferece condições especiais para financiar insumos, equipamentos e infraestrutura voltados à produção orgânica, tornando o setor mais competitivo e os alimentos mais acessíveis à população.

    Entre os beneficiários, o produtor Samuel Squarize, de São José da Bela Vista, relata como o programa transformou sua rotina. “Graças a este incentivo, estou conseguindo entregar e vender minha mercadoria, além de reduzir a emissão de CO₂. Esse apoio do FEAP está sendo fundamental para o escoamento da minha produção”, afirma.

    Samuel cultiva mandioca e banana com manejo orgânico e destaca que o novo sistema garantiu aumento de produtividade e redução de custos. “Hoje produzo o dobro em áreas que antes tinham baixo rendimento, com apenas 15% dos gastos do sistema convencional”, diz o agricultor.

    Os valores financiáveis pelo FEAP são de até R$ 250 mil por produtor e R$ 800 mil para associações e cooperativas, com juros entre 2% e 4% ao ano. Em 2025, foram destinados R$ 3 milhões à linha de crédito. O prazo de pagamento chega a até 84 meses, podendo alcançar 120 meses com carência de dois anos em projetos que incluam componente florestal.

    Resultados no campo

    Outro exemplo é o produtor Gregório Martins, que há mais de 15 anos cultiva frutas e hortaliças orgânicas em Nazaré Paulista. Com o apoio do FEAP, ele adquiriu um veículo para facilitar o transporte e a comercialização dos produtos em feiras da Capital e da Grande São Paulo, além de fornecer para o programa de merenda escolar local. “Esse investimento foi essencial para manter e ampliar minha presença nas feiras. O crédito chegou na hora certa”, comenta.

    Os produtores interessados podem se informar sobre o acesso às linhas de financiamento nas Casas de Agricultura dos municípios ou nos escritórios do Itesp.

    Transição agroecológica e capacitação

    Além do suporte financeiro, o Estado oferece orientação técnica por meio do Protocolo de Transição Agroecológica (PTA), criado em 2016. A iniciativa visa ajudar agricultores na mudança da produção convencional para o modelo agroecológico, com ênfase em redução de insumos químicos, regularização ambiental das propriedades e manejo sustentável.

    Conforme explica Araci Kamiyama, gestora do PTA, o protocolo garante “assistência técnica, extensão rural e um processo completo para adoção de práticas mais saudáveis”. O produtor que adere ao programa recebe o certificado de transição agroecológica, facilitando o acesso a novos mercados e consumidores conscientes.

    Araci também destaca a importância do crédito do FEAP como apoio durante a etapa inicial, geralmente mais desafiadora. “O processo de conversão pode exigir mais mão de obra e elevar custos. Linhas de crédito com juros acessíveis são fundamentais para dar fôlego ao produtor nessa transição”, explica.

    Encontro reforça compromisso com a agroecologia

    Em dezembro de 2025, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) promoveu o 1º Encontro de Agroecologia, em Nazaré Paulista, com foco em ampliar o suporte técnico e fortalecer a rede de produção sustentável no estado. Durante o evento, a CATI apresentou as oportunidades do FEAP Orgânicos SP e entregou simbolicamente um cheque de apoio ao produtor Gregório Martins, reforçando o compromisso do governo paulista com uma agricultura mais saudável, eficiente e ambientalmente equilibrada.

  • Família investe em produção de banana orgânica

    Família investe em produção de banana orgânica

    Diante da crise econômica no cultivo de palmito, a família Pacheco, de Luiz Alves (SC), encontrou uma oportunidade ao diversificar a produção agrícola com banana orgânica certificada em sistema biodinâmico. O sítio Vale das Bananas, além de produzir sem agrotóxicos, segue critérios rigorosos que respeitam o equilíbrio natural, garantindo um produto sustentável e de alta qualidade.

    Vanessa Corrêa Pacheco, produtora do sítio, explica que a decisão pela banana orgânica nasceu de uma visão sustentável herdada dos pais. “Quando começamos a plantar banana queríamos que fosse sem agrotóxico, de forma sustentável. E quando conhecemos outras propriedades que também adotaram o sistema biodinâmico, em Águas Mornas, nos identificamos muito. Um ano depois de obtermos o selo da SPG-Abio, conseguimos a certificação da ABDSul”, comemora.

    A diferença entre o cultivo orgânico e o biodinâmico está no manejo mais detalhado do segundo, que utiliza o calendário lunar para definir etapas como o desfolhe e a colheita. Raphael Pacheco destaca que “fazer o manejo no dia em que a planta está plenamente disponível produz um fruto com mais qualidade. Nós deixamos a fruta no pé mais tempo e mesmo assim, ela não perde tempo de prateleira, sua vida útil é mais longa”.

    Inovação na agroindústria: banana-passa, farinha e chocolates

    Após a perda de um grande cliente em 2020, a família transformou o excedente de banana em novos produtos, agregando valor à produção. Hoje, o carro-chefe é a banana-passa, além da produção de banana coberta com chocolate branco, ao leite e 70% cacau, e farinha de banana verde, um alimento sem glúten e com amido resistente, recomendado para controle da diabetes. Vanessa ressalta que “como ela tem sabor neutro, pode ser adicionada tanto em pratos doces quanto salgados e até sobremesas”.

    Apoio técnico e financeiro da Epagri

    O extensionista da Epagri, Bruno Krauss Salvador, destaca o pioneirismo da família Pacheco e a crescente demanda por alimentos saudáveis. O suporte técnico da Epagri foi fundamental para aprimorar a produção, por meio de programas como Terra Boa Calcário e Kit Solo Saudável, além de financiamentos via Pronaf e Pronamp Agro SC.

    “No caso das bananas, é um enorme desafio a produção orgânica, pela dificuldade de fornecimento de adubação adequada e combate à doenças fúngicas como a sigatoka. Sem falar na falta de mão de obra que, neste caso, é bem mais exigente”, ressalta o extensionista.

    Bananicultura orgânica no Brasil

    Segundo dados da Embrapa, o cultivo orgânico de banana ainda é pouco expressivo no Brasil, correspondendo a cerca de 0,34% da área total plantada, com aproximadamente 1.600 hectares dedicados ao sistema orgânico. A produção nacional conta com mais de 9 mil produtores orgânicos cadastrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

    A bananicultura orgânica exige manejo cuidadoso do solo, com cobertura viva e uso de compostos orgânicos, além do controle biológico de pragas e doenças. Variedades resistentes às principais doenças, como sigatoka-negra e mal-do-panamá, são fundamentais para o sucesso do cultivo sem agrotóxicos.

    Sustentabilidade

    A experiência da família Pacheco reflete uma tendência de valorização da produção sustentável e orgânica, que alia qualidade, respeito ao meio ambiente e inovação. Com o apoio técnico e financeiro adequados, produtores rurais podem transformar desafios em oportunidades, agregando valor à cadeia produtiva. E atendendo a um mercado consumidor cada vez mais exigente por alimentos saudáveis.

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