Tag: agricultura de baixo carbono

  • Tecnologia de simulação reduz custos para medir metano em lavouras de arroz

    Tecnologia de simulação reduz custos para medir metano em lavouras de arroz

    Um modelo de simulação computacional conseguiu estimar com precisão as emissões de metano produzidas por uma lavoura de arroz irrigado ao longo de diferentes safras. A conclusão vem de uma pesquisa conduzida pela Embrapa Meio Ambiente, com apoio da Apta Regional de Pindamonhangaba, em uma área de cultivo no Vale do Paraíba, em São Paulo.

    O estudo comparou as emissões de metano medidas em campo durante três safras com os valores simulados pelo modelo DNDC (DeNitrification-DeComposition), uma das ferramentas mais usadas internacionalmente para estimar fluxos de carbono e nitrogênio em sistemas agrícolas. Os resultados confirmaram que o modelo reproduz de forma consistente o comportamento das emissões durante todo o ciclo da cultura.

    Por que o metano do arroz irrigado preocupa pesquisadores

    O arroz irrigado ocupa posição estratégica na produção mundial de alimentos, mas também figura entre as principais fontes agrícolas de metano, um gás de efeito estufa com elevado potencial de aquecimento global. O ambiente alagado, típico desse sistema de cultivo, favorece microrganismos que produzem metano durante a decomposição da matéria orgânica na ausência de oxigênio.

    Parte desse gás escapa para a atmosfera e contribui para as mudanças climáticas. Por isso, pesquisadores e formuladores de políticas públicas passaram a priorizar o conhecimento preciso sobre o volume de metano emitido pelas lavouras ao longo do ciclo produtivo.

    A medição direta em campo, no entanto, exige recursos financeiros, equipamentos sofisticados, equipes especializadas e campanhas contínuas de monitoramento. Fatores que limitam a aplicação dessa técnica em grandes áreas agrícolas.

    Como o modelo DNDC simula as emissões

    Diante desse desafio, a Embrapa Meio Ambiente passou a avaliar o desempenho do DNDC em cenários de arroz irrigado por inundação. Para cada cenário, a ferramenta reúne dados sobre a cultivar, fatores climáticos, características do solo e práticas de manejo agrícola e de irrigação. Com essas informações, o modelo simula simultaneamente o desenvolvimento da planta e os processos biológicos que produzem e liberam gases de efeito estufa.

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    Foto: divulgação Embrapa / Sebastião Araújo

    Segundo Magda Lima, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, a análise mostrou que o DNDC reproduziu satisfatoriamente o comportamento das emissões ao longo do ciclo da cultura. Esse desempenho indica potencial para apoiar inventários de gases de efeito estufa, pesquisas científicas e o planejamento de estratégias de redução de emissões.

    A pesquisadora Maria Conceição Pessoa lembra que a Embrapa Meio Ambiente e a Apta já haviam calibrado e validado o DNDC há cerca de 16 anos, com outra cultivar de arroz irrigado e outras condições locais. O novo estudo repete o bom desempenho da ferramenta, agora com uma cultivar diferente e considerando o clima e o manejo atuais das lavouras paulistas.

    Simulação acompanha picos de emissão registrados em campo

    Os dados mostraram que as simulações seguiram de perto a dinâmica de emissão observada na lavoura durante toda a safra. Portanto, os maiores picos de metano ocorreram nos períodos de inundação, quando o solo reúne condições favoráveis à ação dos microrganismos produtores do gás. Quando a disponibilidade de água mudava, o modelo também captava a redução das emissões. O que demonstra sensibilidade às alterações no manejo da água e nas condições ambientais.

    Para Pessoa, a boa concordância entre os dados medidos e os simulados em diferentes safras aponta o DNDC como ferramenta confiável para estimar emissões sazonais de metano em sistemas de arroz irrigado paulista, o maior polo produtor do Sudeste brasileiro. Essa confiabilidade amplia as possibilidades de avaliar diferentes práticas de manejo sem exigir medições complexas em todas as áreas de produção.

    Simulações abrem caminho para testar novas estratégias de manejo

    Além de reduzir custos de pesquisa local, a ferramenta permite investigar cenários futuros. Produtores e pesquisadores podem avaliar, por exemplo, como mudanças no manejo da irrigação, na adubação ou na incorporação de resíduos vegetais afetam as emissões de metano. Esse tipo de simulação possibilita identificar antecipadamente estratégias que reduzem o impacto ambiental da atividade sem comprometer a produtividade das lavouras.

    O estudo também contribui para aprimorar os inventários nacionais de gases de efeito estufa. Atualmente, muitos países recorrem a fatores médios de emissão para estimar a contribuição da agricultura às mudanças climáticas. Modelos calibrados com dados brasileiros tornam essas estimativas mais representativas da realidade nacional. E aumentam a confiabilidade das informações usadas em políticas públicas e em compromissos internacionais sobre o clima.

    Qualidade dos dados define o desempenho do modelo

    A pesquisa reforça uma tendência crescente na agricultura moderna: a integração entre experimentação de campo e ferramentas digitais para entender processos ambientais complexos e apoiar decisões mais eficientes. Conforme os modelos computacionais ganham precisão, eles assumem papel estratégico na construção de sistemas agrícolas mais sustentáveis e resilientes diante dos desafios climáticos.

    As pesquisadoras alertam, porém, que o desempenho do DNDC e de ferramentas semelhantes depende diretamente da qualidade das informações inseridas. Especialmente dados climáticos, características físicas e químicas do solo, cultivares e práticas de manejo adotadas na propriedade. Por isso, defendem a ampliação de estudos em diferentes regiões produtoras para gerar e divulgar essas informações-base, o que aperfeiçoa as simulações e amplia sua validação em todo o país.

    Assim, para a rizicultura brasileira, os resultados representam mais do que um avanço metodológico. Eles mostram que a combinação entre ciência, monitoramento e simulação numérica pode acelerar tecnologias que reduzem as emissões de gases de efeito estufa, fortalecem a agricultura de baixo carbono e tornam a produção de alimentos ambientalmente mais responsável.

  • Financiamento verde impulsiona agricultura de baixo carbono em SP

    Financiamento verde impulsiona agricultura de baixo carbono em SP

    Especialistas, autoridades e produtores discutiram soluções para financiar a agricultura de baixo carbono durante o Summit Agenda SP+Verde, realizado no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. O painel “Investimentos em Sistemas Alimentares de Baixo Carbono para um Futuro Regenerativo” integrou o palco temático de Finanças Verdes do evento.

    O debate foi moderado por Lia Palm, coordenadora de Agricultura do município de São Paulo. Ela destacou o programa Sampa+Rural, iniciativa da prefeitura que conecta agricultura urbana, periurbana e rural, turismo e alimentação saudável em uma única plataforma. O programa incentiva a criação de hortas e práticas agroecológicas, reforçando o compromisso da cidade com o desenvolvimento rural sustentável.

    Pacote estadual

    O secretário-executivo de Agricultura de São Paulo, Alberto Amorim, apresentou o pacote estadual de investimentos em agricultura de baixo carbono. Ele afirmou que o Estado se consolidou como referência nacional em agricultura regenerativa e apoio aos pequenos produtores rurais. Entre 2023 e 2025, o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) aplicou mais de R$ 800 milhões em crédito rural sustentável.

    Amorim destacou ainda as linhas de apoio do FEAP Mulher e outras subvenções voltadas à transição energética no campo. Os incentivos incluem projetos com bioinsumos, biodigestores, biogás e biometano, além da expansão de práticas agrícolas de baixo carbono.

    Do setor produtivo, a Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul (Cooperapas) participou com sua presidente, Valéria Macoratti. Ela apresentou o trabalho da cooperativa, localizada no extremo sul da capital paulista, voltada à agricultura familiar agroecológica e à proteção dos mananciais. Valéria ressaltou os desafios e avanços da comercialização coletiva e a importância das políticas públicas de apoio às pequenas propriedades.

    O painel também contou com representantes do setor privado global. Eija Hietavuo, diretora de Sustentabilidade da Tetra Pak, e Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade da MBRF, apresentaram ações empresariais voltadas a sistemas alimentares sustentáveis. Eles destacaram metas de redução de emissões, uso de materiais certificados e inovação em embalagens de baixo impacto ambiental.

    Carbono, floresta e água: integração ambiental

    O Estado de São Paulo avança na integração entre produção e conservação ambiental. Por meio do programa Integra SP, já foram alcançados 1,3 milhão de hectares com sistemas integrados de produção. A meta é expandir em mais 1 milhão de hectares até 2030, restaurando áreas degradadas e promovendo práticas regenerativas.

    Outros programas, como o PSA Berços d’Água e o Águas Rurais, já investiram R$ 18 milhões entre 2023 e 2025. As iniciativas remuneram agricultores pela proteção de mananciais e recursos hídricos. O avanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR) também foi destaque, com 198 mil cadastros validados e 16 mil hectares em recomposição de áreas de preservação e reservas legais.

    Evento reforça compromissos climáticos

    O Summit Agenda SP+Verde é um evento internacional pré-COP promovido pelo Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e USP. O encontro reúne especialistas, lideranças e representantes da sociedade para debater desenvolvimento sustentável e economia verde.

    Montado no Parque Villa-Lobos, o evento conta com cinco palcos temáticos, rodada de negócios, área de inovação, Casa da Circularidade e espaço gastronômico. A programação inclui debates sobre Finanças Verdes, Resiliência Urbana, Justiça Climática, Sociobiodiversidade e Transição Energética.

    Uma trilha de economia circular conecta todos os palcos e atividades da Casa da Economia Circular, com vivências e workshops sob curadoria do Movimento Circular. Na área de inovação, universidades e institutos tecnológicos debatem o papel da pesquisa e da tecnologia na transformação climática de São Paulo.

    No palco principal, a economia verde domina as discussões, com lideranças políticas e convidados internacionais defendendo soluções para o futuro sustentável da agricultura brasileira.

  • BASF apresenta resultados iniciais do programa global de agricultura de baixo carbono

    BASF apresenta resultados iniciais do programa global de agricultura de baixo carbono

    A BASF divulgou os primeiros resultados de seus ensaios no Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, mostrando que é possível reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agricultura em até 30% em comparação com práticas agrícolas convencionais. Essa meta foi estabelecida pela empresa em 2020, com o objetivo de auxiliar os agricultores na diminuição das emissões de GEE por tonelada de cultivo produzido. A redução das emissões depende de iniciativas inteligentes e adaptadas ao clima, variando conforme o tipo de cultivo e a região.

    Os testes foram realizados em diversas regiões agrícolas ao redor do mundo, abrangendo cultivos estratégicos como soja, milho, arroz, trigo e canola. Os resultados obtidos entre 2021 e 2023 indicam que a diminuição das emissões de GEE requer uma combinação de práticas, produtos e tecnologias. O relatório destaca o sucesso das iniciativas implementadas, como o uso otimizado de fertilizantes por meio de sistemas digitais que auxiliam na tomada de decisões, além da aplicação de estabilizadores de nitrogênio e sementes de alto desempenho.

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    “A emergência climática já é uma realidade. Os métodos de cultivo precisam ser adaptados para reduzir significativamente as emissões sem comprometer a produtividade. Esse é um desafio, mas temos as soluções certas para apoiar os agricultores e tenho certeza de que, se você ama a agricultura, deve se comprometer com a sustentabilidade como nós estamos fazendo”, afirmou Marko Grozdanovic, vice-presidente sênior de Marketing Global da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF. “Os dados que obtemos de nossos ensaios de campo apoiam nosso Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, com recomendações para capacitar os agricultores a se tornarem pioneiros em mudanças positivas no clima e na natureza.”

    Os ensaios também evidenciam os desafios enfrentados pelos agricultores na redução das emissões, especialmente devido a condições climáticas adversas ou impactos na produtividade. Por isso, a BASF, em parceria com outras entidades, informa que vai continuar testando estratégias agrícolas através do Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, buscando soluções práticas e inteligentes para o clima, fundamentadas em ciência e dados para agricultores em todo o mundo.

    Para acessar o relatório completo e obter mais detalhes, visite o site da BASF.