Tag: África Ocidental

  • Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    Maior produtora de cacau do mundo atrai US$ 80 bilhões em investimentos

    A Costa do Marfim garantiu mais de US$ 80 bilhões em compromissos de financiamento durante uma mesa-redonda com doadores realizada em Abidjan, nos dias 8 e 9 de julho. O encontro reuniu grandes instituições internacionais e financiadores globais com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico do país.

    O volume final de promessas superou significativamente as metas que o governo havia estabelecido inicialmente. O resultado reforça a posição da Costa do Marfim como uma das economias de crescimento mais rápido da África Ocidental.

    O país mantém uma taxa média de crescimento anual de 6,5% desde que superou a crise pós-eleitoral de 2011. E esse novo influxo de capital deve dar suporte à continuidade dessa expansão. A estratégia nacional de desenvolvimento aposta fortemente em investimentos de infraestrutura de grande escala e em reformas que tornem o ambiente de negócios doméstico mais atrativo ao capital internacional.

    Governo prioriza infraestrutura e segurança energética

    O capital recém-garantido deve financiar áreas estruturais consideradas críticas para sustentar o crescimento econômico de longo prazo e ampliar a capacidade industrial do país. A participação de grandes instituições internacionais na mesa-redonda sinaliza forte confiança na estabilidade macroeconômica e no caminho de reformas que a Costa do Marfim vem adotando.

    A infraestrutura continua no topo das prioridades, mas o setor de energia local também ganha espaço relevante entre os investimentos públicos e privados. O governo pretende usar parte dos recursos para melhorar a segurança energética e construir redes domésticas confiáveis, capazes de sustentar o crescimento industrial do país.

    Segundo reportagem da Africanews, o setor energético desempenha papel essencial para garantir a sustentabilidade das elevadas taxas de crescimento econômico da Costa do Marfim e sua capacidade de atrair capital.

    Empresas locais ganham protagonismo no setor de energia

    À medida que a economia se transforma, empresas locais e campeãs nacionais assumem papel cada vez mais relevante na condução do crescimento industrial, especialmente no setor de energia. Essas empresas expandem redes de distribuição e constroem a infraestrutura necessária para abastecer as indústrias emergentes de manufatura e processamento agrícola.

    pé de cacau
    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    A Costa do Marfim consolidou-se como líder global absoluto na produção de cacau. O país colhe consistentemente mais que o dobro do volume do segundo maior produtor mundial. Essa posição dominante no setor agrícola construiu uma base sólida de estabilidade econômica e receitas de exportação confiáveis. Um fator que provavelmente contribuiu para o elevado nível de confiança dos investidores e viabilizou os históricos US$ 80 bilhões em compromissos.

    O país francófono também assinou recentemente um acordo em Abuja que o compromete a exportar cacau processado, em vez de grãos in natura. A medida representa um passo significativo rumo ao desenvolvimento industrial e econômico da Costa do Marfim.

  • Produção de cacau enfrenta nova ameaça climática

    Produção de cacau enfrenta nova ameaça climática

    O mercado global de cacau volta a acompanhar de perto os desdobramentos climáticos para os próximos ciclos produtivos após meses de forte volatilidade nos preços. A Hedgepoint Global Markets confirmou um novo episódio de El Niño, que coloca novamente o clima entre os principais fatores de risco para a commodity. O momento é sensível: a produção na África Ocidental vem se recuperando parcialmente e sustenta perspectivas mais favoráveis para o balanço global da safra 2025/26.

    Fatores técnicos e o cenário macroeconômico internacional influenciaram os movimentos recentes dos preços. Ainda assim, o mercado permanece estruturalmente sensível às condições climáticas. As chuvas e as temperaturas nas principais regiões produtoras continuarão determinando a produção dos próximos ciclos.

    Clima segue fundamental para a próxima safra

    Condições climáticas mais favoráveis nos últimos meses, especialmente o volume de chuvas acumulado, vêm sustentando a recuperação parcial da produção na África Ocidental, principal região produtora de cacau do mundo. Esse cenário reforça as perspectivas de superávit para o ciclo 2025/26.

    O mercado, porém, mantém o foco no desenvolvimento da próxima safra. Um bom volume de chuvas nas próximas semanas continuará sendo essencial tanto para os frutos que serão colhidos até o fim da safra intermediária 2025/26 quanto para o principal período de florescimento, que originará a safra principal 2026/27.

    As condições climáticas observadas nesse período decidirão o volume e a qualidade dos frutos que chegarão ao mercado ao longo do próximo ciclo.

    Infografico sobre produção de cacau

    El Niño volta ao radar das principais origens produtoras

    A confirmação do El Niño amplia as preocupações dos participantes do mercado no médio e longo prazo. O fenômeno tende a alterar padrões climáticos globais e eleva os riscos de seca, chuvas excessivas, ondas de calor e mudanças na atividade de tempestades em regiões agrícolas importantes.

    No caso do cacau, os efeitos potenciais variam conforme a intensidade do evento e a região analisada. Em linhas gerais, o El Niño pode favorecer condições mais secas em parte da África Ocidental e Central, na América Central e no norte do Brasil. Ao mesmo tempo, o fenômeno pode aumentar as chuvas no Peru, no Equador e em algumas áreas do continente africano.

    A Hedgepoint destaca que, em algumas origens, especialmente na África Ocidental, a resposta climática ao El Niño não ocorre de forma direta. Fenômenos regionais como a Monção da África Ocidental e os ventos Harmattan também influenciam o clima da região.

    A monção da África Ocidental normalmente ocorre entre maio e outubro, enquanto o Harmattan prevalece de dezembro a fevereiro. O El Niño pode alterar esses padrões, atrasar o início da estação chuvosa e prolongar a estação seca, já que influencia os sistemas atmosféricos que regulam a monção e o Harmattan. O impacto varia conforme a intensidade e o período de ocorrência do fenômeno.

    Temperaturas mostram sinal mais consistente

    Ao analisar as últimas safras impactadas pelo El Niño, a consultoria observa que os efeitos sobre as chuvas não seguem um padrão único entre os principais produtores.

    Os resultados registrados em Costa do Marfim, Gana e Equador mostram que os impactos sobre a precipitação dependem não apenas da intensidade do fenômeno, mas também das características regionais e da distribuição das chuvas ao longo do ciclo produtivo.

    Os dados de temperatura, por outro lado, apresentam um comportamento mais consistente. Nas últimas safras marcadas por El Niño, Costa do Marfim, Gana e Equador registraram temperaturas acima da média em diferentes momentos do ciclo, especialmente durante o principal período de florescimento.

    Esse comportamento pode aumentar o estresse das lavouras, sobretudo quando se combina com menor disponibilidade hídrica.

    Resposta da produção pode ocorrer de forma defasada

    A análise também observa que a resposta da produção ao El Niño não segue um padrão linear, principalmente por se tratar de uma cultura perene.

    Os dados sugerem que a produção pode reagir de forma temporalmente defasada: perdas aparecem durante a safra impactada pelo fenômeno, enquanto efeitos positivos podem surgir nos ciclos subsequentes. Esse comportamento pode estar relacionado tanto à realocação de recursos pelas plantas quanto à forma como as chuvas se distribuem ao longo do ciclo produtivo.

    Carolina França, analista de mercado na Hedgepoint Global Markets, ressalta que esse comportamento não é homogêneo entre países e safras, o que reforça que a resposta produtiva depende da interação entre clima local, calendário fenológico e condições agronômicas específicas de cada origem.

    “De forma geral, o El Niño costuma estar associado a menor produção de cacau por elevar as temperaturas e afetar a regularidade das chuvas. No entanto, seus impactos variam conforme a intensidade do evento, o momento em que ocorre no ciclo produtivo e sua interação com fases críticas como florescimento e desenvolvimento dos frutos”, destaca a analista.

  • Mercado de cacau oscila com risco climático e avanço do El Niño

    Mercado de cacau oscila com risco climático e avanço do El Niño

    O mercado global de cacau mantém pressão de fatores técnicos e da expectativa de superávit, mas segue altamente sensível ao clima nas principais regiões produtoras. A combinação entre fundamentos baixistas e riscos climáticos deve sustentar a volatilidade nas próximas semanas.

    Dados da Hedgepoint Global Markets indicam que previsões de chuvas abaixo da média na África Ocidental e o avanço das chances de El Niño podem alterar o comportamento dos preços, mesmo com sinais de maior oferta global.

    Na semana encerrada em 29 de maio, os contratos futuros do cacau fecharam a US$ 3.923 por tonelada em Nova York e £ 2.975 por tonelada em Londres. No acumulado do mês, as cotações subiram 12,3% e 13,5%, respectivamente.

    Apesar de projeções de safra maior na Costa do Marfim e preocupações com a qualidade das amêndoas na África Ocidental, os fundamentos do mercado não registraram mudanças relevantes.

    Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets. Foto: divulgação

    Segundo Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, o mercado reage rapidamente a ajustes técnicos e ao cenário macroeconômico. Movimentos como cobertura de posições vendidas e reposicionamento de investidores continuam influenciando os preços.

    Clima na África Ocidental entra no radar

    As condições climáticas seguem no centro das atenções. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, as chuvas permanecem acima do ciclo anterior e próximas da média histórica. Em Gana, o volume de precipitação também supera a média, o que favorece o desenvolvimento das lavouras, mas eleva o risco de doenças e impactos na colheita.

    Mesmo com cenário positivo até agora, previsões indicam redução das chuvas em partes da África Ocidental nas próximas semanas. O período é decisivo para a safra 2026/27, pois coincide com a fase de florescimento das plantas.

    Caso a estiagem avance ao longo de junho, o desenvolvimento das lavouras pode sofrer impacto direto, o que tende a dar suporte aos preços internacionais do cacau.

    El Niño aumenta incerteza no mercado

    Outro fator de atenção é o avanço das projeções para o El Niño. A NOAA elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho. Com possibilidade de continuidade durante o inverno 2026/27 no Hemisfério Norte.

    As projeções indicam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode ultrapassar 1,5°C e atingir até 2°C a partir de setembro, caracterizando um evento forte.

    Os impactos variam por região. Mas o padrão climático tende a provocar condições mais secas em áreas da África Ocidental e Central, além da América Central e do norte do Brasil. Por outro lado, países como Peru e Equador podem registrar aumento das chuvas.

    O fenômeno também pode intensificar ondas de calor na América do Sul e na África. A intensidade do El Niño, aliada a fatores locais como o Harmattan e a monção da África Ocidental, deve determinar os efeitos sobre a produção.

    Fatores técnicos e clima devem guiar preços

    No curto prazo, o mercado deve continuar reagindo à combinação entre fatores técnicos e notícias climáticas. A expectativa de superávit global e os estoques elevados em Nova York mantêm o viés baixista.

    No entanto, qualquer mudança nas condições climáticas pode gerar correções rápidas nos preços.

    Portanto, o mercado de cacau segue em alerta. A evolução do clima na África Ocidental, o comportamento do El Niño e a demanda global devem continuar como principais vetores para produtores, exportadores e investidores.