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  • Tráfico de pepinos-do-mar ameaça biodiversidade da costa paulista

    Tráfico de pepinos-do-mar ameaça biodiversidade da costa paulista

    Malas e caixas cruzam diariamente os terminais dos aeroportos brasileiros com produtos ilegais. Substâncias entorpecentes ocupam boa parte dessas apreensões, mas eletrônicos, medicamentos e até animais silvestres também compõem a bagagem de quem tenta driblar a fiscalização.

    Foto: Fabio Porto-Foresti

    Entre os itens exportados ilegalmente estão os pepinos-do-mar, invertebrados marinhos presentes ao longo de toda a costa brasileira. Pequenos o bastante para caber na palma da mão, esses animais figuram como iguaria tradicional na culinária asiática e na medicina chinesa. Condição que alimenta um mercado clandestino voltado à exportação.

    Um estudo do Laboratório de Genômica e Conservação de Peixes (Lagenpe), da Unesp de Bauru, publicado na revista Scientific Reports, comprovou a origem brasileira de espécimes apreendidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), o maior da América Latina. A equipe usou marcadores genéticos para identificar as espécies Holothuria grisea e Isostichopus badionotus e rastrear sua procedência até o litoral sudeste do país. Um achado que configura crime ambiental e acende alerta sobre a biodiversidade costeira.

    Comércio ilegal pode reduzir populações da espécie

    O planeta abriga cerca de 1.250 espécies de pepino-do-mar, das quais 40 ocorrem em território brasileiro. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica as duas espécies do estudo como de “Menor Preocupação”, classificação que, segundo os pesquisadores, não elimina o risco da exploração comercial.

    Fabio Porto-Foresti, professor da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp e coordenador do Lagenpe, teme que o Brasil repita o cenário já registrado na China, onde a exploração intensa reduziu populações inteiras de pepino-do-mar. “O comércio ilegal de qualquer espécie é extremamente danoso, porque é uma ameaça invisível. O pepino seco, forma que é transportado, permite que se leve uma grande quantidade nas bagagens”, afirma o pesquisador. “Se muitos indivíduos forem retirados na mesma região, isso pode reduzir a população, acabando com o potencial evolutivo da espécie.”

    Pepinos-do-mar sendo vendidos em uma feira popular na cidade de Chongqing, no sudoeste da China
    Pepinos-do-mar sendo vendidos em uma feira popular na cidade de Chongqing, no sudoeste da China. Foto: Ricardo Utsunomia

    Ricardo Utsunomia, codocordenador do Lagenpe, chama atenção para a função ecológica desses animais. “O pepino-do-mar fica no fundo do oceano extraindo e ingerindo matéria orgânica. A retirada deles de forma intensiva e em tão pouco tempo causa um desequilíbrio ecológico muito grande”, explica.

    O padrão de exploração lembra o comércio de barbatanas de tubarão: produtos não perecíveis, fáceis de armazenar e transportar, e por isso difíceis de fiscalizar. Sem controle adequado, os pesquisadores projetam que a demanda por pepinos-do-mar pode levar a quedas populacionais semelhantes às que atingiram várias espécies de tubarão.

    “Código de barras” genético identifica espécies descaracterizadas

    A pesquisa nasceu de uma parceria de longa data entre o Lagenpe e o Ibama, iniciada em 2015 com um projeto sobre o tráfico de peixes-de-bico no mesmo aeroporto. Desde então, o laboratório ampliou as análises para nadadeiras de tubarão, bexigas natatórias e, mais recentemente, pepinos-do-mar.

    O estudo atual, financiado pela Fapesp, partiu de espécimes secos apreendidos em 2023, distribuídos em caixas e malas com cerca de 500 indivíduos cada. Os pesquisadores selecionaram 40 amostras para análise molecular: 18 pertenciam à Holothuria grisea e 22 à Isostichopus badionotus.

    Como os animais chegam cortados, secos e sem características morfológicas reconhecíveis, a identificação depende de análise laboratorial. A equipe extrai o DNA das amostras, realiza amplificação por PCR e compara o resultado com o Barcode of Life Data System (BOLDSystems), banco de dados genético usado mundialmente para identificação de espécies. “A gente busca um marcador, que nada mais é do que um ‘código de barras’ do DNA. Então, comparamos o sequenciamento com um banco de dados disponível”, descreve Porto-Foresti.

    Obstáculo

    A equipe enfrentou um obstáculo: o banco de dados não continha o sequenciamento da H. grisea. Para preencher essa lacuna, os pesquisadores recorreram a Rogério Caetano da Costa, professor de zoologia de invertebrados da FC-Bauru e coautor do artigo, que estuda a fauna de Ubatuba há décadas. Com sua ajuda, a equipe coletou exemplares vivos na praia e comparou o material genético com o dos animais apreendidos.

    “Percebemos que eles eram iguais. Esse trabalho comprova que aqui não é uma zona intermediária de tráfico, realmente os animais estão sendo coletados na costa”, relata Utsunomia. O achado reforça a importância de ampliar os bancos de dados genéticos públicos, sem os quais estudos de identificação molecular perdem viabilidade.

    Caetano da Costa relatou ainda uma percepção, ainda não comprovada cientificamente, de queda na população de pepinos-do-mar no costão rochoso de Ubatuba, possivelmente ligada ao avanço da pesca ilegal. No Ceará, esse declínio já tem respaldo científico: um estudo publicado em 2019 na revista Ocean and Coastal Management estimou a captura de quase 400 mil espécimes de H. grisea por ano nos municípios de Camocim e Xavier.

    Mercado ilegal movimenta valores altos e escapa da fiscalização

    A dificuldade de rastrear o volume real do tráfico decorre também da forma como os traficantes transportam os animais: junto a celulares, componentes eletrônicos e outros produtos de informática. Frescos, os pepinos-do-mar pesam cerca de 500 gramas, mas perdem até 90% do peso no processo de secagem. O que facilita o transporte de grandes quantidades em uma única mala.

    pepino-do-mar numa mão
    Foto: Ricardo Utsunomia

    O valor comercial explica o apelo do contrabando: o mercado internacional paga até 400 euros por quilo do produto seco, com espécies raras chegando a cinco mil dólares.

    No Brasil, a Portaria Ibama nº 93/1998 regulamenta a pesca e a comercialização de pepinos-do-mar, exigindo comprovação de origem ambiental e documentação legal. A parceria entre Lagenpe e Ibama busca expor essa lacuna de fiscalização, que não se limita à espécie estudada.

    “De repente, poderia ser um ouriço-do-mar, uma estrela-do-mar ou uma bexiga natatória. O objetivo maior desse projeto é pensar nesse comércio que vem acontecendo e que não conseguimos identificar a espécie do ponto de vista morfológico”, afirma Porto-Foresti. “Com o marcador genético, vai ser possível ver exatamente qual espécie está sendo comercializada, seja para pepino-do-mar, peixe, camarão ou outros grupos. Essa é a grande questão.”

    Fonte: Jornal da Unesp/

  • Ibama apreende 1,2 tonelada de camarão irregular no Aeroporto de Guarulhos

    Ibama apreende 1,2 tonelada de camarão irregular no Aeroporto de Guarulhos

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu cerca de 1,2 tonelada de camarão congelado irregular no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). A ação foi divulgada na última sexta, mas ocorreu em 19 de abril e foi conduzida pela Unidade Técnica do Ibama no município.

    A carga saiu de Santa Catarina e seguiria para Manaus (AM). Durante a fiscalização, agentes identificaram falhas na documentação apresentada, que não informava o nome científico das espécies e não correspondia ao volume transportado.

    De acordo com o Ibama, parte do produto inclui camarões de espécies nativas com pesca proibida, o que agrava a infração ambiental.

    Multas passam de R$ 61 mil

    O responsável pela carga recebeu dois autos de infração que somam R$ 61,6 mil. O Ibama aplicou as penalidades com base no Decreto nº 6.514/2008, que prevê sanções para transporte e comercialização de pescado sem comprovação de origem legal, além da venda de espécies capturadas ilegalmente.

    Os fiscais apreenderam aproximadamente 1.250 quilos de camarão, avaliados em cerca de R$ 60 mil. A carga estava armazenada em 50 caixas de isopor, com pacotes de 5 quilos de “camarão colinha eviscerado”.

    O Ibama considera estratégica a fiscalização no Aeroporto de Guarulhos para combater o transporte irregular de recursos pesqueiros pela malha aérea. A falta de comprovação de origem compromete o controle ambiental e sanitário, além de ameaçar a sustentabilidade dos estoques pesqueiros e a saúde pública.

  • Tráfico de cactos: turistas escondem 2 mil sementes em latas e sapatos

    Tráfico de cactos: turistas escondem 2 mil sementes em latas e sapatos

    Agentes do Ibama e da Polícia Federal (PF) apreenderam  nesta semana mais de uma centena de cactos e cerca de duas mil sementes nativas com quatro turistas da República Tcheca. O flagrante ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando os estrangeiros tentavam embarcar com o material ilegal escondido na bagagem.

    Ação contou com o apoio de órgãos ambientais e policiais do Brasil e do Uruguai no enfrentamento ao tráfico de espécie. Foto: Fiscalização/Ibama/Guarulhos

    A ação contou com a colaboração do ICMBio e de órgãos internacionais, como as autoridades aduaneiras e policiais do Uruguai. Essa parceria entre países signatários da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) visa justamente coibir o tráfico de fauna e flora silvestres.

    Estrangeiros ocultaram material em latas de bebida e nos próprios sapatos

    Durante a fiscalização, os agentes encontraram os cactos e as sementes, todos originários do Rio Grande do Sul, escondidos de forma engenhosa. Os turistas ocultaram os itens em latas de bebida, dentro dos sapatos de um dos viajantes e em diversos sacos de papel distribuídos entre as malas.

    O transporte irregular de espécies nativas sem a devida licença configura infração ambiental e crime contra o patrimônio natural brasileiro. A família Cactaceae, alvo da apreensão, está integralmente listada nos anexos da CITES, que controlam o comércio internacional para evitar que o interesse econômico leve as espécies à extinção.

    Rio Grande do Sul é hotspot global de cactáceas ameaçadas de extinção

    O Rio Grande do Sul, de onde vieram as plantas, é um dos centros de biodiversidade de cactos mais importantes do mundo. O estado abriga cerca de 70 espécies, muitas delas endêmicas dos afloramentos rochosos do Pampa gaúcho, um dos principais hotspots de conservação do grupo no Brasil.

    Atualmente, 52 espécies que ocorrem no estado estão na lista de ameaçados de extinção. Algumas delas só existem na região pampeana, que abrange áreas do Brasil e do Uruguai, o que torna a cooperação internacional ainda mais estratégica.

    Cooperação com Uruguai foi fundamental para interceptar os turistas

    A apreensão evidencia a eficácia da troca de informações entre os países membros da CITES. A atuação integrada entre Ibama, PF, ICMBio e as autoridades uruguaias (GRIA e Polícia Nacional do Uruguai) permitiu identificar a tentativa de contrabando ainda no ponto de saída do país.

    Equipe encontra sementes dentro de sapato de turista no aeroporto de Guarulhos. Foto: Fiscalização/Ibama/Guarulhos

    O material apreendido passará por avaliação técnica, e os turistas responderão administrativa e criminalmente pelos crimes ambientais. A ação conjunta evitou danos irreversíveis ao patrimônio natural brasileiro, retirando de circulação um carregamento ilegal que abasteceria o mercado internacional de plantas raras.

  • Passageira tenta entrar no Brasil com 240 caranguejos da China escondidos em malas

    Passageira tenta entrar no Brasil com 240 caranguejos da China escondidos em malas

    Uma passageira que desembarcou da China no Aeroporto Internacional de Guarulhos teve uma surpresa nada agradável ao passar pela fiscalização. A Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, apreendeu nada menos que 240 caranguejos escondidos em suas malas.

    Foto: Vigiagro/Mapa

    Os crustáceos estavam cuidadosamente organizados em 12 caixas, cada uma pesando 4,6 quilos e contendo 20 unidades. O problema? Os animais não tinham nenhuma autorização para entrar no território brasileiro. E isso representa um risco bem sério pra saúde da agropecuária nacional.

    A análise preliminar dos fiscais indica que a espécie pode ser o caranguejo-de-mitene (Eriocheir sinensis), também conhecido como hairy crab ou caranguejo-peludo. Trata-se de uma verdadeira iguaria na China e bastante apreciada em lugares como Singapura e Hong Kong, onde o preço pode chegar a valores bem altos dependendo da época.

    Perigo para fauna e cadeia produtiva

    Mas o que pode parecer apenas uma tentativa de trazer um produto gourmet pra casa esconde perigos reais. A entrada clandestina de organismos aquáticos abre portas pra introdução de doenças graves que podem se espalhar rapidamente, afetando tanto ecossistemas locais quanto cadeias produtivas inteiras. Os prejuízos econômicos podem ser devastadores.

    O coordenador-geral do Vigiagro, Cleverson Freitas, reforça que as equipes trabalham justamente pra evitar esse tipo de situação. “O trabalho é estratégico pra impedir o ingresso de produtos e organismos sem autorização, garantindo a sanidade agropecuária, a saúde animal e a segurança dos consumidores”, explica.

    Foto: Vigiagro/Mapa

    A fiscalização de cargas e bagagens clandestinas está entre as principais atribuições do Vigiagro, que atua como uma barreira de proteção contra riscos sanitários no trânsito internacional. E casos como esse mostram que a vigilância é mesmo necessária. Afinal, o que parece ser só uma tentativa de contrabando gastronômico pode ter consequências bem maiores pro país.

    A apreensão aconteceu durante inspeção de rotina no aeroporto paulista, que é um dos principais pontos de entrada internacional do Brasil. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre possíveis penalidades aplicadas à passageira.

  • Passageira chinesa é flagrada com 48 kg de barbatanas de tubarão em Guarulhos

    Passageira chinesa é flagrada com 48 kg de barbatanas de tubarão em Guarulhos

    Na semana passada o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, foi cenário de uma operação que barrou o que poderia ser mais um capítulo no tráfico internacional de animais silvestres. Agentes do Ibama e da Receita Federal identificaram quatro malas suspeitas. E o conteúdo delas chamou atenção: aproximadamente 48 kg de barbatanas de tubarão, todas secas e desidratadas, prontas pra cruzar o oceano.

    Foto: divulgação/Ibama

    A dona das bagagens? Uma cidadã chinesa que mora legalmente no Brasil e estava prestes a embarcar rumo à Hong Kong. Quando os fiscais abriram as malas, encontraram apenas sacos plásticos, cada um com cerca de 1 kg de barbatanas. Nada de roupas, nada de disfarce. Era tudo barbatana mesmo.

    O que torna essas barbatanas tão valiosas?

    Pode parecer estranho, mas barbatanas de tubarão movimentam fortunas no mercado asiático. Elas são usadas tanto na culinária, com a famosa sopa de barbatana, quanto na medicina tradicional. O problema é que a demanda alta coloca diversas espécies de tubarões em risco, e o Brasil não permite esse tipo de comercialização sem as devidas autorizações ambientais.

    A operação, batizada de Operação Hermes, mira exatamente esse tipo de crime: o transporte ilegal de produtos da fauna e flora brasileiras. No mesmo dia e no mesmo local, a equipe do Ibama apreendeu outros 14 kg de barbatanas e cerca de 70 kg de carcaças de celulares,outro produto irregular que também rende multa.

    Multas pesadas e destino incerto

    No total, as infrações identificadas resultaram em autos que somam R$ 84,7 mil. As barbatanas apreendidas não vão pro lixo de qualquer jeito: antes da destruição, especialistas vão coletar fragmentos pra identificar quais espécies estavam sendo traficadas. Essas informações são cruciais pra entender melhor as rotas do tráfico e reforçar a fiscalização.

    O Ibama deixa claro que ações como essa fazem parte de um compromisso maior com a proteção da biodiversidade brasileira. Afinal, cada apreensão é um passo a mais no combate ao tráfico internacional e na preservação de espécies que já sofrem com a pesca predatória.

    Operação Hermes: de olho nas cargas suspeitas

    A Operação Hermes não é novidade. Ela existe justamente pra apertar o cerco sobre cargas que precisam de autorização ambiental pra entrar ou sair do país. O foco é evitar que amostras do patrimônio genético brasileiro sejam enviadas ilegalmente pro exterior, além de coibir o transporte de resíduos e o tráfico de animais.

    Pra quem acha que é fácil burlar a fiscalização, casos como esse mostram que o controle tá cada vez mais rigoroso. E quando a carga é flagrada, as consequências vem: multa alta, apreensão do material e, claro, um processo que pode resultar em sanções ainda maiores.

  • Mais de 1 tonelada de cerejas será destruída após detecção de ameaça

    Mais de 1 tonelada de cerejas será destruída após detecção de ameaça

    Uma carga de cerejas chilenas escondia o Brevipalpus chilensis, um ácaro quarentenário que pode causar estragos monumentais na agricultura brasileira. Uma equipe do Vigiagro bloqueou a ameaça no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

    O alerta veio na segunda-feira (10), quando o Ministério da Agricultura e Pecuária divulgou o laudo laboratorial confirmando a presença da praga. Mais de 1.120 quilos de cerejas frescas vindas do Chile serão fumigadas nos próximos dias e depois destruídas. Não tem negociação quando o assunto é proteger os vinhedos, pomares de citros e outras culturas nacionais.

    Detecção aconteceu em inspeção rotineira

    No dia 6, fiscais do Vigiagro realizavam uma ação de rotina quando detectaram o invasor microscópico. As cerejas foram levadas pra sala de inspeção, onde amostras foram coletadas. A suspeita inicial logo se confirmou nos laboratórios da rede oficial do Mapa.

    Foto: Allan Zubiate/Mapa

    O falso ácaro vermelho chileno existe apenas no Chile e na província argentina de Rio Negro, ao norte da Patagônia. Mas seu apetite é voraz e democrático: ataca cerca de 40 espécies de plantas, desde frutíferas até ornamentais e florestais.

    Uvas, citros e kiwis na mira

    Entre os alvos preferidos do Brevipalpus chilensis estão culturas economicamente vitais pro Brasil. Uva, limão, laranja, kiwi e cherimoia (aquela fruta andina da família da fruta-do-conde) encabeçam a lista negra. Figo e caqui também não escapam.

    “A cultura da uva possui duas pragas quarentenárias ausentes consideradas prioritárias”, explica o Departamento de Sanidade Vegetal do Mapa em parceria com a Embrapa. O falso ácaro vermelho chileno é uma delas. A outra é a traça-da-uva (Lobesia botrana), conhecida como traça-europeia-dos-cachos-da-videira.

    Perdas de 30% nos parreirais chilenos

    Os números do Chile assustam. Nos meses mais quentes, o Brevipalpus chilensis causa perdas de até 30% nos parreirais. Portanto, um prejuízo que o Brasil não pode se dar ao luxo de importar junto com frutas frescas.

    A legislação brasileira é clara e a resposta, rápida. Fumigar e destruir a carga inteira pode parecer drástico, mas é a única forma de garantir que pragas ausentes não se estabeleçam no país. O risco fitossanitário é elevado demais pra qualquer tipo de gambiarra.

    O Vigiagro atua justamente pra isso: interceptar ameaças antes que atravessem a fronteira invisível entre cargas internacionais e o território nacional. Desta vez, funcionou. Mais de mil quilos de cerejas vão pro lixo, mas os vinhedos brasileiros continuam seguros.

    Por enquanto.

  • Ibama combate tráfico de aves silvestres em MG e Aeroporto de Guarulhos

    Ibama combate tráfico de aves silvestres em MG e Aeroporto de Guarulhos

    Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) resgataram 35 aves silvestres durante operação realizada entre 14 e 16 de outubro nos municípios mineiros de Arcos, Lagoa da Prata e Moema. A Operação Gênesis reuniu equipes do Ibama, da Companhia de Polícia Militar de Meio Ambiente de Minas Gerais e da Guarda Civil Municipal de Lagoa da Prata.

    Foto: Divulgação/Ibama

    A fiscalização identificou um esquema de fraude no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass). Criadores registravam nascimentos falsos de filhotes no sistema e reutilizavam anilhas antigas em aves capturadas ilegalmente na natureza. O esquema visava dar aparência de legalidade aos animais para comercializá-los.

    Os agentes encontraram aves com anilhas que indicavam mais de 20 anos de idade, período incompatível com a expectativa de vida das espécies. A operação resultou em seis autos de infração, totalizando R$ 154 mil em multas. As autoridades excluíram cerca de 200 registros fraudulentos do SisPass.

    O Ibama encaminhou os animais ao Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) para avaliação. A maioria das aves apresentava sinais de maus-tratos devido às condições sanitárias inadequadas do cativeiro.

    Fiscalização impede tráfico internacional de 18 aves nativas no Aeroporto de Guarulhos

    No último sábado (18), agentes do Ibama impediram o tráfico internacional de 18 aves silvestres brasileiras no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A fiscalização detectou os animais através do raio-x durante a inspeção de bagagens.

    Um dos exemplares resgatados pelo Ibama, espécie saíra-lagarta. Foto: Marcos Hiroshi/Ibama

    Os fiscais encontraram as aves escondidas em pequenas caixas dentro de uma mala. Entre os animais resgatados estavam sete saíras-douradinhas (Tangara cyanoventris), cinco saíras-sete-cores (Tangara seledon), dois tangarazinhos (Ilicura militaris), duas saíras-lagartas (Tangara desmaresti) e duas saíras-militares (Tangara cyanocephala). Algumas espécies enfrentam ameaça de extinção.

    Um passageiro belga tentava embarcar para a França sem documentação que autorizasse o transporte dos animais. O infrator recebeu multa de R$ 72 mil por violação do Decreto nº 6.514/2008, que trata da captura, transporte e maus-tratos a animais silvestres.

    O Ibama encaminhou as aves ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), no Parque Ecológico do Tietê. Os animais recebem atendimento veterinário e cuidados especializados para garantir sua reabilitação e posterior retorno à natureza.

    Saíra-militar resgatada pelo Ibama. Foto: Marcos Hiroshi/Ibama

    O transporte irregular de espécies nativas ameaça a biodiversidade brasileira e compromete o equilíbrio dos ecossistemas. As operações reforçam a importância da fiscalização constante contra o tráfico de animais silvestres, crime que coloca em risco a conservação das espécies e dos biomas brasileiros.

  • Ibama apreende mais de 2 toneladas de pescado ilegal no Aeroporto de Guarulhos

    Ibama apreende mais de 2 toneladas de pescado ilegal no Aeroporto de Guarulhos

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou a apreensão de 2.092 kg de pescado ilegal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). A carga tinha como destino o aeroporto de Miami, nos Estados Unidos. Porém foi retida por falta de comprovação ambiental válida, configurando uma infração ambiental grave.

    Entre os pescados apreendidos estavam 1.798 kg de cioba (Ocyrus chrysurus), 11,5 kg de arioco (Lutjanus synagris) e 9,5 kg de catuá (Cephalopholis fulva). A fiscalização identificou que a nota fiscal da carga estava vinculada a uma embarcação sem sistema de rastreamento por satélite. Isso está em desacordo com a legislação vigente, o que impossibilitou a validação da origem do pescado.

    De acordo com o Ibama, essa ausência de rastreamento viola as normas ambientais e caracteriza tentativa de comercialização ilegal. A fiscalização aplicou uma multa de R$ 47.540,60 à empresa responsável pela exportação.

    Importância do rastreamento para combate à pesca ilegal

    O Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS), operado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Ibama, ICMBio, Ministério da Pesca e Aquicultura e a Marinha, é fundamental para o monitoramento das embarcações pesqueiras e para o combate à pesca ilegal. O sistema permite o acompanhamento remoto das embarcações e dos estoques marinhos, garantindo maior eficácia nas ações de fiscalização.

    Em uma ação complementar, os responsáveis pela operação doaram toda a carga apreendida ao Programa Mesa Brasil, iniciativa que combate a fome ao distribuir alimentos para populações em situação de vulnerabilidade social.

    O combate à pesca ilegal é crucial para a preservação dos recursos marinhos e para a sustentabilidade da atividade pesqueira no Brasil. As equipes realizaram a operação no último sábado (14) e divulgaram as informações nesta segunda-feira.

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  • Brasil barra entrada de besouro que ameaça abelhas

    Brasil barra entrada de besouro que ameaça abelhas

    Uma ação rápida do Vigiagro (Sistema de Vigilância Agropecuária) evitou a entrada de um besouro potencialmente perigoso para as abelhas brasileiras. O inseto, identificado como Cryptophagus scanicus, foi encontrado em um favo de mel contrabandeado na bagagem de um passageiro vindo da Bielorrússia, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 17 de abril.

    O Cryptophagus scanicus é um besouro fungívoro (que se alimenta de fungos) e pode ser um vetor de doenças fúngicas que afetam abelhas, como:

    • Ascosphaera apis (causador da “cria-giz”, que enfraquece colmeias)
    • Nosema apis (provoca nosemose, doença digestiva fatal para abelhas)

    Apesar de não estar na lista de pragas de notificação obrigatória, sua introdução no Brasil poderia ter consequências imprevisíveis para a apicultura e o meio ambiente, já que não há registros da espécie no país.

    Fiscalização evita desastre

    O material foi apreendido após inspeção de rotina e enviado ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA/GO), que confirmou a espécie por teste de DNA.

    Brasil evita catástrofe nas abelhas com interceptação de besouro perigoso em mel ilegal. Foto: Divulgação MAPA

    De acordo com Marcelo Mota, diretor do Departamento de Saúde Animal (Mapa), a importação irregular de produtos apícolas sem certificação sanitária é um risco grave. Pela legislação brasileira (IN 21/2013), todo mel importado deve vir com um Certificado Veterinário Internacional para evitar a entrada de pragas.

    Além de colmeias, o Cryptophagus scanicus pode infestar:

    •  Madeira podre
    •  Ninhos de vespas e formigas
    •  Pelos e penas de animais
    •  Produtos armazenados contaminados por fungos

    Especialistas reforçam que, embora o besouro não seja agressivo diretamente às abelhas, sua capacidade de transportar fungos patogênicos representa um perigo silencioso para a biodiversidade brasileira.

    O caso reforça a importância do trabalho de barreira sanitária do Vigiagro e do Mapa na prevenção de pragas exóticas que poderiam causar danos irreparáveis à agricultura e ao ecossistema.

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  • Aeroporto: restos de animais são interceptados em voo da Nigéria

    Aeroporto: restos de animais são interceptados em voo da Nigéria

    Na tarde de terça-feira (28), um voo proveniente da Nigéria foi alvo de uma ação de fiscalização no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Durante a inspeção de rotina, os aparelhos de raio-X detectaram material orgânico em uma bagagem, levando à verificação imediata pelo Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Dentro da mala, havia ratos empalhados, morcegos, camaleões, cabeças de cobra, bagres secos e até uma cabeça decapitada de cachorro, além de diversas larvas. As autoridades apreenderam o material e o encaminharam para incineração.

    De acordo com o Vigiagro, a bagagem era uma encomenda, e o destinatário aguardava do lado de fora da área de fiscalização. A apreensão de restos de animais e animais silvestres não é incomum no aeroporto. No final de novembro, por exemplo, o Vigiagro interceptou uma bagagem com 386 tartaruguinhas de casco mole chinesas, que também representavam risco à saúde animal e ao meio ambiente.

    Por que a entrada desses materiais é proibida?

    A Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa proíbe a entrada de materiais orgânicos sem certificação e tratamento adequado por questões zoossanitárias. Produtos como os encontrados podem carregar larvas, insetos ou micro-organismos que representam um risco grave de introduzir doenças e pragas no país. Esses patógenos podem comprometer a produção agropecuária nacional, afetando tanto a economia quanto a segurança alimentar do Brasil.

    A introdução de espécies exóticas ou doenças pode causar desequilíbrios ecológicos e prejuízos bilionários ao agronegócio. Um exemplo histórico é o caso do fungo Fusarium oxysporum, causador do mal-do-Panamá, que devastou plantações de banana em várias partes do mundo. Por isso, países com sistemas eficientes de defesa agropecuária, como o Brasil, restringem rigorosamente a entrada de materiais orgânicos não certificados.

    Além do caso recente das tartaruguinhas chinesas, outros incidentes chamaram a atenção nos últimos anos. Em 2021, o Vigiagro apreendeu mais de 1 tonelada de carne de javali em um voo vindo da Europa. Em 2020, foram interceptados 27 quilos de sementes não declaradas em encomendas vindas da Ásia, que poderiam carregar pragas agrícolas. Esses casos reforçam a importância da fiscalização para proteger o patrimônio agropecuário e ambiental do país.

    Recomendações para viajantes

    O Mapa recomenda que passageiros e importadores consultem as listas de restrições do país de destino antes de viajar ou enviar encomendas. A entrada de produtos de origem animal ou vegetal sem autorização pode resultar em multas, apreensão dos materiais e até processos criminais. A conscientização e a colaboração da população são essenciais para evitar riscos à saúde animal, vegetal e humana.

    As autoridades incineraram o material apreendido no voo da Nigéria para eliminar qualquer risco de contaminação. O caso serve como alerta para os perigos associados ao transporte irregular de produtos orgânicos e reforça a necessidade de manter os controles sanitários nas fronteiras do país.

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