Tag: acordo

  • Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    O Ministério da Agricultura firmou acordo com a Comissão de Valores Mobiliários para ampliar o financiamento do agro. Além disso, a parceria busca expandir o acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais. Segundo o Ministério, o convênio prevê compartilhamento de conhecimento técnico e aprimoramento de diagnósticos e análises. Também inclui a formulação e disseminação de ações para ampliar o financiamento das atividades agropecuárias.

    A Secretaria de Política Agrícola coordenará o acordo, com apoio de áreas técnicas do Ministério e da CVM. Por outro lado, a Superintendência de Securitização e Agronegócio da CVM participará das ações previstas.

    O Ministério destacou que parte relevante dos recursos do agro já vem do mercado de títulos e valores mobiliários. Assim, a Pasta considera a parceria estratégica para fortalecer o setor agropecuário. O acordo terá duração inicial de dois anos, com possibilidade de prorrogação por aditivo.

    Em uma rede social, o diretor Tiago Dahdah afirmou que ampliar fontes de financiamento fortalece competitividade, inovação e sustentabilidade. Além disso, ele disse que o acordo aproxima o agronegócio do mercado de capitais. Segundo Dahdah, a iniciativa melhora diagnósticos, análises e ações voltadas ao financiamento privado. Ele também destacou a importância de novos instrumentos diante das restrições fiscais ao crédito oficial. Por fim, o diretor afirmou que o financiamento privado complementa o crédito rural e moderniza o agro brasileiro.

     

  • Após 25 anos de negociações, acordo entre Mercosul e União Europeia começa a valer em 1º de maio

    Após 25 anos de negociações, acordo entre Mercosul e União Europeia começa a valer em 1º de maio

    O Brasil e a União Europeia trocaram as notificações formais necessárias para ativar o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e o bloco europeu. O tratado entra em vigor em 1º de maio de 2026,data que encerra mais de duas décadas e meia de um dos processos de negociação mais longos da história do comércio internacional.

    O Congresso Nacional publicou o Decreto Legislativo nº 14 em 17 de março, aprovando a ratificação do acordo pelo lado brasileiro. No dia seguinte, o governo notificou oficialmente a Comissão Européia sobre a conclusão dos procedimentos internos. A UE respondeu com sua própria notificação em 24 de março. Exatamente o prazo previsto no texto do tratado para que a vigência provisória se tornasse possível.

    O decreto de promulgação presidencial, ato que incorpora formalmente o acordo ao ordenamento jurídico brasileiro, tramita em estágio avançado e deve ser publicado em breve.

    Provisório, mas vinculante

    O qualificativo “provisório” no nome do acordo tem razão técnica: ele entra em vigor antes da ratificação definitiva pelos parlamentos de todos os 27 países-membros da UE, processo que pode levar anos. A vigência provisória, no entanto, já torna o acordo juridicamente obrigatório para as partes e permite que os compromissos comerciais passem a produzir efeitos práticos a partir de maio.

    Essa estrutura não é inédita. A UE usou mecanismo semelhante em acordos com o Canadá (CETA) e com o Japão, aplicando provisoriamente as partes do tratado de competência exclusiva do bloco enquanto a ratificação nacional tramita nos Estados-membros.

    O que muda na prática

    O acordo cria a maior zona de livre-comércio do mundo em termos populacionais, conectando cerca de 720 milhões de pessoas. Segundo a advogada Nailia Franco, do Andersen Ballão Advocacia, especialista no segmento, teremos muitas mudanças importantes. “No setor agro, os impactos tendem a ser especialmente relevantes. O acordo amplia o acesso a um mercado exigente e de alto valor agregado, o que pode impulsionar as exportações de produtos centrais da pauta brasileira, especialmente em regiões em que o agro tem papel estratégico, como o Sul do país.”

    “Ao mesmo tempo, a maior inserção no mercado europeu tende a reforçar a competitividade do setor e a integração do Brasil às cadeias globais de valor. Por outro lado, será essencial atenção aos requisitos sanitários, fitossanitários, ambientais e de rastreabilidade, que passam a ser ainda mais determinantes nesse tipo de operação.”

    Foto: Divulgação

    Para empresas e consumidores brasileiros, os efeitos mais imediatos virão da redução gradual de tarifas de importação em ambos os lados. Do lado das exportações, produtos agrícolas brasileiros como carne bovina, frango, açúcar, soja e etanol ganham acesso ampliado ao mercado europeu, até então protegido por tarifas elevadas e cotas rígidas. A indústria também avança: máquinas, calçados e têxteis brasileiros terão barreiras reduzidas.

    Do lado das importações, carros, máquinas industriais, produtos farmacêuticos e vinhos europeus devem chegar ao Brasil com preços menores ao longo do tempo, à medida que as tarifas caem conforme o cronograma negociado. E que em alguns setores se estende por até 15 anos.

    Além das tarifas, o acordo prevê regras de proteção a indicações geográficas europeias (como champanhe e parmesão) e brasileiras (como cachaça e café do Cerrado), além de capítulos sobre compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável. Este último objeto de atualizações negociadas em 2024 após pressões de países europeus preocupados com o desmatamento na Amazônia.

    Um acordo marcado por turbulências

    As negociações começaram em 1999 e chegaram a um acordo político em 2019, após anos de impasses sobre acesso agrícola e proteção industrial. A conclusão política, no entanto, não foi o fim do processo. A formatação jurídica do texto levou mais quatro anos, e a ratificação brasileira encontrou resistência no Senado antes de ser aprovada.

    Do lado europeu, países como França e Áustria mantiveram oposição consistente ao acordo, argumentando que ele prejudicaria agricultores locais e incentivaria o desmatamento. A versão revisada do capítulo ambiental, apresentada em 2024, foi o instrumento usado pelo bloco para superar essas objeções e viabilizar a assinatura definitiva.

    O que vem a seguir

    Após 1º de maio, o acompanhamento da implementação passa a ser prioridade. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) coordena internamente a adaptação do setor produtivo brasileiro às novas regras. Empresas que desejam aproveitar as preferências tarifárias precisarão cumprir regras de origem, critérios que determinam quando um produto é considerado “brasileiro” ou “europeu” para efeito do acordo.

    A ratificação definitiva pelos parlamentos europeus seguirá em paralelo, sem prazo definido, mas sem impedir a aplicação imediata dos compromissos comerciais já em maio.

  • Brasil aprova acordo histórico entre Mercosul e União Europeia; vigência começa em 2026

    Brasil aprova acordo histórico entre Mercosul e União Europeia; vigência começa em 2026

    O Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira (17) o Decreto Legislativo nº 14 de 2026, que aprova o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia. A cerimônia oficializou a conclusão do processo legislativo brasileiro para ingresso no maior bloco comercial bilateral do planeta.

    A aliança econômica unirá 720 milhões de pessoas e somará um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões. Câmara dos Deputados e Senado Federal concluíram a tramitação em apenas dois meses após a assinatura do tratado.

    O Legislativo demonstrou, com a celeridade do processo, o compromisso com a diversificação das parcerias internacionais do Brasil. O acordo fortalece as relações comerciais, políticas e de cooperação entre as duas regiões.

    Após a promulgação do decreto, o Brasil seguirá com os trâmites de ratificação junto ao Paraguai e à União Europeia, que atuam como depositários do instrumento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgará o texto nos próximos dias para incorporação ao ordenamento jurídico brasileiro.

    O acordo entrará em vigência provisória para a União Europeia e para os países do Mercosul que já tenham ratificado o texto, incluindo o Brasil. A implementação ocorrerá no primeiro dia do segundo mês seguinte à notificação aos depositários. A expectativa do governo é que a vigência provisória comece ainda no primeiro semestre de 2026.

  • MBRF assina acordo com MPT após casos de aborto entre trabalhadoras gestantes

    MBRF assina acordo com MPT após casos de aborto entre trabalhadoras gestantes

    A MBRF assinou acordo com o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) esta semana. E assumiu a obrigação de afastar imediatamente trabalhadoras gestantes de ambientes com excesso de ruído em sua unidade de Lucas do Rio Verde (MT). A juíza do Trabalho Priscila Assunção Lopes Nunes, da Vara do Trabalho da cidade, homologou o acordo. Ele decorre de ação civil pública movida pelo MPT por exposição sistemática de gestantes a fatores de risco dentro da empresa.

    A empresa se comprometeu a realocar todas as gestantes expostas a níveis de ruído iguais ou superiores a 80 decibéis para setores com exposição comprovadamente inferior a esse limite. Isso sem redução de salário, benefícios ou direitos trabalhistas. A MBRF também vai implantar um programa específico de gestão em saúde para gestantes. Que inclui busca ativa para identificar o estado gestacional das funcionárias, avaliação imediata dos riscos do posto de trabalho, realocação obrigatória diante de qualquer agente nocivo não neutralizado, acompanhamento médico multidisciplinar durante toda a gestação e capacitação contínua de lideranças.

    O acordo também prevê um Protocolo Específico de Atendimento a gestantes. Com fluxogramas visíveis em todos os setores, atendimento presencial obrigatório por médico ou enfermeiro do trabalho antes de qualquer liberação. E também disponibilização de veículo exclusivo para transporte emergencial com funcionamento 24 horas por dia, em todos os turnos. O veículo deve contar com equipamentos básicos de primeiros socorros e comunicação direta com o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT).

    Multas

    O descumprimento injustificado de qualquer cláusula gera multa de R$ 50 mil por irregularidade constatada e R$ 20 mil por trabalhadora prejudicada. Os valores vão para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou para o Fundo de Direitos Difusos (FDD).

    Ao homologar o acordo, a juíza destacou que a disposição das partes em fechar o acordo na fase de tutela de urgência contribui para a rapidez na implementação das obrigações, sem comprometer a discussão do mérito da ação.

    Para o MPT, o acordo permite adotar medidas urgentes de proteção às gestantes sem aguardar o desfecho do processo. E reforça a cultura de maternidade segura no ambiente de trabalho. A instituição destacou que, ao assumir obrigações imediatas e obrigatórias, a MBRF reconheceu a importância de ações preventivas para proteger a saúde das trabalhadoras e de seus nascituros.

    O caso integra o Projeto Nacional de Adequação das Condições de Trabalho em Frigoríficos do MPT. Atuaram no processo os procuradores Thalma Rosa de Almeida Furlanetti, Sandro Eduardo Sardá (gerente nacional do projeto), Lincoln Nobrega Cordeiro (vice-gerente nacional), Leomar Daroncho (vice-gerente nacional adjunto), Priscila Dibi Schvarcz e Alexandre Marin Ragagnin. O coordenador nacional do Codemat, Raymundo Ribeiro, também acompanhou a negociação. Pela BRF, assinaram o vice-presidente jurídico Heraldo Geres e o gerente-executivo Tiago Both.

    A MBRF se posicionou através de nota, em que confirma seguir a legislação e trabalha com todos os EPIs necessários. Leia na íntegra abaixo

    A MBRF informa que segue rigorosamente a legislação vigente e reitera seu compromisso com a saúde e segurança dos seus profissionais. Sobre exposição a ruídos, fornece e garante o uso de EPIs certificados pelo Ministério do Trabalho .

    De acordo com avaliação médica e com os atestados apresentados, não foi identificada correlação entre os casos citados no processo e as atividades desempenhadas. A empresa ainda irá apresentar a sua defesa na referida ação e reforça que possui um programa estruturado de acompanhamento às gestantes, desde 2017, com suporte médico, adequações de função de acordo com a etapa gestacional e monitoramento contínuo, a iniciativa já acompanhou mais de 13 mil colaboradoras.

  • Bayer fecha acordo bilionário sobre Roundup: o que muda para o agro

    Bayer fecha acordo bilionário sobre Roundup: o que muda para o agro

    A Bayer, por meio de sua controlada Monsanto, anunciou um acordo coletivo de até US$ 7,25 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões) para resolver dezenas de milhares de processos nos Estados Unidos que acusam o herbicida Roundup de causar linfoma não Hodgkin em usuários. O pacote ainda precisa ser aprovado por um tribunal em St. Louis, Missouri. E foi apresentado como uma tentativa de “virar a página” após anos de litígios que afetaram fortemente o valor de mercado da companhia.

    Segundo a proposta, a indenização cobriria tanto casos atuais quanto futuras reivindicações de pessoas que tenham utilizado o produto até uma data de corte em 2026. Criando um fundo com pagamentos anuais decrescentes por até 21 anos. A Bayer afirma que o acordo busca dar previsibilidade financeira ao grupo. Além de reduzir a incerteza jurídica que paira sobre o negócio de glifosato nos EUA.

    Como funciona o acordo coletivo do Roundup

    O acordo foi estruturado como um programa nacional de compensação para usuários de Roundup diagnosticados com linfoma não Hodgkin. Sobretudo aplicadores residenciais, jardineiros, trabalhadores de manutenção e agricultores. A proposta prevê tabelas de pagamento com faixas de valores baseadas em critérios como tipo de câncer, idade, tempo de uso e intensidade de exposição ao herbicida.

    Os participantes poderão aderir ao programa ou optar por ficar de fora e seguir com ações individuais, preservando a possibilidade de buscar veredictos de júri em tribunais estaduais. A Bayer já havia fechado, em anos anteriores, acordos que somam cerca de US$ 11 bilhões para resolver aproximadamente 100 mil ações. E agora tenta encerrar um novo bloco de cerca de 67 mil processos pendentes com esse pacote de US$ 7,25 bilhões.

    Roundup, glifosato e a controvérsia sobre câncer

    O Roundup é um herbicida à base de glifosato, substância que se tornou pilar no manejo de plantas daninhas em sistemas com soja, milho e algodão tolerantes ao produto, além de ser amplamente usado em áreas não agrícolas. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS, classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico para humanos” (grupo 2A), destacando evidências limitadas em humanos e suficientes em animais.

    Essa avaliação foi um gatilho importante para a onda de processos nos EUA, que acusam a Monsanto de falha em alertar adequadamente consumidores e trabalhadores sobre o possível risco de câncer. Por outro lado, agências reguladoras como a EPA, nos Estados Unidos, têm mantido a posição de que o uso de glifosato dentro das recomendações de rótulo não apresenta risco inaceitável à saúde. Portanto, criando um contraste entre avaliações de risco regulatórias e estudos independentes citados nos tribunais.

    Impactos para o agro: riscos, custos e oferta de glifosato

    Para a agricultura, o acordo não significa, ao menos por enquanto, o fim do Roundup ou do glifosato. Mas sinaliza que o risco jurídico dessa molécula passou a ser um fator estratégico no planejamento de médio e longo prazo. A Bayer já retirou o glifosato das formulações de Roundup para o mercado residencial nos EUA a partir de 2023, substituindo por outros ingredientes, em uma decisão explicitamente motivada por gestão de risco jurídico, não por nova evidência de segurança.

    No segmento agrícola, porém, o glifosato continua sendo uma das principais ferramentas de controle de plantas daninhas. E é peça-chave em sistemas de plantio direto e agricultura conservacionista. Analistas alertam que qualquer movimento da Bayer de reduzir a produção de glifosato poderia retirar até cerca de 40% da capacidade global. Assim, pressionando a oferta, aumentando a dependência de fabricantes asiáticos e elevando custos para produtores.

    O que o produtor brasileiro deve observar

    No Brasil, o glifosato segue autorizado, com regras específicas de registro, limites máximos de resíduos e classificações toxicológicas definidas por Anvisa e demais órgãos reguladores. Dados recentes mostram que produtos à base de glifosato continuam entre os defensivos com novas autorizações de registro. Inclusive em formulações de diferentes sais e marcas genéricas, reforçando a importância econômica do ingrediente para o agro brasileiro.

    Apesar de o acordo da Bayer estar focado no mercado dos EUA, ele tende a alimentar o debate global sobre segurança de herbicidas, transparência em rotulagem e responsabilidade das empresas no gerenciamento de risco. Para o produtor, pontos de atenção incluem:

    • acompanhar mudanças regulatórias,
    • diversificar estratégias de manejo de plantas daninhas (para reduzir dependência de uma única molécula),
    • cobrar clareza de informações de risco dos fornecedores
    • se atentar ao uso correto de EPIs e às recomendações de bula.
  • Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    Exportação brasileira de frutas para Europa cresce 19%

    O Brasil vendeu 19,1% mais frutas em volume para a Europa em 2025 na comparação com o ano anterior. A receita com essas exportações cresceu 12,8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que os blocos devem assinar no sábado (17), no Paraguai, promete acelerar ainda mais esses números.

    O tratado, negociado há pelo menos 25 anos, vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens agrícolas e alimentos frescos.

    “O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.

    Europa concentra 79% das frutas exportadas pelo Brasil

    A União Europeia recebeu 79% das frutas que o Brasil exportou em 2025. Atualmente, produtores brasileiros pagam tarifas que variam entre 4% e 14% para vender no bloco europeu. O acordo vai reduzir e extinguir essas cobranças, o que amplia a abertura aos produtos nacionais.

    “Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, diz a executiva da Ascenza Brasil.

    No total, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, comparado a 2024, segundo o Midic.

    Faturamento pode chegar a US$ 1,8 bilhão até 2029

    A Apex estima que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, com receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.

    Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão lideraram as exportações para a Europa no ano passado. Essas seis frutas geraram receita de US$ 967 milhões, contra US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 949 mil toneladas dessas frutas para a Europa em 2025 e 796,6 mil toneladas em 2024.

    Melão e manga lideram; melancia tem melhor desempenho

    Agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) para o continente europeu no ano passado. Essas frutas registraram os melhores resultados em valor absoluto.

    Foto: Divulgação – Isla Sementes

    A melancia, no entanto, teve o melhor desempenho relativo em 2025. As exportações cresceram 44,3% em volume (de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas em 2025) e 60,5% em receita (de US$ 68,4 milhões para US$ 109,9 milhões).

    Café valoriza em receita, mas recua em volume

    O café, outro importante produto agrícola que o Brasil exporta para a Europa, registrou alta de 34,2% em receita: de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. No entanto, o volume exportado caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado.

    Assim, a expectativa para 2026 é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa mantém-se como mercado-chave do café brasileiro, com Alemanha e Itália entre os principais importadores.

    Como o acordo vai reduzir tarifas

    Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada assim que o acordo entrar em vigor. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de sete anos. Mamão e manga já têm tarifas zeradas na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem da importação dessas frutas do Brasil.

    “Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul-União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.

    Os principais concorrentes do Brasil nos envios à União Europeia, como Peru, Chile e México, já exportam frutas sem pagar tarifas. O acordo torna-se, portanto, fundamental para nivelar as condições de competição e permitir que produtores brasileiros disputem o mercado europeu em igualdade de condições.

  • Senar e MDA firmam parceria para apoiar pequenos produtores

    Senar e MDA firmam parceria para apoiar pequenos produtores

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) firmaram, nesta quarta-feira (8), um acordo para levar Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) a pequenos produtores rurais em todo o país.

    Atendido para 100 mil famílias

    O Acordo de Cooperação Técnica prevê atendimento gratuito a cerca de 100 mil famílias rurais durante 24 meses. Cada propriedade contará com o acompanhamento de um técnico do Senar por dois anos.

    O objetivo é aumentar a produção de alimentos, elevar a renda e melhorar a gestão das propriedades, promovendo mais eficiência e sustentabilidade no campo.

    Pelo acordo, o Senar será responsável por selecionar e capacitar técnicos de campo, além de oferecer cursos de formação voltados à Assistência Técnica e Gerencial.

    Durante a assinatura, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, ressaltou o papel do Senar na evolução da agropecuária brasileira. Segundo ele, a entidade atua lado a lado com o produtor rural para desenvolver um plano de negócios sob medida. “O que ele quer para sua propriedade? A partir daí é feito um plano de negócio para acompanhar se aquilo que foi projetado está sendo cumprido rigorosamente”, explicou Martins.

    O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, destacou a importância da parceria e a qualidade reconhecida da assistência prestada pelo Senar. “A partir de hoje, 100 mil novos agricultores terão acesso à assistência técnica do Senar, com o que há de mais moderno em gestão e produção”, afirmou o ministro.

    Além da assistência técnica, o Acordo de Cooperação inclui ações para facilitar o acesso dos produtores a mercados e políticas públicas. Alguns exemplos são o Pronaf e o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF).

    Participaram da assinatura o diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, o diretor de ATeG do Senar, Eduardo Oliveira, e o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi.

     

  • Exportações: conheça o Acordo Mercosul-EFTA

    Exportações: conheça o Acordo Mercosul-EFTA

    O Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) firmarão seu acordo comercial no próximo dia 16 de setembro. A cerimônia de assinatura acontecerá no Rio de Janeiro, durante a reunião de chanceleres do bloco sul-americano.

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou a informação em nota oficial. O chanceler Mauro Vieira presidirá o evento. O Brasil comanda atualmente a presidência temporária do Mercosul.

    O acordo concede ao Mercosul acesso privilegiado a um mercado de quatro países europeus. A lista inclui Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Estas nações possuem algumas das populações com maior poder de compra do mundo.

    As tratativas para este pacto começaram em Buenos Aires, em junho de 2017. As partes realizaram 14 rodadas de negociação até concluírem os termos em julho de 2024.

    Um bloco de economias robustas

    Criada em 1960, a EFTA reúne economias fortíssimas. Seu Produto Interno Bruto (PIB) combinado chega a US$ 1,4 trilhão. O bloco representa um mercado consumidor de alto valor para produtos do Mercosul.

    Em termos de riqueza individual, Liechtenstein é o segundo país mais rico do mundo. Sua renda per capita anual é de US$ 186 mil. A Suíça aparece em quarto lugar, com US$ 104,5 mil por pessoa. Noruega e Islândia também figuram no topo deste ranking global.

    Foco da presidência brasileira

    O comunicado do Itamaraty destacou os objetivos do Brasil no Mercosul. A presidência temporária busca consolidar a união aduaneira e diversificar parcerias. A modernização dos acordos regionais é outra meta central em um cenário internacional complexo.

    O governo brasileiro também enfatizará o apoio à adesão plena da Bolívia ao bloco.

    Com informações da Agência Brasil.

  • Mercosul e EFTA assinam acordo de livre comércio dia 16

    Mercosul e EFTA assinam acordo de livre comércio dia 16

    O Mercosul vai assinar um acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) no dia 16. A cerimônia ocorrerá no Rio de Janeiro, durante reunião de chanceleres. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores.

    O embaixador Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, vai presidir a reunião. O Brasil ocupa a presidência temporária do bloco.

    Segundo o MRE, o Brasil busca consolidar a união aduaneira e diversificar parcerias econômico-comerciais do Mercosul. O comunicado também destaca a modernização de acordos regionais e o apoio à adesão plena da Bolívia ao bloco. As negociações começaram em 2017, em Buenos Aires. Depois de 14 rodadas, houve a conclusão final em julho deste ano.

    A EFTA reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. Criada em 1960, a organização soma 15 milhões de habitantes e PIB de US$ 1,4 trilhão.

    Liechtenstein possui a segunda maior renda per capita mundial: US$ 186 mil anuais. A Suíça ocupa a quarta posição, com US$ 104,5 mil. Islândia e Noruega também estão entre os países mais ricos do mundo, com renda média elevada e destaque internacional.

  • Artigo: como o acordo do Mercosul e da UE afeta o agro brasileiro?

    Artigo: como o acordo do Mercosul e da UE afeta o agro brasileiro?

    Recentemente, o Mercosul e a União Europeia (EU) fecharam um novo acordo comercial, que estava em discussão há anos, que promete liberar 99% das exportações agrícolas brasileiras para o bloco europeu, sendo assim, esse novo acordo irá abrir portas para um mercado de mais de 450 milhões de consumidores, facilitando o acesso dos produtos brasileiros no mercado europeu, mas tendo que cumprir as exigências ambientais e sanitárias estabelecidas pela União Europeia.

    Renata Bueno, advogada, ex-parlamentar italiana e presidente do Instituto Cidadania Italiana.

    Desde o dia 1º de janeiro de 2025, a União Europeia aprovou o Regulamento Anti Desflorestamento (EUDR). A legislação proíbe a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas. Independentemente de a prática ter ocorrido de forma legal ou ilegal no país de origem. Entretanto para atender às exigências da União Europeia que aprovou o Regulamento Anti Desflorestamento, os produtores brasileiros terão de comprovar que seus produtos não estão ligados ao desmatamento. Isso irá exigir a apresentação de documentos detalhados, como a geolocalização das áreas de produção. A rastreabilidade e a transparência da cadeia produtiva serão fundamentais para garantir a continuidade das exportações para a União Europeia.

    Novas regulamentações

    Com as novas regulamentações, os pequenos e médios produtores encontram desafios pela frente, podendo encontrar dificultar com os custos da adaptação às novas regras. Para minimizar impactos negativos, os exportadores brasileiros devem investir em tecnologias de rastreabilidade e transparência. Garantindo a conformidade com as exigências europeias e reforçando a competividade do setor no mercado internacional.

    Com a implementação do Regulamento Anti Desflorestamento irá acontecer um esforço conjunto do setor produtivo, do governo e das entidades representativas para assegurar que o Brasil continue sendo um protagonista no comércio agrícola global. Ou seja, parcerias com organizações não governamentais (ONGs) e instituições financeiras também podem ajudar a financiar a transição para práticas mais sustentáveis. O governo brasileiro pode desempenhar um papel crucial, oferecendo apoio técnico e financeiro aos produtores.

    É essencial equilibrar o crescimento econômico e a sustentabilidade, garantindo que as exigências ambientais não se tornem barreiras intransponíveis para os produtores brasileiros.

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

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