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  • Vendas de agrotóxicos sobem, mas glifosato perde força

    Vendas de agrotóxicos sobem, mas glifosato perde força

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou os números completos da comercialização de agrotóxicos e bioinsumos no país em 2024. Os dados revelam um mercado em transformação, com o crescimento simultâneo das vendas de produtos químicos e de alternativas biológicas.

    No ano passado, o Ibama processou 7.358 relatórios de 289 empresas, que declararam informações sobre 6.100 marcas comerciais. As vendas totais de agrotóxicos químicos apresentaram alta, principalmente nos produtos técnicos, um movimento que um aumento significativo nas importações também impulsionou.

    Glifosato lidera, mas perde espaço; mercado vê movimentações

    O herbicida glifosato e seus sais mantiveram a primeira posição no ranking de ingredientes ativos mais vendidos, com 231,9 mil toneladas comercializadas. No entanto, o volume representou uma redução frente ao ano anterior.

    O fungicida mancozebe assumiu a segunda colocação, com um salto de vendas de 52,3 mil para 75,1 mil toneladas. Herbicidas como 2,4-D e acefato também mantiveram posições altas e registraram crescimento. Entre as mudanças mais notáveis, o glufosinato – sal de amônio subiu da oitava para a sexta posição, e o cletodim entrou no top 10, substituindo o dibrometo de diquate.

    Bioinsumos ganham força com nova legislação

    Os boletins evidenciaram um crescimento expressivo na produção e na comercialização de bioinsumos. O setor cresceu principalmente pelas vendas de produtos formulados a partir de agentes microbiológicos de controle.

    A partir de 2024, uma reorganização dos relatórios, conforme a Lei 15.070/2024, passou a separar os dados em quatro subcategorias: agentes biológicos, agentes microbiológicos de controle, produtos bioquímicos e produtos semioquímicos. Essa mudança desvinculou os produtos bioquímicos dos relatórios de agrotóxicos químicos, onde apareciam antes.

    Muitos registros não viram vendas

    A análise do Ibama aponta uma característica marcante do setor: uma grande parte dos produtos registrados não chega ao mercado. Em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos com registro válido e 13,6% dos ingredientes ativos não registraram nenhuma comercialização. Além disso, 47 empresas mantiveram registros de agrotóxicos químicos sem reportar qualquer atividade de venda.

    Metodologia e Limitações

    O Ibama ressalta que os dados têm origem em declarações das próprias empresas detentoras dos registros. A legislação protege informações sobre estoques, que portanto não são divulgadas. O órgão também alerta que eventuais inconsistências nos números podem surgir, com possibilidade de retificação futura.

    Os relatórios completos de 2024 estão disponíveis para consulta pública na página Relatórios de comercialização de agrotóxicos do site do Ibama.

  • Agricultura brasileira: os 5 defensivos agrícolas mais vendidos

    Agricultura brasileira: os 5 defensivos agrícolas mais vendidos

    O agronegócio brasileiro mantém-se como um dos maiores consumidores globais de defensivos agrícolas, com destaque para herbicidas, inseticidas e fungicidas.

    Em 2024, a área tratada com esses produtos atingiu 2,5 bilhões de hectares, um crescimento de 12,2% em relação a 2023, segundo dados do Sindiveg.

    No entanto, o valor de mercado recuou 6,6%, totalizando US$ 19,9 bilhões, reflexo de fatores cambiais e da redução nos preços dos produtos.

    Com base nos relatórios do Ibama e estudos setoriais, os ingredientes ativos mais comercializados em volume são:

    Glifosato e seus sais

    • Tipo: herbicida
    • Uso: controla plantas daninhas em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e café. Lidera o mercado há anos, representando cerca de 32% do total de ingredientes ativos vendidos no país. Em 2024, foi crucial no manejo de invasoras em meio ao aumento da área plantada.

    2,4-D

    • Tipo: herbicida
    • Uso: amplamente aplicado em combinação com o glifosato para superar resistências de plantas daninhas, como buva e capim-amargoso. Destaca-se nas culturas de soja e milho.

    Mancozebe

    • Tipo: fungicida
    • Uso: proteção contra doenças fúngicas, como a ferrugem asiática da soja. Sua aplicação cresceu 15% em volume em 2024, impulsionada por condições climáticas favoráveis a patógenos.

    Acefato

    • Tipo: inseticida
    • Uso: controla pragas como percevejos e lagartas na soja e algodão. Mantém-se entre os mais vendidos devido à eficácia e custo acessível, despite preocupações regulatórias.

    Atrazina

    • Tipo: herbicida
    • Uso: utilizado principalmente nas culturas de milho e cana-de-açúcar, com ação residual no solo. Segue em alta devido à expansão do milho segunda safra.

    Distribuição por categorias e culturas

    Em 2024, os herbicidas lideraram o mercado, representando 45% do volume total, seguidos por inseticidas (23%) e fungicidas (23%). A soja foi a cultura que mais demandou defensivos, com 56% da área tratada, seguida por milho (16%) e algodão (8%). Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 28% das vendas, reforçando a vocação agrícola do Centro-Oeste.

    Essas são as tendências para 2025:

    • Crescimento moderado: projeta-se um aumento de 3% a 6% na área tratada, ultrapassando 2 bilhões de hectares. A soja deve manter sua dominância, com 55% do total.
    • Queda de preços: espera-se que a valorização do real e os estoques elevados pressionem os preços, reduzindo o valor de mercado.
    • Expansão de biológicos: os bioinsumos devem crescer 13% em 2025, impulsionados por demandas por sustentabilidade 11. Em 2024, esse mercado já movimentou R$ 5 bilhões.
    • Desafios fitossanitários: pragas como cigarrinha-do-milho, mosca-branca e lagartas continuarão a demandar aplicações intensivas, especialmente na soja e milho.

    Apesar do recorde em área tratada, o valor financeiro do mercado recuou para US$ 18 bilhões em 2024. Esse paradoxo reflete a concorrência internacional, com aumento das importações – especialmente da Europa – e a desvalorização do dólar. Além disso, o crescimento dos biodefensivos sinaliza uma transição gradual para modelos mais sustentáveis, alinhados às exigências globais.

    O panorama dos defensivos agrícolas no Brasil evidencia a dependência de produtos tradicionais, como glifosato e 2,4-D, mas também aponta para inovações em bioinsumos. Para os produtores, o desafio será equilibrar eficiência produtiva com sustentabilidade, enquanto o mercado se adapta a novas realidades econômicas e ambientais