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  • Conheça a Capital Nacional do Açafrão

    Conheça a Capital Nacional do Açafrão

    O Governo Federal sancionou a Lei 15.464/26, que confere ao município de Mara Rosa, no norte de Goiás, o título de Capital Nacional do Açafrão. O Diário Oficial da União publicou a norma na última sexta-feira (10), oficializando em âmbito federal o que produtores da região já reivindicavam havia anos: o reconhecimento de Mara Rosa como o principal polo brasileiro de cultivo da especiaria.

    Foto aérea de Mara Rosa
    Foto: Reprodução/ manaimempreendimentos.com.br

    A lei tem origem no Projeto de Lei 2522/21, apresentado pelo então deputado federal João Campos (GO), hoje vice-prefeito de Aparecida de Goiânia. A Câmara dos Deputados aprovou a proposta e a encaminhou ao Senado Federal, onde a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) analisou o texto. O senador Wilder Morais (PL-GO) relatou a matéria e apresentou parecer favorável, destacando o vínculo histórico, cultural e socioeconômico entre a cidade e o cultivo da Curcuma longa, nome científico do açafrão-da-terra.

    Ao justificar a proposta original, João Campos citou números que evidenciam a força da cultura na região. Mara Rosa respondia, à época, por cerca de 90% da produção goiana de açafrão e por aproximadamente 30% de toda a produção nacional.

    Mara Rosa concentra a maior produção de açafrão do país

    Localizada na microrregião de Porangatu, entre as bacias dos rios Araguaia e Tocantins, Mara Rosa tem população estimada em cerca de 10 mil habitantes. O clima tropical úmido da região, com estação chuvosa entre outubro e abril e período seco de abril a outubro, cria condições ideais tanto para o desenvolvimento da planta quanto para a secagem do produto colhido.

    Ex-deputado João Campos
    Ex-deputado João Campos foi o autor do projeto que originou a lei. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    O município cultiva atualmente cerca de 250 hectares de açafrão e produz em torno de 5 mil toneladas por ano. A cadeia produtiva envolve mais de 300 famílias, muitas organizadas em cooperativas, caso da Cooperativa dos Produtores de Açafrão de Mara Rosa (Cooperaçafrão), fundada em 2003. Ela gera mais de 3 mil empregos diretos e indiretos. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) já havia concedido à região o selo de Indicação Geográfica (IG), que certifica a origem e a qualidade do produto e também abrange os municípios vizinhos de Amaralina, Alto Horizonte, Estrela do Norte e Formoso.

    A relação entre Mara Rosa e o açafrão começou ainda no século XVI, quando bandeirantes usavam a planta para marcar trilhas até as minas e temperar alimentos. As primeiras sementes e mudas se incorporaram à vegetação nativa do cerrado goiano. E ao longo dos séculos, garimpeiros e escravos ampliaram o cultivo na região, hoje descrita por produtores locais como “o ouro do cerrado goiano”.

    O que é o açafrão-da-terra e para que serve

    Apesar do nome popular, o açafrão cultivado em Mara Rosa não é a espécie de origem europeia (Crocus sativus), e sim o açafrão-da-terra. Ele também é chamado de cúrcuma, açafrão-da-índia ou gengibre amarelo, uma raiz da família Zingiberaceae, nativa da Índia e cientificamente classificada como Curcuma longa. A indústria alimentícia utiliza a raiz, seca e moída em pó, como tempero, corante natural e ingrediente de mostardas, massas, molhos e margarinas. O produto também ganha espaço crescente nas indústrias farmacêutica e cosmética, impulsionado por pesquisas sobre suas propriedades funcionais.

    Flor do açafrão
    Flor Crocus sativus, de onde vem o açafrão. Foto: Redes Sociais

    Em Goiás, o açafrão já integra o cardápio típico. Pratos como o tradicional “franguinho com açafrão” e festas populares, entre elas a Feira do Açafrão de Mara Rosa, consolidaram a especiaria como patrimônio cultural imaterial do estado. Um reconhecimento que a Assembleia Legislativa goiana já havia formalizado por lei estadual em 2022.

    Próximos passos para o setor

    Com o título nacional em vigor, produtores da região esperam ganhos de visibilidade e novos incentivos para a cadeia produtiva, que hoje direciona a maior parte da produção ao mercado interno, mas já exporta volumes menores para países como Índia e Israel.

    Assim, a expectativa de lideranças locais é que o reconhecimento federal amplie investimentos em infraestrutura, beneficiamento e comercialização do açafrão goiano.

  • Vale ouro: conheça a especiaria mais cara do mundo

    Vale ouro: conheça a especiaria mais cara do mundo

    O açafrão, conhecido como o “ouro da gastronomia”, é a especiaria mais cara do mundo. Extraído do pistilo da flor Crocus sativus, o açafrão verdadeiro pode custar até R$ 70 mil o quilo, valor comparável ao do ouro. Para obter essa quantidade, são necessárias cerca de 250 mil flores, colhidas manualmente uma a uma, o que explica o preço elevado do produto.

    O açafrão verdadeiro é diferente do chamado “açafrão-da-terra” ou cúrcuma, comum no Brasil. O verdadeiro vem dos estigmas avermelhados da flor Crocus sativus, de origem asiática e cor violeta. Cada flor carrega três estigmas, que técnicos precisam extrair com todo cuidado. O processo de colheita é totalmente manual e ocorre entre outubro e novembro, tornando a produção limitada e exclusiva.

    Origem

    A origem do açafrão ainda gera dúvidas, mas estudos apontam que povos do Mediterrâneo domesticaram a planta há milhares de anos. Desde a Antiguidade, ele ganha destaque pelo sabor exótico, pelas propriedades medicinais e pela cor intensa, muito presente em receitas tradicionais e cerimônias culturais.

    Flor Crocus sativus, de onde vem a especiaria. Foto: Redes Sociais

    Além de seu uso na alta gastronomia, o açafrão é reconhecido por seus benefícios à saúde. Ele é fonte de antioxidantes, contribui para a melhora do humor, pode ajudar a reduzir sintomas da síndrome pré-menstrual e possui propriedades afrodisíacas. Uma colher de café cheia do produto contém apenas 14 calorias, mas oferece minerais como cálcio, magnésio, potássio e vitamina C.

    Por que o açafrão é tão caro?

    O valor do açafrão está diretamente ligado à sua produção trabalhosa e ao rendimento baixo. A secagem dos estigmas permite aproveitar só 25% do volume colhido. O cultivo demanda mão de obra intensiva e especializada, pois a colheita e a separação dos fios ocorrem de forma manual para assegurar a qualidade e o aroma únicos da especiaria.

    O açafrão aparece com frequência em pratos tradicionais da culinária mediterrânea, como a paella espanhola e o risoto italiano. No Brasil, porém, poucas pessoas utilizam o ingrediente, já que o preço alto e a dificuldade para encontrar o produto autêntico limitam seu consumo. Chefs renomados destacam o sabor e o perfume inconfundíveis da especiaria, que transforma receitas sofisticadas e valoriza qualquer preparo.

    Diferencie açafrão de cúrcuma

    É importante não confundir o açafrão verdadeiro com a cúrcuma, conhecida como açafrão-da-terra. Enquanto o verdadeiro é extraído do pistilo da flor Crocus sativus, a cúrcuma vem de uma raiz e é utilizada principalmente para colorir alimentos, mas possui sabor e propriedades diferentes.

    O açafrão segue como símbolo de luxo e tradição, sendo uma das especiarias mais desejadas e valorizadas do mundo. Seu alto valor, benefícios à saúde e sabor marcante fazem dele um ingrediente insubstituível na gastronomia internacional.

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