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  • Saiba como o acordo EUA-China abre oportunidades ao agronegócio brasileiro

    Saiba como o acordo EUA-China abre oportunidades ao agronegócio brasileiro

    O recente acordo entre Washington e Pequim, pelo qual a China se compromete a ampliar a compra de produtos agrícolas norte-americanos, pode abrir uma janela estratégica para o Brasil. Especialistas do setor avaliaram, na segunda-feira (18), que, à medida que os EUA concentram suas exportações no principal parceiro comercial brasileiro, o Brasil tende a ocupar os espaços deixados em outros mercados.

    Ainda que as estimativas sobre o impacto direto no agronegócio nacional sejam consideradas prematuras, a competitividade estrutural do país coloca o Brasil em posição favorável para avançar sobre novas frentes comerciais.

    Os números reforçam esse cenário: em 2025, o Brasil exportou US$ 55,22 bilhões em produtos agrícolas para a China, o equivalente a cerca de um terço de todas as vendas externas do setor. A soja liderou com folga, movimentando US$ 34,5 bilhões, enquanto a carne bovina somou US$ 9,82 bilhões.

    Além disso, a Stag International aponta que, se a Casa Branca confirmar compras adicionais chinesas de 25 milhões de toneladas métricas de soja norte-americana, o Brasil provavelmente redirecionará seus fluxos comerciais para suprir compradores fora da China. Com uma safra recorde projetada em mais de 180 milhões de toneladas para 2026, o país reúne condições concretas para sustentar essa expansão.

    Carne bovina: O Brasil pode ganhar até no mercado americano

    Por outro lado, o cenário também reserva uma oportunidade menos óbvia, e ainda mais relevante. Se os EUA direcionarem mais carne bovina à China para cumprir o acordo, o país norte-americano enfrentará uma oferta interna ainda mais apertada. Nesse contexto, o Brasil poderia ampliar suas exportações de carne justamente para os Estados Unidos.

    Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo, explica que a renovação das licenças de plantas norte-americanas pela China, confirmada pela alfândega chinesa após a cúpula Trump-Xi em Pequim, que reativou mais de 400 autorizações vencidas, pode reacender o interesse americano em reconquistar fatia no mercado chinês.

    Contudo, Mustefaga lembra que tanto os EUA quanto o Brasil operam sob cotas de exportação impostas pelas salvaguardas chinesas, o que deve conter qualquer expansão abrupta das vendas norte-americanas a Pequim e, portanto, manter abertas as oportunidades para o Brasil em ambas as direções.

  • China impulsiona exportação recorde de carne bovina do Brasil em meio a guerra comercial

    China impulsiona exportação recorde de carne bovina do Brasil em meio a guerra comercial

    As exportações brasileiras de carne bovina atingiram um volume recorde em setembro, impulsionadas principalmente por um salto de 38,3% nas vendas para a China. De acordo com a associação Abrafrigo, o país asiático comprou 187.340 toneladas no período, consolidando-se como o principal destino do produto.

    Esse crescimento faz parte de uma estratégia chinesa para diversificar suas fontes de proteína animal, reduzindo a dependência de produtos agrícolas dos Estados Unidos em meio à disputa comercial entre as duas potências.

    O desempenho robusto ocorre mesmo após os Estados Unidos, que eram o segundo maior mercado para a carne brasileira no ano, imporem uma tarifa adicional de 50% em agosto. Como reflexo direto dessa medida, as exportações para os americanos caíram 41% em setembro, somando US$ 102,9 milhões.

    A Abrafrigo destacou que a demanda global permitiu ao setor contornar os efeitos dessas barreiras. A entidade enfatizou a “resiliência e a capacidade de aproveitar novas oportunidades comerciais” como fatores-chave para o resultado positivo.

    Diversificação e recorde de receita

    A União Europeia emergiu como o novo segundo maior destino em setembro, com compras lideradas por Itália, Holanda e Espanha. As importações do bloco europeu totalizaram US$ 131,7 milhões, um crescimento de 106% frente a setembro do ano anterior.

    No total, considerando carne fresca, processada, miúdos e sebo, o Brasil exportou 373.867 toneladas em setembro. Esse volume gerou uma receita de US$ 1,92 bilhão, representando altas notáveis de 49% em valor e 17% em volume na comparação anual.

    O cenário confirma uma tendência de reshuffling no comércio global, realocando o fluxo de produtos brasileiros. O fenômeno, também observado no mercado de soja, mostra a capacidade do agronegócio do Brasil em se adaptar ao cenário internacional. A Abrafrigo informou que, este ano, 130 países aumentaram suas compras de carne bovina brasileira, enquanto apenas 48 as reduziram.

  • Exportações de carne bovina caem 6% em fevereiro

    Exportações de carne bovina caem 6% em fevereiro

    As exportações de carne bovina do Brasil somaram 217,11 mil toneladas em fevereiro, registrando queda de 6% na comparação anual. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (17) pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em dados do governo federal.

    Apesar da retração no volume embarcado, a receita aumentou, impulsionada pelo preço médio da tonelada exportada. Em geral, as vendas de carne in natura, processada e subprodutos renderam US$ 1,038 bilhão no mês, alta de 12,6% em relação a fevereiro do ano passado. Além disso, o valor médio da carne bovina exportada subiu de US$ 4.000 para US$ 4.782 por tonelada no período.

    No acumulado do primeiro bimestre de 2025, o Brasil exportou 456,14 mil toneladas de carne bovina, queda de 2% na comparação anual. A receita, no entanto, avançou 12%, totalizando US$ 2,066 bilhões.

    Principal destino da carne bovina brasileira, a China reduziu as importações em 5,3% no primeiro bimestre, somando 183,8 mil toneladas. Mesmo com a queda no volume, a receita com embarques ao país asiático cresceu 4,5%, atingindo US$ 895,9 milhões.

    Os Estados Unidos, segundo maior mercado da carne bovina brasileira, também diminuíram as compras. O volume importado caiu 12,1% no bimestre, para 78,2 mil toneladas. Ainda assim, a receita aumentou 10,9%, chegando a US$ 286,3 milhões.

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  • Entidades representativas do agro se reuniram com Ministro para balanço do setor

    Entidades representativas do agro se reuniram com Ministro para balanço do setor

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se reuniu nesta terça-feira (12) com cerca de 20 entidades representativas do setor agropecuário para apresentar um balanço das ações do Ministério da Agricultura (Mapa) no último ano e discutir as prioridades para 2025. O encontro teve como foco os resultados do segundo ano do governo Lula, especialmente em relação à abertura de novos mercados para os produtos brasileiros.

    Na abertura da reunião, Fávaro expressou sua gratidão pela presença das entidades e enfatizou a importância de ouvir as demandas e sugestões do setor. “Queremos receber as demandas, as críticas e as sugestões dos setores. Também é importante prestarmos contas sobre o trabalho do Mapa ao longo desses dois anos e mostrar os resultados alcançados”, afirmou.

    Entre as entidades presentes estavam representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa); Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg); Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec); Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo); Croplife Brasil; Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca); Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa); União Nacional do Etanol de Milho (Unem); Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos); Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus BR); Exportadores de Sucos Cítricos Ibiapaba Netto (diretor-executivo); Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia); Associação Brasileira do Agronegócio (Abag); Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé); Indústria Brasileira de Árvores (Ibá); Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA); Sociedade Rural Brasileira (SRB); Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

    Abertura de mercados

    Um dos principais destaques da reunião foi a abertura de 274 novos mercados em 61 destinos desde o início de 2023. Fávaro atribuiu esse recorde à boa relação diplomática e ao trabalho das equipes técnicas do Mapa, do Ministério das Relações Exteriores e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). “Nosso foco é ampliar as relações comerciais para a agropecuária brasileira, especialmente em um cenário de preços de commodities achatados”, ressaltou o ministro.

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    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, apresentou dados que evidenciam o crescimento econômico do agronegócio no Brasil, destacando que, apesar da queda nos preços médios de exportação de alguns produtos, o desempenho geral tem sido positivo. O setor agrícola representa quase metade das exportações totais brasileiras em 2024, com 49,3% do total.

    Novas secretarias e lei antidesmatamento

    Durante a reunião, Fávaro anunciou a possível criação de duas novas secretarias no Mapa: uma para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outra para Promoção Comercial dos Produtos do Agro. “Teremos o melhor Instituto Meteorológico da América Latina”, garantiu.

    Outro assunto debatido foi a carta enviada pelo Brasil à União Europeia pedindo a suspensão da Lei Antidesmatamento. Fávaro enfatizou que o Brasil possui um código florestal rigoroso e que é fundamental respeitar a soberania nacional.

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    O presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel, destacou a importância da interação entre o setor privado e o governo. “Essa interação faz com que tenhamos resultados para o Brasil”, afirmou.

    O presidente da Abiec, Jorge Camardelli, destacou o que ele chamou de excelência do processo comercial. “O Brasil é competitivo e tem oferta para o mundo. Nenhum player no mundo hoje ou nos próximos anos terá a produção que o Brasil tem para abastecer o mundo com qualidade proteica e principalmente com volume” afirmou.

    A reunião refletiu o compromisso do governo em fortalecer o agronegócio brasileiro e buscar soluções para os desafios enfrentados pelo setor.