Tag: Abitrigo

  • Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alertou para os efeitos da atual crise global sobre a cadeia do trigo no Brasil, que já enfrenta forte alta de custos e riscos de impacto nos preços da farinha e de derivados como pão, massas e biscoitos.

    Segundo a entidade, o agravamento das condições econômicas internacionais, impulsionado pelas consequências do conflito no Irã, vem elevando despesas em toda a cadeia de produção. A alta do petróleo impulsiona o preço do diesel e dos fretes, enquanto as cotações do trigo sobem no Brasil e no exterior. Somam-se a isso o encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais, criando um cenário de forte pressão sobre a indústria moageira.

    Além do contexto externo, o setor enfrenta fatores internos que agravam o cenário. A aplicação de alíquotas de PIS e COFINS sobre o trigo importado, com redução de benefícios fiscais, aumentou a carga tributária de produtos básicos, como a farinha de trigo. Essa mudança limita a capacidade da indústria de absorver custos e aumenta o risco de repasse parcial ao consumidor.

    Medidas pra evitar o pior cenário

    Mesmo diante desse quadro desafiador, a Abitrigo destaca que as empresas do setor têm buscado medidas de mitigação. Entre as ações estão a diversificação de origens de trigo e fornecedores, a otimização de estoques, o replanejamento logístico e o uso de instrumentos de gestão de risco de preços. A entidade também mantém diálogo constante com autoridades e formuladores de políticas públicas. Para também defender medidas que assegurem a competitividade do setor e a estabilidade do abastecimento.

    “Nosso compromisso é garantir o fornecimento estável da farinha de trigo. Que é essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de instabilidade global”, afirmou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

  • Produção de trigo na Argentina coloca qualidade do pão brasileiro em risco

    Produção de trigo na Argentina coloca qualidade do pão brasileiro em risco

    A Argentina se prepara para colher uma safra recorde de trigo de 24,5 milhões de toneladas na temporada 2025/26, assegurando o abastecimento para o Brasil, seu principal cliente. No entanto, a exuberante quantidade esconde uma preocupação que chegou aos ouvidos e olhos de representantes da indústria moageira brasileira: a queda na qualidade do grão.

    A projeção histórica, divulgada pela Bolsa de Comercio de Rosario, supera todos os recordes anteriores e coloca o país em posição de exportar cerca de 20 milhões de toneladas. Desse total, o Brasil, que deve importar aproximadamente 5 milhões de toneladas este ano, é o destino mais importante.

    “Temos grande otimismo com a comercialização externa, que dependerá da demanda do Brasil”, afirmou Bruno Ferrari, líder de análises econômicas da Bolsa de Rosario.

    Preocupação na prática: missão técnica confirma queda na qualidade

    O otimismo com o volume, porém, foi temperado pela realidade observada em campo. Entre os dias 18 e 20 de novembro, uma missão de representantes de moinhos brasileiros, o Giro Abitrigo – Argentina, percorreu lavouras, terminais portuários e reuniu-se com especialistas do setor na província de Santa Fé. A constatação foi unânime: a falta de segregação (separação por qualidade) na exportação e as condições climáticas devem resultar em um trigo de qualidade inferior.

    “O volume é muito alto, mas temos a expectativa de um grão inferior. Para o Brasil, isso significa que os moinhos precisarão estar atentos e buscar soluções para garantir a qualidade ao cliente final”, alertou Eduardo Assêncio, superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

    Impacto para a indústria brasileira e busca por soluções

    O cenário coloca os moinhos nacionais em estado de atenção. A Argentina é um fornecedor estratégico, responsável por grande parte do trigo importado pelo Brasil, especialmente no Nordeste, onde supre 85% do consumo.

    Para Fábio Augusto Lopes, diretor financeiro do Grande Moinho Cearense, que participou do Giro Abitrigo, a experiência foi essencial. “A troca de experiências e o contato direto com produtores ampliaram meu entendimento sobre o produto e suas especificidades técnicas. Isso é crucial para enfrentarmos os desafios da qualidade”, disse.

    Apesar das preocupações, há espaço para cautela. Um representante da ocrim notou que lotes recentes já mostram uma melhora, principalmente no teor de proteína. A competitividade de preços e o volume exportável da Argentina seguem como fatores atrativos inquestionáveis.

    Um ano de gestão estratégica

    O setor se vê diante de um paradoxo: uma oferta abundante e preços competitivos, porém com um desafio qualitativo. A missão técnica reforçou a necessidade de estratégias de gestão e negociação mais apuradas para a próxima temporada.

    “Finalizamos o Giro Abitrigo com um saldo muito positivo. O grupo pôde conhecer as condições da safra, o que possibilita uma melhor programação para a chegada dos lotes. Esse é o objetivo: oferecer conhecimento para que o negócio do trigo no Brasil siga crescendo em lucratividade e qualidade”, finalizou Eduardo Assêncio, da Abitrigo.

    A safra recorde argentina chega, portanto, como uma boa notícia que exige cuidado, transformando 2026 em um ano de teste para a resiliência e a expertise da indústria de moagem brasileira.

  • Moagem de trigo no Brasil cresce 3% em 2024

    Moagem de trigo no Brasil cresce 3% em 2024

    A moagem de trigo no Brasil registrou crescimento de 3% em 2024, atingindo 13,19 milhões de toneladas processadas nas 150 indústrias do setor, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). O aumento de 380 mil toneladas em relação a 2023 reforça a importância do cereal para a segurança alimentar do país, mesmo diante de desafios econômicos e logísticos.

    Principais destaques do setor em 2024:

    • Panificação lidera consumo (30% da farinha produzida)
    • Indústria de massas e biscoitos respondem por 27,3% da demanda
    • Norte e Nordeste dependem mais de trigo importado (quase 100% do processado)
    • Brasil ainda importa cerca de 50% do trigo consumido

    Crescimento acima da média populacional

    O presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, destacou que o aumento na moagem superou o crescimento populacional, indicando maior adoção de produtos à base de trigo na alimentação dos brasileiros.

    Foto: divulgação Abitrigo

    “Os números reforçam a resiliência do setor e sua relevância para a economia. Precisamos avançar em políticas que reduzam a dependência de importações e fortaleçam a produção nacional”, afirmou Barbosa.

    Desafios: importações e infraestrutura de armazenagem

    A pesquisa revelou que as Regiões Norte e Nordeste são as mais dependentes de trigo importado, principalmente da Argentina e Paraguai.

    A falta de silos e estoques estratégicos ainda é um gargalo, levando à exportação precoce na safra e necessidade de importação posterior.

    Barbosa defendeu linhas de financiamento para expansão da armazenagem, evitando perdas e garantindo abastecimento estável.

    Oportunidades para o setor

    • Aumento da produção nacional em regiões com alta demanda
    • Melhoria logística para escoamento e distribuição
    • Incentivos à industrialização em estados com menor acesso ao trigo brasileiro

    Por que esses números importam? O trigo é essencial para alimentos básicos, como pães, massas e biscoitos.

    A redução da dependência externa pode trazer mais estabilidade de preços. E investimentos em armazenagem e produção podem gerar empregos e impulsionar o agronegócio.

    Leia mais:

     

    + Agro em Campo: Nova uva branca sem sementes reduz em 50% custos no Semiárido
    + Agro em Campo: Governo Federal libera R$ 179 milhões para seguro rural