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  • Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Mais de um terço das mercadorias brasileiras continua sob tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos, mesmo após a retirada de taxas sobre café, carne bovina e frutas há um mês. Produtores de mel, pescados, máquinas e calçados enfrentam riscos crescentes aos negócios e alertam para perdas de competitividade no mercado americano.

    O setor de pescados enfrenta um cenário de encolhimento, segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescado). A entidade estima que o Brasil perdeu cerca de US$ 250 milhões em exportações de pescados aos Estados Unidos em 2025, após perder competitividade para países não tarifados.

    A situação é especialmente crítica para a tilápia. No início de 2025, até 99% da tilápia brasileira tinha como destino os Estados Unidos. Com as tarifas, a PeixeBR (Associação Brasileira da Piscicultura) projeta que esse percentual pode cair praticamente a zero.

    As mercadorias redirecionadas para o mercado interno e outros países encontram preços mais baixos, o que compromete a rentabilidade do setor.

    Calçados e máquinas projetam milhares de demissões

    A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) alerta que a permanência das tarifas pode gerar até 8 mil demissões em 2026. O setor já registrou 1.650 demissões em outubro devido à taxação. Nos últimos quatro meses, o volume de exportações de calçados brasileiros aos EUA caiu 23,4%.

    O setor de máquinas também sofre impacto significativo. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) destaca que as tarifas geraram demissões em diversas empresas. A participação do Brasil no mercado americano despencou de 27% para 13%.

    A associação adverte que novos mercados não conseguem absorver o volume de vendas e as mesmas condições comerciais dos EUA no curto prazo. A demora no corte de impostos pode gerar substituição permanente dos produtos brasileiros por concorrentes estrangeiros.

    Pequenos produtores de mel enfrentam ameaça ao sustento

    A guerra comercial compromete principalmente pequenos produtores e agricultores familiares, que representam a maioria dos produtores de mel no Brasil. A Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) ressalta que 53% do mel produzido no país tem como destino os Estados Unidos.

    A entidade pede que o governo solucione a taxação por meio de diplomacia estratégica, alertando para os riscos à cadeia produtiva.

    Café solúvel perde liderança no mercado americano

    A Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) aponta “risco de perda permanente de mercado”. Os EUA são o principal destino do café solúvel brasileiro, mas as vendas ao país caíram 52% em volume desde agosto, quando começou a taxação.

    Em outubro, a Rússia assumiu o lugar dos EUA como principal destino do café solúvel brasileiro. No entanto, o mercado russo não absorve a mesma demanda americana.

    Tarifaço teve redução parcial há um mês

    Trump anunciou a retirada de tarifas sobre café, carne bovina, frutas, suco de laranja, cacau e madeira em novembro, após meses de negociações com o governo brasileiro. O tarifaço havia atingido mais de 200 produtos.

    Atualmente, 36,5% dos produtos brasileiros seguem taxados, segundo a Câmara de Comércio Brasil-EUA. Máquinas, calçados, roupas, pescados, mel e café solúvel estão entre os itens que mantêm a sobretaxa de 40%.

    Brasil diversifica mercados e registra crescimento nas exportações

    O total de exportações agrícolas do Brasil cresceu 1,7% entre janeiro e novembro de 2025, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). As vendas aos EUA caíram 38% entre agosto e novembro, em comparação ao mesmo período de 2024.

    Carla Beni, economista da FGV, avalia que o impacto negativo das tarifas foi muito menor do que o esperado. A situação obrigou o Brasil a diversificar mercados, o que pode aquecer a economia do país.

    “Quanto mais parceiros comerciais, melhor”, afirma Beni. A maior presença de produtos brasileiros em novos mercados, como a Europa, pode facilitar novos acordos comerciais, como o esperado entre União Europeia e Mercosul.

    Café prevê retomada de vendas em 2026

    O CNC (Conselho Nacional do Café) projeta que a queda de 30% nas exportações aos EUA deve ser retomada no ano que vem. O otimismo se baseia na queda dos impostos e nos baixos estoques no país norte-americano.

    Silas Brasileiro, presidente do CNC, explica que o café não tem validade curta, o que permitiu que produtores estocassem parte das sacas até a solução do problema. Ele destaca que a diversificação de destinos muda para sempre a dinâmica setorial e reduz a dependência futura dos Estados Unidos.

    Setor de carnes mostra resiliência e redireciona vendas

    A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) já registra retomada de vendas após a queda de tarifas. O setor tinha grande presença em muitos países antes das taxações.

    Para evitar 50% de impostos sobre mercadorias nos EUA, 60 mil toneladas foram rapidamente redirecionadas para mais de 160 destinos, incluindo Ásia, Europa, Chile e Rússia.

    A troca de compradores apertou o lucro, mas o setor mostrou resiliência. “De janeiro a novembro já exportamos 244,5 mil toneladas e US$ 1,4 bilhão para os EUA, superando todo o resultado de 2024”, destaca Roberto Perosa, presidente da Abiec. O setor espera recuperação total do volume de vendas de 2024 durante 2026.

    Tarifas elevam preços nos EUA

    Ulisses Ruiz de Gamboa, professor de Economia do Insper, explica que a taxação de produtos estrangeiros aumentou preços de itens do cotidiano dos americanos, como café, hambúrguer e suco de laranja.

    O professor ressalta que a maioria dos exportadores brasileiros conseguiu encontrar alternativas. O maior impacto no Brasil ficou localizado em setores específicos que tinham exportação dependente dos EUA.

  • Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Após tarifaço, Trump recua e baixa impostos sobre alimentos importados

    Donald Trump assinou uma canetada que pode mudar o rumo do comércio agrícola entre Estados Unidos e Brasil. Nesta sexta (14), o presidente americano anunciou a redução das tarifas sobre carne bovina, café, tomate e banana. O gesto mira a inflação que corrói o bolso do consumidor americano, e abre espaço para os exportadores brasileiros respirarem aliviados.

    A medida vem após semanas de pressão sobre o governo, especialmente depois do tarifaço que elevou os preços dos alimentos nos EUA. O texto da Casa Branca, publicado de madrugada, tem efeito retroativo: vale desde as 2h01 desta quinta (13), horário de Brasília. Um raro recuo de Trump em meio à sua cruzada por “déficits comerciais justos”.

    O Brasil surge entre os maiores beneficiados. Maior produtor global de café e segundo maior exportador de carne bovina, o país vinha sofrendo com sobretaxas de até 50%. Desde agosto, as vendas de café para o mercado americano desabaram, com uma queda de 54,4% em outubro, segundo o Cecafé. E o consumidor americano sentiu o golpe: o produto acumula alta de 20% no preço médio, conforme dados oficiais de inflação (CPI).

    Ainda pairam dúvidas sobre o alcance do decreto. A nova ordem de Trump não cita diretamente a sobretaxa de 40% contra o Brasil. Especialistas avaliam que o alívio pode se aplicar apenas às tarifas de 10% impostas em abril. “Seguimos estudando o texto”, disseram analistas ouvidos pela reportagem.

    Reações

    Nos bastidores, o clima é de observação. A Abiec classificou a decisão como “muito positiva”, destacando que ela reforça a confiança no diálogo técnico entre os países. “A carne brasileira é reconhecida pela qualidade e regularidade. Essa medida é um passo na direção certa”, afirmou a entidade em nota.

    Enquanto isso, Washington costura acordos pela América Latina. Na quinta (13), Trump anunciou negociações avançadas com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala — todos sem citar o Brasil. As conversas incluem promessas de abrir mercados e travar impostos sobre serviços digitais.

    A Casa Branca, contudo, deixou claro: as tarifas gerais de 10% e 15% para esses países continuarão, mas alguns produtos terão exceções. Fica claro que Trump tenta calibrar a balança e conter a inflação doméstica sem perder a retórica protecionista que mobiliza sua base.

    Em Brasília, o Itamaraty se move. O chanceler Mauro Vieira se encontrou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em busca de uma trégua. O Brasil propôs suspender temporariamente as sobretaxas de 40% e negociar caso a caso. Nenhuma resposta oficial até o fim da noite.

    O jogo comercial segue em aberto. Trump ensaia um recuo tático. O Brasil observa e espera.

  • Setor frigorífico brasileiro expande atuação na China

    Setor frigorífico brasileiro expande atuação na China

    O setor frigorífico brasileiro intensifica sua presença no mercado asiático com uma agenda estratégica de eventos na China durante novembro. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizaram neste domingo (2/11) a terceira edição do projeto The Beef and Road: Bridging the Brazil–China Beef Routes, em Zhengzhou, capital da província de Henan.

    As ações ocorrem enquanto o setor aguarda possível flexibilização das tarifas americanas, após encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Mesmo assim, exportadores brasileiros mantêm foco na prospecção de novos mercados e na consolidação de parcerias em outros continentes.

    Projeto Brazilian Beef completa 20 anos com crescimento de 500%

    O projeto setorial Brazilian Beef, iniciado em 2001 pela parceria entre ApexBrasil e Abiec, fortalece a imagem da carne bovina brasileira no exterior. Em duas décadas, a iniciativa firmou dez projetos, investiu mais de R$ 60 milhões e impulsionou um crescimento superior a 500% nas exportações.

    A atual edição do evento dá continuidade às ações de promoção do setor e busca ampliar as atividades comerciais para além dos grandes centros urbanos como Pequim e Xangai. Cerca de 100 empresários chineses e 40 brasileiros, todos associados da Abiec, participam do encontro, que também conta com autoridades locais e representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    O evento inclui rodadas de negócios, apresentações culturais e o tradicional Brazilian Beef Dinner, que serve cortes selecionados harmonizados com vinhos brasileiros.

    Foto: Divulgação ABIEC

    “Os chineses estão conhecendo com mais detalhes o sabor da carne bovina brasileira. Estamos promovendo o encontro direto entre quem compra e quem vende”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec. “A parceria com a Apex reúne compradores e vendedores no mesmo espaço, e os negócios acontecem.”

    Zhengzhou consolida posição estratégica para distribuição na China

    Com população superior a 12 milhões de habitantes, Zhengzhou atua como um dos principais centros logísticos e de consumo da China. A cidade conecta o comércio entre o leste e o interior do país e reafirma sua importância estratégica para a consolidação do Brazilian Beef no mercado asiático.

    Outras edições do projeto ocorreram em Hangzhou, capital da província de Zhejiang, e em Nanjing, fortalecendo a estratégia de expansão regional e diversificação dos canais de distribuição. A Abiec também participa da China–LAC Business Summit em Zhengzhou, fórum que reúne representantes de governos e empresários da América Latina e do Caribe com autoridades e investidores chineses.

    Brasil domina 50% das importações chinesas de carne bovina

    O Brasil mantém posição de maior fornecedor mundial de carne bovina à China. Atualmente, 67 plantas frigoríficas (SIFs) e 31 empresas associadas à Abiec possuem habilitação para exportar ao mercado chinês.

    Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil exportou 1,15 milhão de toneladas de carne bovina para a China, com faturamento de US$ 6,06 bilhões. Os números representam altas de 38,7% em volume e 75,8% em valor em relação ao mesmo período de 2024.

    A China responde, neste ano, por 48,8% da receita total das exportações brasileiras de carne bovina e 47,3% do volume embarcado. O país asiático consolida-se, pelo quinto ano consecutivo, como principal destino do produto brasileiro, muito à frente dos Estados Unidos (10,4%) e do México (4,1%). As tarifas americanas reforçaram esse panorama.

    Setor participa da maior feira de importação do mundo

    Após o evento em Zhengzhou, a Abiec participa, entre 5 e 10 de novembro, da China International Import Expo (CIIE) 2025, em Xangai. A feira figura entre as maiores do mundo em importação.

    A participação ocorre em parceria com ApexBrasil, Mapa, Embaixada do Brasil em Pequim e Consulado-Geral do Brasil em Xangai. Os expositores da Abiec ocupam o Pavilhão das Empresas, que oferece o tradicional churrasco brasileiro assinado pelo Barbacoa, uma das atrações mais procuradas pelos visitantes.

    O governo chinês organiza a CIIE por meio do Ministério do Comércio (Mofcom). Reconhecida como a primeira feira nacional de importação do mundo, a CIIE reúne mais de 3.500 expositores e centenas de milhares de visitantes. Desde sua criação em 2018, o evento recebeu mais de 3.400 empresas de 128 países e cerca de 800 mil visitantes.

    Novos mercados abrem portas à proteína brasileira

    O setor intensifica esforços de divulgação no exterior em ano particularmente desafiador devido às tarifas americanas. Mesmo antes da crise, mercados importantes vinham abrindo portas à proteína animal brasileira, como Japão e Vietnã.

    A comitiva presidencial visitou esses países em março, acompanhada por empresários e representantes da pecuária, incluindo associados da Abiec. Ambos os países enviaram missões técnicas ao Brasil nos últimos meses e já negociam os primeiros embarques. As Filipinas, que receberam etapas do projeto Brazilian Beef, consolidaram suas parcerias comerciais.

    Sudeste Asiático expande importações de carne brasileira

    Em outubro, a passagem da comitiva presidencial por Malásia e Indonésia coincidiu com fóruns empresariais nos dois países. A Abiec participou das agendas com autoridades locais e brasileiras, promovendo encontros e diálogos com importadores.

    Entre janeiro e setembro de 2025, o comércio de carne bovina brasileira com Indonésia e Malásia apresentou forte expansão, consolidando ambos os países como mercados estratégicos no Sudeste Asiático.

    A passagem da comitiva por Indonésia e Malásia foi produtiva, proporcionando diálogo com autoridades e produtores locais. Agora, as próximas etapas serão na China, principal comprador da carne bovina brasileira. Foto: Divulgação ABIEC

    O Brasil exportou US$ 76 milhões e 17 mil toneladas para a Indonésia, alta expressiva em relação a 2024. O país posiciona-se como terceiro principal fornecedor, após Austrália e Índia. Para a Malásia, as exportações brasileiras somaram US$ 46 milhões e mais de 15 mil toneladas até setembro, crescimento de 32% em valor e 15% em volume sobre o mesmo período do ano anterior.

    Ambos os mercados reconhecem o Brasil como fornecedor de carne bovina halal, segura e competitiva. O avanço das habilitações e protocolos sanitários amplia o acesso a novos produtos e oportunidades comerciais na região.

    O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos ocorreu justamente na Malásia, em meio à crise tarifária. O diálogo aumentou as expectativas de flexibilização das barreiras tarifárias americanas, o que traria alívio a segmentos impactados como o da carne. Enquanto isso, os esforços de divulgação e fechamento de negócios continuam, seguindo o sucesso da participação brasileira na Anuga 2025, maior feira de alimentos do mundo, realizada recentemente na Alemanha.

  • Brasil amplia exportações de carne bovina mirando Japão e Vietnã; tarifas dos EUA têm impacto limitado

    Brasil amplia exportações de carne bovina mirando Japão e Vietnã; tarifas dos EUA têm impacto limitado

    O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, mantém trajetória de crescimento nas exportações, impulsionado pela busca de novos mercados estratégicos como Japão e Vietnã. Em 2024, o país registrou exportações recordes de 2,8 milhões de toneladas. E faturou mais de US$ 12,8 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Para 2025, as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que as exportações brasileiras podem chegar a até 3,7 milhões de toneladas. Refletindo uma expansão superior a 4% em relação ao ano anterior.

    Impacto das tarifas dos EUA e competitividade brasileira

    Apesar da imposição de uma tarifa de 10% pelo governo dos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira, especialistas em comércio exterior avaliam que o impacto será limitado. Rogério Marin, CEO da Tek Trade, destaca que a forte demanda interna americana e a competitividade de preço e volume do Brasil devem sustentar o crescimento das exportações. Em 2024, os EUA importaram 229 mil toneladas da carne brasileira, número que cresceu em 2025, mesmo diante das medidas protecionistas.

    Marin explica que as tarifas refletem uma escalada protecionista. Mas que o mercado norte-americano importa principalmente para suprir demandas específicas, como carne magra para hambúrgueres. Isso é o que mantém a relevância do Brasil como fornecedor. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar e a retração da concorrência de países como Austrália e Nova Zelândia fortalecem a posição brasileira.

    Novos mercados estratégicos: Japão e Vietnã

    Para diversificar e reduzir a dependência da China — principal destino da carne bovina brasileira — o Brasil tem firmado acordos comerciais com países asiáticos como Japão e Vietnã. O Japão, conhecido por suas rigorosas exigências sanitárias e pela demanda por produtos premium, representa uma oportunidade de alto valor agregado. Já o Vietnã, com uma classe média em crescimento, surge como mercado promissor para cortes de maior qualidade.

    Essa estratégia de diversificação visa mitigar riscos associados a restrições comerciais e oscilações em mercados únicos, exigindo avanços em rastreabilidade, certificação e qualidade da carne exportada. O potencial de retorno para as empresas brasileiras é elevado, conforme avaliação de especialistas.

    Desempenho recente e perspectivas para 2025

    No primeiro trimestre de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina cresceram 12% em volume. Assim,  gerando receita de US$ 3,2 bilhões, com destaque para a valorização dos preços no mercado externo, que atingiu média de US$ 4,78 por quilo exportado. Estados como São Paulo, Mato Grosso e Goiás lideram as exportações nacionais, que abrangem mais de 150 países.

    Além da China e dos EUA, outros mercados importantes incluem Emirados Árabes Unidos, Chile e Hong Kong. Esses países, juntos, representam uma parcela significativa da receita do setor, estimada em mais de US$ 8 bilhões.

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  • Mato Grosso registra aumento nas exportações de carnes no 1º trimestre

    Mato Grosso registra aumento nas exportações de carnes no 1º trimestre

    No primeiro trimestre de 2025, Mato Grosso consolidou sua posição como um dos principais exportadores de carnes do Brasil. As exportações de carne bovina, suína e de aves do estado apresentaram um crescimento significativo tanto em volume quanto em faturamento, impulsionadas por uma estratégia de diversificação de mercados e investimentos em sanidade e logística.

    O volume de carnes exportadas aumentou 8,58%, passando de 157,2 mil toneladas no primeiro trimestre de 2024 para 170,7 mil toneladas em 2025. O faturamento saltou 19,3%, de US$ 604,9 milhões para US$ 721,7 milhões no mesmo período.

    Os principais destinos das exportações foram China, Estados Unidos, Chile, Rússia e Itália.

    Carne bovina: destaque nacional

    A carne bovina foi o destaque, com 137 mil toneladas exportadas, gerando US$ 654,7 milhões. Isso representou 20,5% de todas as exportações brasileiras de carne bovina, colocando Mato Grosso em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo.

    As exportações de carne suína cresceram 32%, com 7,8 mil toneladas embarcadas, resultando em US$ 17,9 milhões. A China lidera as compras, seguida por Hong Kong, Filipinas, Vietnã e Singapura.

    Carne de aves: Mato Grosso exportou 25,2 mil toneladas de carne de aves, gerando US$ 49 milhões em receita. Isso representa um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando foram comercializadas 22,7 mil toneladas (US$ 40,6 milhões). Os principais destinos foram Arábia Saudita, China, Japão, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

    Análise do setor

    Para o presidente do Sindifrigo-MT, Paulo Bellincanta, os números refletem a eficiência e a consistência da cadeia da carne no estado. “Esse desempenho confirma a eficiência do nosso setor, que tem se destacado tanto pela qualidade quanto pela regularidade das exportações. A diversificação de mercados é um fator estratégico que garante estabilidade e perspectivas positivas”, avaliou.

    Além disso, a organização da cadeia produtiva e a valorização da carne brasileira no mercado global são fatores-chave para o sucesso das exportações. “Do campo à indústria, temos uma cadeia que se modernizou, investe em sanidade e logística, e que hoje compete de igual para igual com grandes players internacionais”, completou Bellincanta.

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destaca que apenas cerca de 30% da produção nacional é destinada ao mercado externo, preservando o abastecimento doméstico e gerando divisas importantes para o país.

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  • Abiec e governo buscam fim de embargo chinês à carne brasileira

    Abiec e governo buscam fim de embargo chinês à carne brasileira

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) negocia com o governo para reverter a suspensão das exportações de três frigoríficos para a China. A entidade atua em parceria com o Ministério da Agricultura para resolver a questão rapidamente.

    Abiec explica

    Apesar do embargo, os demais frigoríficos habilitados seguem exportando normalmente para o mercado chinês. Em nota, a Abiec reafirmou a confiança no controle sanitário do Brasil e garantiu que trabalha para responder às exigências da China com agilidade.

    A associação, no entanto, não detalhou os motivos do embargo nem informou um prazo para a retomada dos embarques dessas unidades.

    Investigação

    Em dezembro do ano passado, a Associação Chinesa de Agricultura Animal (CAAA) solicitou a investigação, alegando que o aumento significativo nas importações de carne bovina — que cresceram 64,93% entre 2019 e 2023 e mais do que dobraram (106,28%) no primeiro semestre de 2024 em relação ao mesmo período de 2019 — tem causado danos à indústria local. A participação das importações na produção total da China subiu para 43,87%, comparado a 24,87% em 2019, evidenciando a crescente dependência do país em relação à carne bovina importada. 

  • ApexBrasil: recorde de empresas brasileiras na Gulfood em Dubai

    ApexBrasil: recorde de empresas brasileiras na Gulfood em Dubai

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está coordenando a participação de uma delegação recorde de 113 empresas brasileiras na Gulfood. Esta é a maior feira de alimentos e bebidas do mundo árabe, que acontece de 17 a 21 de fevereiro em Dubai. A expectativa é que sejam gerados mais de US$ 3,2 bilhões em negócios durante a feira e em contratos futuros.

    A Gulfood atrai mais de 150 mil visitantes de 120 países e milhares de compradores, apresentando as principais tendências de mercado do setor e mobilizando formadores de opinião e mídia especializada. A inauguração oficial do pavilhão brasileiro acontecerá no dia 17 de fevereiro, com a presença do diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro.

    O Brasil, reconhecido por sua produção agrícola diversa e sustentável, busca fortalecer sua posição na Gulfood como um dos principais exportadores mundiais de alimentos e bebidas. Para facilitar a conexão entre compradores internacionais e empresas brasileiras, a ApexBrasil oferece a plataforma digital Buy Brazil. Ela permite encontrar produtos brasileiros de alta qualidade e fornecedores confiáveis, incluindo café, feijão, carne, amendoim, açaí, grãos, castanha e muito mais.

    Delegação abrange diversos setores

    Além das 67 empresas presentes nos quatro pavilhões brasileiros organizados pela ApexBrasil, outras 53 se juntarão à delegação em pavilhões organizados por projetos setoriais da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE).

    Durante a feira, os visitantes poderão degustar produtos brasileiros nos pavilhões, com drinks não alcoólicos, receitas locais com ingredientes nacionais e churrasco com carnes halal. Na edição de 2024, os pavilhões brasileiros organizados pela ApexBrasil contaram com a participação de 71 empresas. E geraram expectativas de negócios de US$ 1,9 bilhão.

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  • Brasil tem recorde nas exportações de carne bovina

    Brasil tem recorde nas exportações de carne bovina

    O Brasil alcançou um marco significativo em suas exportações de carne bovina em 2024, totalizando 2,89 milhões de toneladas enviadas ao exterior. Este volume representa um crescimento de mais de 26% em relação ao ano anterior, resultando em uma receita de US$ 12,8 bilhões, um aumento de 22% em comparação a 2023. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e foram compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

    Com recordes mensais consecutivos, o ano de 2024 se consagra como o maior para as exportações de carne bovina no Brasil. Esse desempenho coloca o setor como um dos principais responsáveis pelo superávit da balança comercial brasileira, que atingiu US$ 74,6 bilhões no mesmo período. A iniciativa Brazilian Beef, desenvolvida pela ApexBrasil e pela Abiec, impulsiona a promoção da carne bovina nacional no mercado internacional.

    Crescimento sustentável

    A China manteve sua posição como o principal destino da carne bovina brasileira, com 1,33 milhão de toneladas importadas, gerando um faturamento de US$ 6 bilhões. Outros mercados importantes incluem os Estados Unidos, que importaram 229 mil toneladas (US$ 1,35 bilhão), os Emirados Árabes Unidos (132 mil toneladas e US$ 604 milhões), a União Europeia (82,3 mil toneladas e US$ 602 milhões), o Chile (110 mil toneladas e US$ 533 milhões) e Hong Kong (116 mil toneladas e US$ 388 milhões).

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    Entre os 15 maiores destinos da carne bovina brasileira, todos apresentaram crescimento em relação a 2023. Os aumentos mais significativos foram observados na Argélia, México, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Estados Unidos, Rússia e Israel. Ao todo, as exportações do setor alcançaram 157 países ao longo do ano. Quando consideradas apenas as exportações de carne in natura—que representam mais de 90% do valor total—o Brasil enviou produtos para 132 mercados, um aumento significativo nos últimos dez anos.

    Expectativas para o Futuro

    Roberto Perosa, presidente da Abiec, comemorou os resultados e destacou que 2024 foi um ano histórico para a indústria da carne bovina no Brasil. Ele acredita que há potencial para novos recordes em exportações e faturamento em 2025. Perosa também mencionou a abertura de novos mercados como Japão, Vietnã, Turquia e Coreia do Sul como oportunidades futuras.

    O recorde nas exportações de carne bovina em 2024 reafirma a posição do Brasil como líder global no setor. Com uma combinação de esforços do setor privado e apoio governamental o país está preparado para continuar expandindo sua presença nos mercados internacionais. E desta forma, continuar fortalecendo sua economia agrícola.

  • Rastreabilidade individual de bovinos é avanço para a pecuária brasileira

    Rastreabilidade individual de bovinos é avanço para a pecuária brasileira

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou nesta terça-feira (17) o Plano Nacional de Rastreabilidade Individual de Bovinos e Bubalinos. Em resumo, a medida, desenvolvida em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e outras entidades, marca um importante avanço na defesa agropecuária e no controle de qualidade da carne brasileira.

    Mais segurança e novos mercados

    Segundo a Abiec, o novo sistema permitirá maior segurança alimentar e abrirá portas para novos mercados internacionais, além de fortalecer os atuais. Ou seja, o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, já vende para mais de 150 países e busca consolidar sua posição com a implementação do plano.

    Atualmente, a rastreabilidade no Brasil é feita por lotes, por meio da Guia de Trânsito Animal (GTA). Com o plano, tecnologias como bottons e brincos eletrônicos farão o controle individual de cada animal.

    “A rastreabilidade individual vai modernizar a pecuária, agilizar respostas a emergências sanitárias e proteger os mercados internacionais”, afirma Roberto Perosa, presidente executivo da Abiec. Ele ressalta que o sistema evitará prejuízos à cadeia produtiva e criará oportunidades comerciais importantes.

    Para os produtores, a rastreabilidade individual trará melhorias na gestão dos rebanhos e propriedades. “O cronograma gradual permitirá que o setor se adapte de forma tranquila às novas exigências”, acrescenta Perosa.

    Fernando Sampaio, diretor de Sustentabilidade da Abiec, destaca que houve consenso na construção do plano entre diferentes setores. Porém, ele alerta para a necessidade de apoiar os pequenos produtores. “Precisamos de esforços públicos e privados para garantir a eficiência do sistema e facilitar o registro de movimentações nos sistemas estaduais e nacional”, explica.

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    Três etapas

    O cronograma prevê três etapas: desenvolvimento do sistema nacional, integração com sistemas estaduais e identificação gradual dos rebanhos. Alguns estados, como Santa Catarina, já possuem rastreabilidade individual obrigatória. O Pará e São Paulo também estão em processo de implementação de seus sistemas.

    Abiec

    Criada em 1979, a Abiec reúne 43 empresas que representam 98% da carne bovina exportada pelo Brasil. Em resumo, o país produz cerca de 10 milhões de toneladas de carne bovina por ano, exportando 30% desse total para mercados que exigem os mais rigorosos padrões de qualidade.

  • Entidades sugerem boicote ao Carrefour e Atacadão no Brasil

    Entidades sugerem boicote ao Carrefour e Atacadão no Brasil

    Entidades do agronegócio e da indústria de alimentos no Brasil se uniram em uma nota de repúdio às declarações do CEO do Carrefour, Alexandre Bompard. Ele anunciou a decisão da rede de supermercados de não comercializar mais carnes provenientes do Mercosul nas lojas da França.

    O comunicado foi assinado por importantes organizações, incluindo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). E pode ser lida no final do site.

    A nota destaca o compromisso das entidades com uma produção agropecuária responsável e sustentável, ressaltando que os produtos brasileiros atendem aos padrões exigidos em mercados internacionais, incluindo Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, China e Japão. “Se o CEO do Carrefour acredita que o Mercosul não é fornecedor à altura do mercado francês, então não serve para abastecer o Carrefour em nenhum outro país”, afirmam as entidades na nota.

    Declaração polêmica

    Bompard fez sua declaração em resposta à insatisfação dos agricultores franceses em relação ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Em sua carta, ele expressou preocupação com a possibilidade de que produtos que não atendem aos requisitos europeus invadam o mercado francês. Além disso, o governo francês tem sido um forte opositor desse acordo, pressionado pelos produtores locais.

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    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, criticou a posição do Carrefour, considerando-a uma ação orquestrada contra o Brasil. Além disso, ele enfatizou que a agropecuária brasileira é comprometida com práticas sustentáveis e respeita as legislações internacionais. Fávaro também mencionou que essa atitude poderia prejudicar as relações comerciais entre o Brasil e o Carrefour.

    Enquanto isso, o Grupo Carrefour Brasil afirmou que suas operações no país não serão afetadas pela decisão anunciada na França. E garantiu que continuará a adquirir carne do Mercosul. A situação gerou reações no setor, com alguns líderes estaduais sugerindo boicotes à rede de supermercados em resposta à declaração de Bompard.

    Federação sugere boicote ao Carrefour e Atacadão

    A FHORESP (Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo) condena veementemente as declarações de Alexandre Bompard e a decisão do Carrefour, que, sob alegações infundadas e sem comprovação técnica, optaram por uma ação meramente protecionista. Essa postura não apenas desrespeita a qualidade das carnes brasileiras,reconhecidas globalmente por sua excelência. Além disso, prejudica toda a cadeia produtiva nacional, que é um pilar da economia do país.

    Convocamos o setor de Hospedagem e Alimentação a agir com reciprocidade! Nossa Federação representa mais de 500 mil empresas no estado de São Paulo e convocamos todas a deixarem de comprar nas redes Carrefour, Atacadão e Sam’s Clube, do Grupo Carrefour. Solicitamos o engajamento e a adesão nessa campanha de boicote, mostrando a força e a união do nosso setor em defesa da economia nacional e do respeito aos nossos produtos.

    Nota de repúdio do agronegócio do Brasil para o grupo Carrefour

    Em resposta às alegações do CEO Global da rede de supermercados Carrefour, Alexandre Bompard, as entidades abaixo assinadas manifestam o repúdio aos ataques proferidos contra a produção agropecuária no Mercosul. A produção de proteína do bloco econômico sulamericano chega a todos os países do mundo. Isso inclui os mercados mais exigentes, entre eles as maiores economias mundiais, como Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, China e Japão.

    Periodicamente as empresas são auditadas e certificadas por centenas de missões sanitárias internacionais e também por clientes que confirmam a segurança de alimentos do que vai para cada destino. Entre as certificações obtidas por empresas do Mercosul destacam-se as do BRC (British Retail Consortium), principal referência global em qualidade quando o assunto é produção de proteína.

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    O bloco é líder mundial em exportação de carne de frango e bovina e está entre os principais na suína. Foram necessárias décadas para que o Mercosul por inteiro avançasse em sua reputação internacional como produtor de carnes. Com responsabilidade, o setor na região foi o principal fornecedor para todos os mercados durante a maior crise global de saúde pública neste século, a pandemia do coronavírus em 2020 e 2021.

    Excelência da produção

    Tudo isso demonstra a excelência da produção na região, num comprometimento que as entidades e associações que representam os 29 milhões de trabalhadores no agronegócio no Brasil reforçam dia a dia com a segurança alimentar e a qualidade do que chega aos consumidores em todo o mundo.

    Portanto, se o CEO Global do Grupo Carrefour, Alexandre Bompard, entende que o Mercosul não é fornecedor à altura do mercado francês – que não é diferente do espanhol, belga, árabe, turco, italiano –, as entidades abaixo assinadas consideram que, se não serve para abastecer o Carrefour no mercado francês, não serve para abastecer o Carrefour em nenhum outro país.

    Assim sendo, reafirmamos o compromisso do setor com a produção responsável, sustentável e com a segurança alimentar.

    ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes)

    ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal)

    ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio)

    CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)

    SRB (Sociedade Rural Brasileira)

    FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

    Pelo visto, essa história ainda vai render, com descobramentos no mercado. Por outro lado, mostra a união do setor contra uma declaração no mínimo infeliz. Que essa união continue, portanto.