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  • Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    Exportação de café do Brasil reage em julho, mas faturamento recua

    O Brasil iniciou o ano-safra de café 2026/27 com sinais mistos no comércio exterior. Em julho, as exportações brasileiras de café avançaram 9,9%, totalizando o envio de 3,030 milhões de sacas de 60 kg ao exterior. No entanto, a queda nos preços globais reduziu a receita cambial do mês em 13,2%, que fechou em US$ 903,9 milhões contra o US$ 1,042 bilhão registrado no mesmo período do ciclo anterior.

    Apesar da reação mensal em julho, o balanço acumulado de janeiro a julho de 2026 ainda amarga uma retração. O país movimentou 20,897 milhões de sacas nos primeiros sete meses do ano, o que representa quedas de 5,9% em volume e de 13,1% em receita (faturando US$ 7,449 bilhões) quando comparado ao mesmo intervalo de 2025.

    O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, aponta o clima e os problemas de infraestrutura como os principais vilões desse ritmo lento. Chuvas atípicas em importantes regiões produtoras de café arábica atrasaram os trabalhos de colheita. Além disso, a falta de estrutura nos principais portos nacionais impede o embarque rápido das cargas, gerando prejuízos milionários para os exportadores devido a custos extras com armazenagem e taxas adicionais.

    A expectativa do setor é que os embarques ganhem força a partir da segunda quinzena de agosto, acompanhando o avanço da colheita do arábica. Como os produtores estão capitalizados pelas safras recentes, eles devem cadenciar as vendas, aproveitando os momentos de alta do mercado.

    Acordo histórico nos EUA deve reaquecer exportações

    Uma das grandes apostas para reverter a queda de receita é a recente vitória comercial nos Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro. Até julho de 2026, os americanos reduziram as importações do grão brasileiro em 30,5%, adquirindo 2,590 milhões de sacas.

    Para reverter esse cenário, uma articulação conjunta entre o Cecafé, a Abic, a Abics e a National Coffee Association (NCA) eliminou as tarifas que os EUA cobravam sobre o café brasileiro. A ausência desse imposto a partir deste mês deve reaquecer as vendas para o mercado americano.

    Conilon dispara e vira o destaque do ano

    O café arábica continua na liderança absoluta das exportações, somando 14,987 milhões de sacas (71,7% do total do setimestre). Isso mesmo enfrentando um recuo de 16,6% comparado ao ano anterior.

    O grande destaque do período, contudo, é o café canéfora (conilon e robusta). A variedade registrou um crescimento impressionante de 73,5% nas exportações de janeiro a julho, alcançando 3,387 milhões de sacas enviadas ao exterior (16,2% do mercado). O segmento do café solúvel respondeu por 11,9% do volume (2,486 milhões de sacas) e o café torrado por 0,2% (36.456 sacas).

    Os cafés diferenciados,que possuem qualidade superior ou certificados de sustentabilidade, representaram 16,7% do total exportado, rendendo US$ 1,468 bilhão. Os EUA também lideram as compras dessa categoria especial.

    Santos lidera o escoamento

    No ranking dos portos, o Porto de Santos mantém o favoritismo e concentra 70,9% de todo o café escoado pelo Brasil no período, somando 14,821 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro aparece na vice-liderança, respondendo por 24,7% das exportações (5,153 milhões de sacas), seguido pelo Porto de Paranaguá, com 1,1%.

    O Cecafé disponibiliza o relatório estatístico completo com os dados atualizados em seu site oficial.

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  • El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    El Niño ameaça reduzir safra recorde de café do Brasil

    O El Niño ameaça reduzir em até um quinto a safra recorde de café que o Brasil esperava colher neste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O calor excessivo e as chuvas irregulares já comprometem lavouras em diversas regiões produtoras do país.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção total de 66,7 milhões de sacas de 60 quilos de café arábica e canephora, categoria que inclui variedades como robusta e conilon. Mas a deterioração das condições climáticas durante o ciclo do El Niño pode derrubar drasticamente esse número, alerta o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva.

    “Estamos falando agora de uma perda de safra entre 15% e 20%, o que em um ano normal estaria dentro do esperado. Mas, no cenário atual, isso é uma notícia muito ruim”, afirmou Silva em entrevista.

    Produtores enfrentam o fenômeno com mais preparo

    Apesar do cenário desfavorável, os cafeicultores brasileiros chegam a este ciclo de El Niño mais preparados do que em episódios anteriores. Avanços tecnológicos tornaram a cultura mais resistente às variações climáticas, segundo Silva.

    “Fizemos avanços significativos e hoje conseguimos plantar e colher com mais eficiência”, destacou o executivo da Abic.

    Nos últimos anos, os produtores reforçaram a capacidade de mitigar riscos climáticos ao expandir rapidamente os sistemas de irrigação. O setor investiu fortemente nessa tecnologia para reduzir a dependência de chuvas cada vez mais irregulares. Um efeito direto das mudanças climáticas.

    Florada desuniforme preocupa cooperativas mineiras

    Ainda assim, especialistas esperam que o El Niño afete o ciclo biológico do café, especialmente durante o período de florada no segundo semestre de 2026. O calor excessivo e as chuvas irregulares podem provocar floradas desuniformes e mal-sucedidas.

    “A maturação irregular gera problemas de qualidade e torna a colheita mais desafiadora”, explicou Wellis Caixeta, gerente de compras de café da cooperativa Expocacer, em Minas Gerais.

    O precedente preocupa o setor. O El Niño de 2023/24, combinado a ondas de calor e chuvas irregulares, reduziu a safra brasileira de café de 2024: a estimativa inicial do governo, de 58,8 milhões de sacas, caiu para 54,2 milhões. Apesar do ciclo bienal positivo do arábica, a produção cresceu apenas 0,2%, enquanto a produtividade do conilon recuou 5,9%.

    O fenômeno já pode explicar algumas anomalias observadas neste ano, como as chuvas incomuns registradas no Sudeste do Brasil no último mês. A Expocacer estima que precipitações superiores a 50 milímetros nas regiões produtoras de arábica, cerca de 40 dias atrás, atrasaram a colheita e derrubaram uma quantidade significativa de frutos no chão, o que prejudicou a qualidade dos grãos.

    Espírito Santo teme prolongamento da seca até 2027

    O Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café canephora, também registrou clima irregular neste ano. Intervalos maiores entre chuvas se combinaram com precipitações mais curtas e intensas, segundo Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, maior cooperativa de canephora do país.

    Os produtores capixabas temem que o El Niño prolongue os períodos de seca e calor excessivo até janeiro de 2027, o que prejudicaria o enchimento dos grãos, afirmou Bastianello.

    A produção de conilon no estado já deve cair 15% neste ano por causa do ciclo bienal natural da cultura, que alterna entre anos de alta e baixa produtividade. Ainda assim, Bastianello considera cedo para prever o impacto real do El Niño em 2027.

    “O calor é o maior risco para perdas severas na safra. Acima de 27°C, o canephora reduz seu metabolismo, e a 35°C ele para completamente. Os danos muitas vezes superam os causados pela falta de água em si”, acrescentou o presidente da Cooabriel.

    Rondônia projeta safra recorde de robusta

    O cenário muda no Norte do Brasil, onde temperaturas e chuvas permaneceram, em grande parte, dentro dos padrões sazonais neste ano. Em Rondônia, os produtores projetam uma safra recorde de 3 milhões de sacas de 60 kg. Um volume que supera a previsão da Conab, de 2,77 milhões de sacas.

    O calor e a seca associados ao El Niño provavelmente não atingirão o robusta de Rondônia com a mesma intensidade que afeta as regiões produtoras de arábica, avaliou Juan Travain, presidente da associação estadual Caferon.

    “O café é altamente sensível às variações de temperatura, mas praticamente todas as lavouras de robusta são irrigadas, e algumas também utilizam sistemas de resfriamento com água. Muitas propriedades de arábica, por outro lado, ainda não possuem irrigação”, explicou Travain.

  • O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    O café bom vai todo para fora? Essa frase já foi verdade, mas o Brasil mudou completamente

    Se você cresceu no Brasil, provavelmente ouviu isso em casa: o café bom vai todo para exportação e o refugo fica para o brasileiro. Durante décadas, essa afirmação tinha fundamento. Nos anos 80, a ABIC revelou que cerca de 30% do café vendido no mercado interno era fraudado com milho torrado, cevada e cascas. O consumidor brasileiro tomava uma bebida amarga achando que era café puro. Na maioria das vezes, não era.

    O Brasil produz café desde o século XIX. Contudo, a lógica comercial era simples: os melhores grãos iam para exportação, e o mercado interno ficava com grãos defeituosos, quebrados e misturados com matérias estranhas. Não havia fiscalização efetiva nem selo de qualidade. Muitos brasileiros cresceram convictos de que café era naturalmente amargo e ruim. Afinal, nunca tinham provado o verdadeiro.

    O programa que virou o jogo

    A virada começou nos anos 90, quando a ABIC criou o Programa de Qualidade do Café. O objetivo era combater fraudes, estabelecer padrões mínimos de pureza e oferecer um selo que identificasse produtos genuínos. Torrefadoras que vendiam café adulterado foram obrigadas a se adaptar ou perder espaço no mercado. O índice de fraude caiu drasticamente, e o café que chegava à mesa do brasileiro começou a ser, de fato, café.

    Enquanto a qualidade básica melhorava, os cafés especiais brasileiros ganhavam força. Regiões como Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e Sul de Minas passaram a produzir grãos avaliados acima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association. Cafeterias de terceira onda se espalharam pelas capitais e o consumidor brasileiro passou a valorizar origem, altitude e perfil sensorial. O mesmo país que misturava milho no café do próprio povo agora disputa, em igualdade, com cafés da Etiópia, Colômbia e Guatemala.

    A frase que ficou presa no tempo

    A crença de que o melhor café vai todo para fora tem raízes reais, mas ficou presa nos anos 80 enquanto o mercado evoluiu. Hoje, o Brasil é simultaneamente o maior produtor e o segundo maior consumidor da bebida do mundo. Cafés especiais que antes eram exclusivos para exportação estão disponíveis em torrefadoras locais, supermercados e cafeterias em todo o país. A narrativa ainda circula, mas os dados não a sustentam mais.

    Nos anos 80, até 30% do café vendido tinha adulteração. Em 2026, o consumidor brasileiro acessa cafés especiais premiados internacionalmente, com rastreabilidade de origem e perfil sensorial definido. Essa transformação foi resultado de fiscalização, programas de qualidade e um consumidor que passou a exigir mais. O maior produtor de café do mundo aprendeu a beber de verdade, e a história continua sendo escrita a cada nova safra.

  • Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    As exportações de café do Brasil para os Estados Unidos sofreram uma queda abrupta de 46% em agosto de 2020. Impactadas diretamente pela tarifa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre o produto. Os dados, divulgados pelo Café (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), revelam uma significativa reconfiguração no fluxo comercial do grão.

    Enquanto as vendas para o maior consumidor mundial despencaram para 301 mil sacas de 60 kg (ante 562 mil em 2019), os países da América Latina emergiram como destinos em crescimento explosivo. As exportações para a Colômbia tiveram um aumento extraordinário de 578%, e para o México, a alta foi de 90%.

    A Alemanha manteve sua posição de liderança, se consolidando como o maior importador individual de café brasileiro no período, com a compra de 414.109 sacas, mesmo com uma ligeira contração no volume.

    Em nota, o presidente da Cecafe, Márcio Ferreira, atribuiu a turbulência diretamente às medidas tarifárias. “As tarifas perturbaram o mercado e abriram a porta para movimentos especulativos”, afirmou. Ferreira também descartou a possibilidade de o setor usar rotas de terceiros países, como México ou Colômbia, para burlar a tarifa e acessar o mercado americano, classificando a prática como de fácil detecção pelas autoridades dos EUA.

    Café solúvel e inflação em alerta

    O segmento de café solúvel foi um dos mais atingidos. De acordo com a ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), as exportações para os EUA desse produto caíram 59,9% em agosto.

    A escalada da tensão comercial preocupa entidades globais e nacionais. Tanto a Organização Internacional do Café (OIC) quanto a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já alertaram que as tarifas podem elevar os preços globais da commodity. Para o Brasil, que é o segundo maior consumidor do mundo, o aumento dos custos internacionais pode se refletir na inflação doméstica. Como destacou Celirio Inácio, da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). “O café está ficando mais caro… e isso contribuirá diretamente para a inflação aqui no Brasil”, projetou.

  • Cuidado: “café fake” aparece nos mercados

    Cuidado: “café fake” aparece nos mercados

    A comercialização de produtos conhecidos como “café fake” ou “cafake” tem gerado grande preocupação no setor cafeeiro brasileiro, especialmente em um momento de alta histórica nos preços do café verdadeiro. O café arábica, por exemplo, atingiu recentemente 3,8105 dólares por libra-peso na bolsa de Nova York, reflexo de uma frustração de safra no Brasil, maior produtor mundial do grão. Essa valorização tem levado ao aumento dos preços no varejo, tornando o café verdadeiro um produto cada vez mais caro para os consumidores.

    O que é o “café fake”?

    O “café fake” é um produto que imita o sabor do café, mas não contém o grão torrado e moído. Em vez disso, é produzido a partir de cascas, palha, folhas ou outras partes da planta de café, exceto a semente. Um exemplo recente foi identificado em Bauru, São Paulo: um produto chamado “Oficial do Brasil”, rotulado como “bebida sabor café tradicional”. Apesar da indicação na embalagem de que não se trata de café puro, o design semelhante ao das marcas tradicionais pode confundir os consumidores.

    O preço médio do “café fake” é significativamente inferior ao do café tradicional. Enquanto meio quilo do produto falsificado custa cerca de R$ 13,99, o mesmo peso do café verdadeiro chega a R$ 30 no varejo. Essa diferença atrai consumidores em busca de alternativas mais baratas, mas levanta preocupações sobre a qualidade e segurança alimentar desses produtos.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) classificou a prática como uma “clara tentativa de enganar o consumidor”. Segundo Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da entidade, a venda desses produtos vai contra os esforços da indústria para garantir a pureza e qualidade do café brasileiro. Além disso, há riscos à saúde dos consumidores devido à falta de regulamentação adequada. A Abic já denunciou o caso ao Ministério da Agricultura e à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

    Supermercados sob alerta

    A Abic também destacou que os supermercados têm responsabilidade sobre os produtos que comercializam. Segundo Silva, ao vender “cafakes”, os varejistas podem estar cometendo um crime ao oferecer produtos que burlam as normas regulatórias. A associação reforça que esses itens não deveriam estar disponíveis no mercado sem comprovação de segurança alimentar.

    Embora a prática não seja nova – produtos semelhantes foram identificados em 2022 –, a alta nos preços do café verdadeiro criou um terreno fértil para o retorno desses itens. A Abic lembra que iniciativas anteriores, como o selo de pureza lançado pela entidade, ajudaram a combater misturas inadequadas no passado. No entanto, o aumento atual nos custos da matéria-prima reacendeu o problema.

    A venda de “café fake” representa um desafio tanto para a indústria quanto para os consumidores. Enquanto o setor busca proteger a reputação do café brasileiro, os consumidores precisam verificar as informações nas embalagens para evitar enganos. A Abic segue pressionando por regulamentações mais rígidas e conscientização sobre os riscos associados a esses produtos.

    Com os preços do café verdadeiro em alta e a busca por alternativas mais baratas crescendo, é essencial que autoridades e consumidores colaborem para preservar a integridade do mercado cafeeiro brasileiro.

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  • Método promete mudar avaliação da qualidade do café

    Método promete mudar avaliação da qualidade do café

    Uma nova metodologia desenvolvida pela Embrapa e pela Universidade de Brasília (UnB) promete revolucionar a análise sensorial de cafés. Isso torna mais acessível para pequenos produtores e cooperativas avaliarem a qualidade do café. O nome do método é Perfil Descritivo Otimizado (PDO). Pesquisadores o adaptaram para o café e já descreveram todas as etapas do processo em um manual detalhado.

    O grande diferencial do PDO é a possibilidade de incluir consumidores e funcionários como avaliadores, eliminando a necessidade de especialistas altamente treinados. Com um treinamento mais simples, a metodologia permite que pequenas propriedades e cooperativas montem suas próprias equipes para análise. “Essa abordagem torna o processo mais ágil e reduz custos, sem comprometer a qualidade das informações obtidas”, explica Sônia Celestino, pesquisadora da Embrapa Cerrados e uma das responsáveis pelo projeto.

    Além disso, o método facilita a avaliação de atributos específicos, como aroma, acidez e amargor, e pode ser utilizado para selecionar amostras para concursos ou separar lotes especiais. A escala utilizada classifica os cafés em até 50 pontos, possibilitando identificar grãos ruins, bons e excelentes.

    Uma solução inspirada pela pandemia

    A adaptação do PDO surgiu durante a pandemia de Covid-19, que dificultou o uso de métodos tradicionais, mais complexos e demorados. A então mestranda Manuella Nascimento liderou o estudo com orientação de Celestino e da professora Lívia de Oliveira, no Departamento de Nutrição da UnB.  “Com o tempo reduzido, optamos por adaptar o método para o café, algo inédito até então”, relembra Oliveira.

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    Os pesquisadores apresentaram a metodologia no evento Coffee Brasília 2023, atraindo grande interesse de produtores e da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Segundo Celestino, o manual explica de forma didática todo o processo, permitindo que fazendas, cooperativas e universidades utilizem a ferramenta para melhorar seus processos e produtos.

    Entre as vantagens destacadas estão a redução do tempo necessário para as análises e o suporte na identificação de grãos com potencial para avaliação oficial pela Specialty Coffee Association (SCA). “Nosso método oferece uma análise inicial dos grãos, ajudando produtores a decidir quais amostras enviar para avaliações oficiais, que têm custo elevado”, destaca Celestino.

    Como funciona o treinamento dos avaliadores da qualidade do café

    O PDO exige uma equipe de 16 avaliadores, que passam por testes de sensibilidade para identificar gostos e aromas encontrados no café. A cada sessão, um atributo é avaliado em até seis amostras. O treinamento inclui referências para os principais atributos desejáveis (como aroma e doçura) e indesejáveis (como amargor residual).

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    Ao final do processo, os avaliadores calculam uma nota global que considera os atributos positivos e os defeitos. Produtores utilizam esses dados para ajustar técnicas de cultivo, enquanto empresas os empregam para aprimorar o controle de qualidade e atender às preferências dos consumidores.

    A Embrapa planeja utilizar a metodologia PDO em novos projetos de pesquisa para aprofundar o conhecimento sobre a qualidade sensorial do café. Com isso, o método promete se consolidar como uma ferramenta indispensável para a avaliação de cafés especiais. Democratizando o acesso a análises sensoriais de alta qualidade.

  • Preço do café no Brasil pode chegar a R$ 50; prepare o bolso

    Preço do café no Brasil pode chegar a R$ 50; prepare o bolso

    O preço do café no Brasil enfrenta uma escalada alarmante, com projeções indicando que pode alcançar quase R$ 50 em 2025. Essa alta resulta de uma combinação de fatores climáticos adversos e o aumento nos custos de produção.

    O grão moído apresentou um aumento de quase 33% nos últimos 12 meses até novembro, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado recentemente.

    Nos supermercados, o pacote de 1 kg é vendido, em média, a R$ 48,57, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Em janeiro, o preço era de R$ 35,09.

    No mercado internacional, o preço do café atingiu um recorde histórico, alcançando o maior valor em quase 50 anos. Em 10 de dezembro de 2024, os preços subiram 5,5% na bolsa de Nova York, chegando a US$ 3,44 por libra-peso. Além disso, esse aumento se deve a uma crise de oferta provocada por mudanças climáticas severas. Ou seja, secas prolongadas impactaram as colheitas no Brasil, o maior produtor mundial de café arábica.

    A produção brasileira de café arábica foi revisada para apenas 34,4 milhões de sacas em 2024, representando uma redução significativa de 11 milhões de sacas em relação às estimativas anteriores.

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    Essa diminuição resulta diretamente da intensa seca que afeta as plantações e dos desafios enfrentados pelo Vietnã, principal produtor de café robusta.

    Causas da Alta dos Preços

    • Condições Climáticas: A seca severa e as altas temperaturas em regiões produtoras, como o Espírito Santo, causaram perdas significativas nas lavouras. Esses eventos climáticos extremos reduziram a produtividade tanto do café arábica quanto do robusta, impactando diretamente a oferta global.
    • Aumento Global dos Preços: O preço do café arábica atingiu seu nível mais alto em 13 anos, com um aumento superior a 70% ao longo do ano. O café robusta também registrou um aumento significativo devido à escassez na produção global provocada por problemas climáticos em outros países produtores, como o Vietnã.
    • Custos de Produção: O aumento nos custos de insumos, como fertilizantes e logística, também contribui para os preços elevados. A guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio exacerbam esses custos e afetam toda a cadeia produtiva do café.

    Expectativas para 2025

    Os especialistas preveem que os preços continuarão a subir devido à persistência dos fatores mencionados. Mesmo que as condições climáticas melhorem, a recuperação da produção será gradual.

    As empresas líderes do setor já anunciaram reajustes significativos nos preços, com algumas marcas prevendo aumentos de até 40% em janeiro de 2025.

    Essa combinação sugere que os consumidores brasileiros devem se preparar para um cenário onde o café se tornará cada vez mais caro nos próximos meses.

    A Nestlé, maior produtora de café do mundo, anunciou que aumentará os preços de seus produtos e reduzirá o tamanho das embalagens para mitigar os efeitos do aumento dos custos.

    Além disso, a pressão sobre os preços pode impactar toda a cadeia produtiva do café, desde os produtores até os torrefadores e as cafeterias.

    Diante dessa situação, o café se torna uma das commodities mais valorizadas do ano, refletindo não apenas as dificuldades nas safras, mas também um cenário econômico global desafiador.

  • Conheça mais sobre o café que você bebe

    Conheça mais sobre o café que você bebe

    No mercado brasileiro, é possível encontrar uma ampla variedade de cafés, cada um com suas características únicas em relação à origem, torra e qualidade dos grãos. De acordo com a classificação da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), alguns dos principais tipos incluem o Café Tradicional, Café Extra Forte, Café Superior e Café Gourmet. Apesar do nome, que pode influenciar na escolha errada, o modo de torrar cada grão afeta a qualidade.

    Vamos falar sobre cada um deles a partir de agora.

    Café Tradicional

    Este é o tipo de café mais comum no Brasil, produzido a partir de uma mistura de grãos de café arábica e robusta. A torra utilizada é de média a escura, resultando em um sabor equilibrado, com notas de chocolate e caramelo. Embora seja um café popular, os grãos utilizados tendem a ser de qualidade mediana, com a presença de alguns defeitos.

    Café Extra Forte

    O Café Extra Forte passa por uma torra ainda mais intensa, produzindo um sabor marcante e encorpado. Assim como o Café Tradicional, também é feito com uma mistura de grãos arábica e robusta. No entanto, a proporção de grãos robusta tende a ser maior, o que confere ao café um perfil de sabor mais robusto e amargo. Novamente, os grãos utilizados neste tipo de café geralmente são de qualidade inferior.

    Café Superior

    O Café Superior é produzido a partir de grãos de café arábica de melhor qualidade, com uma torra cuidadosa que visa realçar as características naturais dos grãos. Esse tipo de café apresenta um sabor mais complexo e refinado, com notas mais sutis de frutas, florais e chocolate. A qualidade dos grãos e o processo de torra mais controlado resultam em uma bebida de maior qualidade.

    Café Gourmet

    O Café Gourmet é o topo da pirâmide quando se trata de cafés no Brasil. Esses cafés são produzidos exclusivamente com grãos de café arábica de altíssima qualidade, provenientes de regiões específicas e cultivados com técnicas especiais. O processo de torra é extremamente cuidadoso, buscando preservar ao máximo as características únicas dos grãos. O resultado é um café com um sabor refinado, complexo e equilibrado, com notas delicadas e sutis.

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    Enquanto os Cafés Tradicional e Extra Forte se caracterizam por um perfil de sabor mais intenso e encorpado, feitos com uma mistura de grãos de qualidade mediana, os Cafés Superior e Gourmet se destacam pela qualidade superior dos grãos de café arábica e um processo de torra mais cuidadoso, resultando em bebidas de maior complexidade e refinamento. Por isso são mais caros, por terem uma qualidade melhor. Depois dessas categorias, passamos para um mercado que cresce muito, o de café especial.

    Mercado de café especial no Brasil: crescimento e faturamento

    O mercado de café especial no Brasil tem experimentado um crescimento significativo nos últimos anos, impulsionado pela demanda crescente por produtos de alta qualidade. Em 2023, o setor faturou cerca de R$ 4,5 bilhões, refletindo um aumento consistente de aproximadamente 15% ao ano na última década.

    Os principais fatores de crescimento deste mercado no Brasil são:

    • Qualidade e Sustentabilidade: Os consumidores estão cada vez mais exigentes, buscando cafés com certificação de origem e práticas sustentáveis.
    • Inovação e Tecnologia: A adoção de tecnologias avançadas na produção e processamento tem melhorado a qualidade do café brasileiro.
    • Mercado Externo: A exportação de cafés especiais para mercados exigentes como Estados Unidos, Europa e Ásia tem aumentado, contribuindo para o crescimento do setor.

    O setor de cafés especiais tem impactado positivamente a economia brasileira, especialmente em regiões produtoras como Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Além de agregar valor ao produto, tem gerado mais empregos e promovido o desenvolvimento rural.

    Com o aumento da conscientização sobre a importância da qualidade e a demanda por experiências únicas de consumo, o mercado de cafés especiais no Brasil deve continuar crescendo nos próximos anos. Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e marketing são fundamentais para manter a competitividade e expandir a participação brasileira no mercado global de cafés especiais.

    O mercado de café especial no Brasil está em ascensão, com crescimento robusto e oportunidades significativas. A combinação de qualidade, inovação e sustentabilidade é a chave para o sucesso contínuo deste setor, que desempenha um papel crucial na economia e na cultura do país.

    Selo de Pureza ABIC

    A ABIC criou o Programa Permanente de Controle da Pureza do Café (PPCPC) em 1989. O PPCPC é um programa de autorregulamentação voluntário no qual as empresas associadas à ABIC se submetem a fiscalizações conforme as regras do regulamento.

    Ao atenderem essas regras, as empresas recebem autorização para usar o Selo de Pureza, que certifica a pureza do café, garantindo que o produto não contém adulterações ou misturas e é constituído 100% de café, assegurando a segurança dos alimentos e o respeito ao consumidor.Procurar o selo no seu café é uma garantia que dentro de cada estilo, a ABIC valida a qualidade do café.

    Conheça os estilos de café de acordo com o Protocolo brasileiro de avaliação sensorial de cafés torrados – ABIC 2024

    ESPECIAL

    • Matéria-prima: arábica, canéfora ou blend das duas espécies.
    • Estilo de bebida:
    • Amargor: muito baixo
    • Doçura: alta a muito alta
    • Qualidade da Acidez: alta a muito alta
    • Notas sensoriais: pode apresentar aromas intensos, frutados, florais, baunilha e até levemente alcoólico e especiarias, não necessariamente todos juntos e obrigatórios, mas de intensidade alta e perceptível.

    EXTRAFORTE

    • Matéria-prima: arábica, canéfora ou blend das duas espécies.
    • Estilo de bebida:
    • Amargor: alto
    • Doçura: baixa a muito baixa
    • Acidez: baixa a muito baixa
    • Notas sensoriais: pode apresentar aromas moderados a fortes de tostado, especiarias, chocolate, madeira e herbal, não necessariamente todos juntos.
    • Ponto de torra: moderadamente escuro.

    GOURMET

    • Matéria-prima: arábica, canéfora ou blend das duas espécies.
    • Estilo de bebida:
    • Amargor: baixo
    • Doçura: equilibrada a alta
    • Acidez: equilibrada a alta
    • Notas sensoriais: pode apresentar aromas leves de florais e frutados, e mais intensos de caramelo, mel, amêndoas, não necessariamente todos juntos e obrigatórios, mas de intensidade alta e perceptível.

    TRADICIONAL

    • Matéria-prima: arábica, canéfora ou blend das duas espécies.
    • Estilo de bebida:
    • Amargor: alto
    • Doçura: baixa a muito baixa
    • Acidez: baixa a muito baixa
    • Notas sensoriais: pode apresentar aromas moderados a fortes de tostado, especiarias, chocolate, madeira e herbal, não necessariamente todos juntos.

    SUPERIOR

    • Matéria-prima: arábica, canéfora ou blend das duas espécies.
    • Estilo de bebida:
    • Amargor: equilibrado a baixo
    • Doçura: equilibrada a baixa
    • Acidez: equilibrada a baixa
    • Notas sensoriais: pode apresentar aromas de caramelo, cereal, tostado, amendoado, chocolate, leve frutado, especiarias, amadeirado (cedro, carvalho), não necessariamente todos juntos.

    Os cafés certificados com Selo de Pureza e Qualidade ABIC atendem aos padrões do Programa de Qualidade de Café ABIC e foram avaliados com a metodologia do Protocolo Brasileiro de Avaliação Sensorial de Cafés Torrados.