A cadeia da carne Hereford avança em reposicionamento no mercado brasileiro. O foco reside na ampliação da escala produtiva e na proximidade com o consumidor final. Discussões no Fórum da Carne Hereford, durante a Nacional Hereford e Braford 2026, em Esteio (RS), destacaram esses pontos, realizados no Parque de Exposições Assis Brasil na última quinta-feira (23).
Exportações disparam, mas mercado interno patina
O Brasil exportou 263 mil toneladas de carne Hereford em 2025, com envios para México, Portugal, Itália, Canadá e Suíça. Esses dados reforçam o potencial da cadeia. Contudo, o mercado interno enfrenta obstáculos. A produção progride, mas a presença nos pontos de venda permanece irregular, limitando o crescimento.
O presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Eduardo Soares, enfatizou a necessidade de ajustes. “Precisamos avançar não só na produção, mas na forma como essa carne chega e é percebida pelo consumidor”, declarou. Ele acrescentou: “Hoje, os resultados são construídos nos detalhes. Precisamos de eficiência na produção, mas também de um mercado estruturado para absorver esse produto”.
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Programa pioneiro busca consistência no varejo
Criado em 1998, o programa Carne Hereford lidera a certificação bovina no Brasil. Ele sustenta a expansão atual da marca. O gerente executivo da ABHB, Felipe Azambuja, nota avanços no volume de animais. No entanto, desafios operacionais demandam atenção. “Estamos aumentando o número de animais, mas o próximo passo é garantir consistência e presença no mercado”, explicou.
Azambuja vê oportunidades no consumo doméstico. A genética da raça é amplamente reconhecida. A chave está em converter isso em oferta estável nos supermercados e açougues, evitando a concorrência de produtos sem certificação.
Comunicação falha pode custar espaço na prateleira
Ana Doralina Menezes, consultora do programa, alertou sobre a comunicação deficiente. Consumidores analisam rótulos com critério. “O cliente compara produtos e busca entender o que está levando. Se não comunicarmos bem, perdemos espaço”, afirmou.
Ela destacou o selo como diferencial de qualidade. Sem compreensão clara, o preço domina a decisão. “O consumidor precisa reconhecer que a carne Hereford entrega um padrão diferenciado. Sem essa clareza, a decisão acaba sendo baseada apenas no preço”.
Exposição no varejo exige mudança urgente
A carne Hereford, mesmo disponível, carece de informação adequada nos PDVs. Varejo e restaurantes devem melhorar a exposição. “Mesmo quando a carne está disponível, muitas vezes falta informação no ponto de venda para sustentar a escolha do consumidor”, observou Doralina.
A ABHB planeja iniciativas para educar o público e fortalecer parcerias. Sem ações concretas, o esforço produtivo do setor agropecuário pode não se traduzir em resultados comerciais.



