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  • França proíbe importação de frutas sul-americanas com agrotóxicos banidos

    França proíbe importação de frutas sul-americanas com agrotóxicos banidos

    O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu anunciou neste domingo (4) que a França bloqueará a importação de produtos agrícolas da América do Sul que apresentem resíduos de substâncias proibidas na União Europeia. A declaração ocorreu por meio da rede social X e representa mais um capítulo na tensão entre agricultores europeus e o setor produtivo sul-americano.

    Segundo o primeiro-ministro, a ministra da Agricultura Annie Genevard preparará uma portaria que será publicada nos próximos dias. O documento estabelecerá critérios para barrar a entrada de frutas que contenham resíduos de quatro defensivos agrícolas: mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim – todos vetados pelas normas sanitárias europeias.

    Quais frutas serão fiscalizadas

    A lista de produtos afetados inclui abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs provenientes da América do Sul ou de qualquer outra região. O governo francês criará uma brigada especializada para reforçar a fiscalização e garantir o cumprimento rigoroso da legislação sanitária nacional.

    Lecornu classificou a medida como uma “primeira etapa” para proteger as cadeias produtivas e os consumidores franceses. O objetivo também é combater o que o governo chama de “concorrência desleal”, buscando garantir condições equitativas para agricultores locais que seguem regulamentações mais rigorosas.

    Protestos e pressão política

    A decisão surge em meio a protestos intensos de agricultores franceses que se iniciaram em dezembro de 2024. As manifestações envolvem bloqueios de estradas e ações em diversas regiões do país, principalmente no sudoeste, motivadas por duas questões principais: a política governamental para enfrentar a dermatose nodular contagiosa (DNC) em rebanhos bovinos e a forte oposição ao acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul.

    Os agricultores franceses temem que produtos do Brasil e Argentina – países que utilizam pesticidas em plantações e antibióticos de crescimento no gado proibidos na Europa – ganhem acesso facilitado ao mercado europeu.

    Acordo Mercosul-UE enfrenta resistência

    Após mais de 25 anos de negociações, Mercosul e União Europeia concluíram o acordo comercial em dezembro de 2024, mas adiaram a assinatura para janeiro de 2025 diante da resistência da França e da Itália, pressionadas por seus setores agrícolas.

    O tratado reuniria cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB de aproximadamente 22 trilhões de dólares, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Para o Brasil, o acordo representa acesso preferencial para produtos como carne bovina, etanol, açúcar e frutas ao mercado europeu.

    Disparidade no uso de agrotóxicos

    Estudos recentes revelam uma significativa diferença na regulamentação de pesticidas entre os blocos. A quantidade de resíduo do herbicida glifosato encontrado em amostras de água potável no Brasil é 5 mil vezes maior do que na União Europeia.

    Em 2021, o Brasil consumiu cerca de 719 mil toneladas de pesticidas, enquanto os Estados Unidos consumiram 257 mil toneladas e a China 244 mil toneladas. O país possui mais de 3 mil agroquímicos registrados. Desses,  49% são considerados altamente perigosos à saúde.

    Impacto na balança comercial

    A União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de aproximadamente 92 bilhões de dólares em 2023. A medida francesa pode criar um precedente para outros países do bloco europeu, potencialmente afetando as exportações brasileiras de frutas.

    O governo francês argumenta que a nova regulamentação visa proteger tanto os produtores locais quanto os consumidores. Enquanto críticos apontam que a medida pode ser mais uma barreira protecionista do que uma preocupação genuína com segurança alimentar.

    A portaria deverá entrar em vigor nas próximas semanas, estabelecendo um novo paradigma para a importação de produtos agrícolas sul-americanos na França.

  • Abacates de variedades menores ganham espaço no mercado brasileiro

    Abacates de variedades menores ganham espaço no mercado brasileiro

    O mercado brasileiro de abacate tem se diversificado nos últimos anos, com variedades menores ganhando cada vez mais espaço entre produtores e consumidores. Essas cultivares, que diferem significativamente do abacate tropical tradicional, oferecem características únicas que as tornam especialmente atrativas para diferentes segmentos do mercado.

    As variedades de abacate de menor porte, como o Hass (conhecido como avocado), apresentam diferenças marcantes em relação ao abacate comum cultivado no Brasil. Enquanto o abacate tropical pode pesar entre 300g e 2kg, essas variedades menores ficam entre 80g e 350g, com casca mais espessa e coloração verde-escura.

    “O segredo é que, dentro da casca verde escura, os menores carregam menos água e mais óleos essenciais”, explica material técnico da Abacates do Brasil, referindo-se às variedades menores. Essa característica resulta em uma textura mais firme e polpa mais concentrada em nutrientes, vitaminas, antioxidantes e sais minerais.

    Variedades cultivadas no Brasil

    No território nacional, são cultivadas diversas variedades de abacate, sendo as principais: Hass (avocado), Breda, Fortuna, Geada, Margarida, Ouro Verde e Quintal. A variedade Hass, originária dos Estados Unidos, é a mais cultivada mundialmente e se destaca por sua casca rugosa e escura quando maduro.

    De acordo com dados do setor, o Hass possui uma safra extensa, que pode ir de março a outubro, dependendo da região de plantio. Outras variedades tradicionais, como Fortuna e Margarida, têm períodos de colheita mais concentrados, geralmente entre maio e novembro.

    Foto de Bethany Randall na Unsplash

    O cultivo de abacate no Brasil se concentra principalmente em regiões com condições climáticas favoráveis. Os estados produtores registram temperaturas moderadas – nem muito frias nem muito quentes – e pluviosidade adequada, fatores essenciais para o desenvolvimento das plantas.

    A colheita, de modo geral, é concentrada no primeiro semestre do ano, mas isso varia de variedade para variedade. A diversidade de cultivares permite que o país produza abacate durante todo o ano, com a entressafra de uma variedade sendo complementada pelo início de outra.

    Técnicas de cultivo e colheita

    O ponto ideal para colheita é determinado pelo teor de matéria seca no fruto. Especialistas recomendam um teor de 23% de matéria seca para garantir a qualidade do produto. Os trabalhadores normalmente utilizam escadas e tesouras apropriadas, ou recorrem aos chamados “apanhadores de saco” para alcançar os frutos nas partes mais altas da árvore.

    O produtor deve colher os frutos com pedúnculo e, depois, apará-lo, deixando entre 6 mm e 10 mm de comprimento para facilitar o acondicionamento na embalagem. Esse cuidado é fundamental para manter a qualidade do produto durante o armazenamento e transporte.

    O interesse por variedades menores de abacate tem crescido significativamente, especialmente devido à demanda por produtos mais adequados ao consumo individual e à crescente popularidade da culinária saudável. A textura mais firme e o sabor mais concentrado dessas variedades as tornam ideais para pratos salgados, como guacamole e saladas.

    A adaptabilidade às condições climáticas brasileiras e a estabilidade de renda que proporcionam aos produtores fazem do cultivo dessas variedades uma opção cada vez mais atrativa para o agronegócio nacional. Com mais de 500 variedades conhecidas mundialmente, o Brasil ainda tem potencial para expandir ainda mais sua produção e diversificar seu mercado interno.

    Valor nutricional

    As variedades menores de abacate se destacam pela maior concentração nutricional. Com menos água em sua composição e maior quantidade de óleos essenciais, essas frutas oferecem maior densidade de nutrientes por porção, tornando-se especialmente interessantes para consumidores que buscam alimentos funcionais.

    A versatilidade culinária também é um diferencial, portanto, permitindo seu uso tanto em preparações doces quanto salgadas, expandindo as possibilidades de consumo e agregando valor ao produto no mercado.

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  • Abacates – Costa Rica abre mercado para o Brasil

    Abacates – Costa Rica abre mercado para o Brasil

    O governo brasileiro recebeu com entusiasmo o anúncio da Costa Rica, que autorizou a exportação de abacates do Brasil para o país centro-americano. Essa é a terceira abertura de mercado em 2024 para a Costa Rica e deve contribuir para o aumento do comércio entre as duas nações, refletindo a confiança internacional no sistema de controle sanitário brasileiro.

    A Costa Rica é um destino importante para os produtos do agronegócio brasileiro. No primeiro semestre deste ano, as exportações agrícolas do Brasil para o país totalizaram US$ 153 milhões. Em fevereiro, o Brasil já havia conseguido a abertura do mercado costarriquenho para exportar produtos à base de células-tronco mesenquimais de cães, gatos e equinos com finalidade terapêutica. Em julho, foi aberto o mercado para a exportação de equinos vivos.

    Novos mercados

    Com o anúncio da exportação de abacates, o agronegócio brasileiro alcança a 89ª abertura de mercado em 2024, totalizando 167 aberturas em 55 destinos desde o início do ano. Esses resultados são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

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    O mercado de abacate no Brasil tem mostrado um crescimento significativo nos últimos anos. Em 2023, o Brasil produziu aproximadamente 400 mil toneladas de abacate, com uma área plantada de cerca de 40 mil hectares, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). É amplamente cultivado em estados como São Paulo, Minas Gerais e Bahia, que juntos representam a maior parte da produção nacional.

    Vantagens dos abacates para a saúde

    O abacate é conhecido por seus diversos benefícios à saúde, sendo uma excelente fonte de gorduras saudáveis. Especialmente ácidos graxos monoinsaturados, que ajudam a reduzir o colesterol ruim (LDL) e aumentar o colesterol bom (HDL). Além disso, o abacate é rico em fibras, vitaminas (como a vitamina E e K) e minerais (como potássio e magnésio). Esses minerais são essenciais para o funcionamento adequado do organismo.

    Estudos indicam que o consumo regular de abacate pode contribuir para a saúde cardiovascular, melhorar a digestão e até auxiliar na perda de peso, devido à sua capacidade de promover a saciedade. Além disso, o abacate contém antioxidantes que podem ajudar a combater o estresse oxidativo e a inflamação no corpo.

    Com a crescente demanda por produtos saudáveis e naturais, o mercado de abacate no Brasil tem potencial para continuar se expandindo. A abertura de novos mercados, como a Costa Rica, pode impulsionar ainda mais as exportações e fortalecer a posição do Brasil como um dos principais produtores de abacate da América Latina.

    Em resumo, o abacate não só é uma adição nutritiva à dieta. Mas também representa uma oportunidade significativa para o agronegócio brasileiro. E com potencial de crescimento tanto no mercado interno quanto no externo.

    Abacate: uma fruta originária da América Central

    O abacate é uma fruta originária da América Central, mais provavelmente do México. O nome “abacate” vem do espanhol “aguacate”, que por sua vez deriva do náhuatl, idioma asteca, e literalmente significa “testículo”. Os incas do Peru o chamavam de “palta” ou “palto”, denominação ainda comum no Peru e no Chile.

    O mercado brasileiro tem diversas variedades

    Os primeiros relatos de abacateiros no Brasil datam de 1787, quando o naturalista Alexandre Rodrigues os encontrou às margens do rio Negro, na região amazônica. Basicamente, o abacate teve origem em três tipos, que após diversos cruzamentos naturais ou introduzidos pelo homem deram nascimento a cerca de 500 variedades diferentes.

    Variedades brasileiras

    O mercado brasileiro consome especialmente as variedades de abacates Breda, Fortuna, Geada, Margarida, Ouro Verde, Quintal e o Avocado (Hass), que se diferenciam pelo seu tamanho, calibre e teor de gordura. O abacateiro Fortuna, destaque desta semana, é uma árvore muito vigorosa e pertence ao grupo floral A, sendo um híbrido das raças Antilhana e Guatemalense.

    Na década de 1960, o viveirista Armindo Benati introduziu o abacate Fortuna em Campinas (SP)..  Tem como características frutos muito grandes, com peso entre 600 e 1000 g, formato piriforme, de casca lisa e verde escuro, polpa amarela e caroço solto.

    Com sua origem na América Central e ampla variedade de tipos, o abacate se consolidou como uma fruta popular no Brasil, com diversas cultivares adaptadas às diferentes regiões do país.