Tag: abacate

  • Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    A fruticultura brasileira alcançou um novo marco no comércio internacional no primeiro semestre de 2026. Mesmo diante de um cenário global mais desafiador, o setor registrou avanço simultâneo em receita e em volume embarcado de frutas, impulsionado principalmente pelo desempenho recorde da maçã.

    Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 707,9 milhões e 619,1 mil toneladas. O resultado representa um salto de 20,64% em valor e de 13,32% em volume na comparação com o mesmo período de 2025, quando o país faturou US$ 586,8 milhões com o embarque de 546,3 mil toneladas.

    Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), os embarques de manga, maçã, abacate e melancia impulsionaram o desempenho do setor. Já as vendas de uva, banana e melão enfrentaram desafios pontuais na temporada, sem comprometer o resultado geral.

    Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas, atribui o avanço à diversificação de mercados e ao investimento contínuo em tecnologia. “O primeiro semestre confirma a capacidade do setor de responder aos desafios com eficiência, qualidade e abertura de mercados. A diversificação dos destinos, o investimento constante em tecnologia e as ações de promoção comercial das frutas brasileiras, desenvolvidas por meio do projeto Frutas do Brasil, em parceria com a ApexBrasil, têm fortalecido a presença dos nossos produtos no mercado internacional e ampliado as oportunidades para os produtores brasileiros”, destacou o dirigente.

    Maçã registra a maior alta da história e lidera exportações

    A maçã protagonizou o resultado do semestre com expansão histórica de 223,55% em faturamento e 225,11% em volume. Moises Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), explica que o salto decorre da maior safra já registrada no país, que sucede dois anos de retração provocada por fatores climáticos. A Índia manteve a liderança entre os compradores, seguida por Arábia Saudita e Rússia.

    mangas
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A manga segue entre os principais produtos da pauta exportadora e cresceu 42,41% em valor e 37,96% em volume, resultado da alta qualidade do produto e da consolidação em mercados estratégicos.

    O abacate apresentou expansão de 72,52% em valor e 92,68% em volume. A melhor safra dos últimos cinco anos em São Paulo ampliou a oferta destinada ao exterior.

    A melancia avançou 30,59% em receita e 6,27% em volume, beneficiada pela constância de oferta e pela qualidade da produção do Nordeste.

    O levantamento também identificou avanços nas exportações de limões, limas e mamão, o que reforça a diversificação da pauta brasileira de frutas.

    Uva e banana enfrentam retração no mercado externo

    Algumas culturas sentiram o impacto de gargalos comerciais e climáticos no período. A uva registrou queda de 27,92% em valor e 27,86% em volume. Uma retração conjuntural motivada por incertezas no mercado norte-americano após o anúncio de novas tarifas pelos Estados Unidos, o que desacelerou os embarques.

    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A banana teve redução de 15,63% em valor e 27,19% em volume. A concorrência no Mercosul pressionou o produto brasileiro, já que frutas vindas do Equador, Bolívia e Paraguai chegaram ao mercado a preços mais competitivos.

    Já o melão sofreu leve queda de 2% no volume embarcado, em razão de impactos climáticos pontuais. Ainda assim, a receita subiu 8,18%, sustentada por preços melhores e pela demanda firme no exterior.

    A Abrafrutas espera manter o ritmo de crescimento na segunda metade do ano. A entidade avalia que a ampliação de novos mercados e a competitividade das frutas brasileiras serão estratégicas para mitigar riscos globais e consolidar um novo recorde anual de exportações do setor.

  • Um único abacate domina o mundo e isso pode ser um perigo

    Um único abacate domina o mundo e isso pode ser um perigo

    Ao comprar abacates no supermercado, montar uma torrada com a fruta em casa ou pedir guacamole no restaurante, o consumidor provavelmente leva para a mesa sempre a mesma variedade genética. Trata-se do abacate Hass, que surgiu na Califórnia no século XX e, desde então, se espalhou por enxertos em pomares ao redor do planeta. Hoje, essa única linhagem responde por mais de 80% da produção comercial de abacates no mundo.

    Reprodução – Mapa

    Essa padronização trouxe vantagens econômicas e logísticas, mas também abriu uma fragilidade importante. Como todas as plantas Hass são geneticamente idênticas, a cultura se torna mais vulnerável a doenças e às mudanças climáticas. Um cenário que especialistas comparam a colocar todos os ovos na mesma cesta.

    Um estudo recente da Universidade Texas A&M, publicado nos periódicos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e Plants, People, Planet, reforça esse alerta e aponta uma saída: olhar para o passado da fruta.

    Fósseis de 11 mil anos revelam a origem da domesticação

    A pesquisadora Heather Thakar, professora assistente de antropologia na Texas A&M, lidera escavações no abrigo rochoso El Gigante, em Honduras. Este é um dos poucos sítios arqueológicos das Américas com preservação excepcional de restos vegetais em ambiente tropical. As análises indicam que humanos já consumiam abacates selvagens há cerca de 11 mil anos e começaram a selecionar frutos maiores há pelo menos 7.500 anos, processo que antecede até mesmo a domesticação do milho.

    Para Thakar, essa longa história de seleção por sementes guarda lições valiosas para os desafios agrícolas atuais. Segundo a pesquisadora, boa parte da diversidade genética dos abacates antigos ainda sobrevive em populações selvagens do México e da América Central, e o cruzamento entre plantas domesticadas modernas e essas populações selvagens pode ampliar as chances de adaptação às mudanças climáticas. Uma estratégia mais eficaz do que depender exclusivamente da clonagem.

    Nicarágua revela um “hotbed” de diversidade genética

    Outra frente de pesquisa, conduzida pelo doutorando Kevin Wann, também da Texas A&M, mapeou o DNA de variedades nativas. Chamadas de landraces, são cultivadas por gerações em Nicarágua, Honduras e no sul do México. A equipe coletou material genético de 47 landraces, sendo 32 delas de origem nicaraguense. E comparou os dados com informações já publicadas sobre mais de 200 outras linhagens de abacate.

    Foto: arquivo Agro em Campo

    Os agricultores locais entrevistados confirmaram que essas variedades tradicionais de terras baixas nunca apresentaram podridão de raiz. A doença afeta boa parte das plantações comerciais de Hass. A descoberta identificou ainda dois grupos genéticos até então não documentados pela ciência, batizados de TL-1 e TL-2. Além de rastros genéticos de uma migração da fruta desde a América do Sul até a América Central, ocorrida há cerca de 5 mil anos.

    Wann destaca que a amplitude da diversidade genética do abacate é maior do que a ciência havia registrado até agora, e defende que esse material genético pode ajudar a proteger plantações comerciais vulneráveis a doenças.

    Canárias também miram no passado para proteger o futuro

    Do outro lado do Atlântico, pesquisadores do Instituto Canário de Investigações Agrárias e do CSIC espanhol chegaram a conclusões semelhantes ao estudar landraces preservadas na ilha de La Palma, nas Canárias. O grupo alerta que a concentração da produção mundial na variedade Hass compromete a sustentabilidade da cultura a longo prazo diante das mudanças climáticas. E recomenda que estudos futuros priorizem o uso dessas populações tradicionais para enfrentar desafios como a escassez de água de irrigação e a degradação do solo.

    Em conjunto, as pesquisas de Honduras, Nicarágua e Canárias apontam para uma mesma direção. Recorrer aos parentes selvagens e às variedades tradicionais do abacate para reconstruir uma base genética mais ampla. Programas de melhoramento que combinem seleção de sementes de plantas domesticadas com populações selvagens podem reduzir a dependência de um único clone. E tornar a cultura mais preparada para enfrentar pragas, doenças e a instabilidade climática.

    Para a indústria bilionária do abacate, e para quem simplesmente aprecia uma torrada com a fruta pela manhã, a mensagem dos cientistas é clara: o futuro da fruta pode depender de resgatar sua própria história.

  • Brasil amplia exportação de frutas para a Índia

    Brasil amplia exportação de frutas para a Índia

    A missão comercial organizada pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), fortaleceu a presença da fruticultura brasileira na Índia e abriu novas oportunidades de negócios no mercado asiático.

    Foto: Abrafrutas

    A agenda conectou exportadores brasileiros a importadores, redes varejistas e operadores logísticos indianos, com foco em frutas como abacate, limão tahiti e maçã. A ação integrou a estratégia de ampliar as exportações brasileiras para um dos maiores mercados consumidores do mundo.

    Com articulação do adido agrícola do Brasil na Índia, Roberto Papa, e apoio da Embaixada do Brasil em Nova Délhi, a comitiva percorreu diferentes etapas da cadeia de distribuição local. O grupo realizou reuniões comerciais, visitas técnicas e prospecção direta com compradores.

    Na capital indiana, os representantes visitaram o Azadpur Subzi Mandi, maior centro atacadista de frutas e hortaliças de Nova Délhi. Além de mercados tradicionais, lojas especializadas e pontos de venda de produtos importados. Durante os encontros, varejistas locais demonstraram interesse crescente na importação de frutas brasileiras.

    Suri Agrofresh

    A missão também incluiu visita à Suri Agrofresh, em Kundli, no estado de Haryana. No local, os participantes avaliaram estruturas de armazenagem refrigerada e discutiram logística, exigências sanitárias e condições comerciais para ampliar o acesso das frutas brasileiras ao mercado indiano.

    A programação em Nova Délhi terminou com o evento “Terroir of Brazil: a taste of Brazilian fruits and typical dishes”, realizado na residência oficial da Embaixada do Brasil. O encontro reuniu autoridades, importadores e empresários para apresentar produtos brasileiros e fortalecer parcerias comerciais.

    Durante o evento, a Adidância Agrícola lançou o Centro de Distribuição Móvel (CDM), ferramenta digital que facilita o acesso a informações sobre produtos, empresas e oportunidades de negócios. A plataforma opera via QR Code e oferece atendimento em português, inglês e hindi.

    Fresh India Show

    Na sequência, a delegação seguiu para Mumbai, onde participou da feira Fresh India Show 2026, no CIDCO Exhibition Centre. A agenda incluiu ainda visita técnica ao Porto de Mumbai para análise das condições logísticas de importação de frutas frescas.

    Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia representa um mercado estratégico para a fruticultura brasileira. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou crescimento superior a 20% em valor e 13% em volume nas exportações de frutas frescas, na comparação anual.

    Desde 2023, o país abriu 34 novos mercados para frutas brasileiras, ampliando o alcance internacional do setor e reforçando a competitividade do agronegócio nacional.

  • Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Fiscalização em aeroporto barra praga capaz de devastar lavouras brasileiras

    Agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), interceptaram na última semana uma carga de aproximadamente uma tonelada de aspargos importados do Peru no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). O motivo: a presença do inseto Prodiplosis longifila, praga quarentenária ausente no Brasil e com potencial de devastar culturas estratégicas do agronegócio nacional.

    A carga era composta por 200 caixas do produto. Equipes do Vigiagro identificaram o inseto durante a fiscalização de rotina e enviaram amostras ao laboratório no dia 8 de maio. O laudo conclusivo saiu na última quarta-feira (13) após análises que incluíram exame visual, morfologia em microscópio, consulta bibliográfica, PCR e sequenciamento genético.

    Uma praga com muitos nomes e um só problema

    Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate ou negrilla, a Prodiplosis longifila é um inseto de difícil controle. Segundo a Embrapa, suas larvas se desenvolvem no interior de tecidos vegetais (botões florais, brotos terminais e frutos jovens) provocando deformações, abortamento de flores e queda de produtividade. O inseto se adapta melhor a climas quentes e úmidos e consegue se dispersar por voo em até 300 metros.

    A espécie, classificada como praga quarentenária A1 no Brasil, já está presente na Colômbia e no Peru e representa uma das maiores preocupações fitossanitárias do país. Pesquisadores da Embrapa apontam que regiões de fronteira, sobretudo aquelas vizinhas a países onde a praga já ocorre, são os pontos de entrada mais vulneráveis ao território nacional.

    Impacto potencial sobre o agronegócio

    A lista de culturas em risco é extensa: tomate, aspargo, citros, pimentão, algodão, feijão, abacate, alcachofra, batata e cebola. Estudos publicados em periódico científico registram perdas de até 100% na produção de tomate na Colômbia e de até 60% no Equador. No Peru, o inseto também provoca prejuízos consideráveis nos cultivos de aspargo.

    Nos países onde a praga já está estabelecida, como Peru, Equador e Colômbia, sua chegada causou perdas volumosas nas principais zonas produtoras de tomate e pimentão. Em Manabí, no Equador, a Prodiplosis longifila ocupa o posto de praga mais importante do tomate desde 1996.

    Sem controle adequado, a praga pode provocar perdas de rendimento superiores a 50% em batata, aspargo e outras hortaliças. A maioria dos produtores afetados recorre ao uso intensivo de inseticidas sintéticos como única estratégia de combate. O que eleva custos de produção e gera riscos ambientais.

    No Brasil, uma eventual introdução do inseto poderia afetar diretamente as cadeias produtivas de citros e hortaliças, comprometer mercados de exportação e exigir gastos elevados com programas de contenção. A introdução de pragas quarentenárias, sem medidas fitossanitárias adequadas, provoca impactos sociais, ecológicos e econômicos. Portanto, com elevação dos custos de exportação por barreiras fitossanitárias e gastos com programas de controle oficial.

    O papel do Vigiagro na proteção das fronteiras

    O Vigiagro conta atualmente com 111 Serviços e Unidades de Vigilância Agropecuária distribuídos em portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas especiais. A estrutura realiza a fiscalização de cargas, produtos de origem vegetal e animal e bagagens em trânsito internacional, com o objetivo de impedir o ingresso de pragas ainda ausentes no território nacional.

    O caso de Guarulhos reforça a importância da vigilância ativa nas fronteiras,  especialmente em um país com um dos maiores agronegócios do mundo. A Embrapa coordena um arranjo de pesquisa com 40 projetos voltados à prevenção e ao manejo de pragas quarentenárias, envolvendo 25 centros de pesquisa e parceiros internacionais, com foco em reduzir riscos de entrada e os impactos econômicos dessas ameaças.

  • Broca-do-abacate ameaça até 100% da produção em Santa Catarina

    Broca-do-abacate ameaça até 100% da produção em Santa Catarina

    A broca-do-abacate (Stenoma catenifer) representa uma ameaça severa aos produtores catarinenses, com potencial para destruir completamente as safras. A praga ataca os frutos ainda no pomar: as lagartas perfuram a casca, devoram a polpa e chegam até o caroço, inviabilizando a comercialização.

    Produtores de abacate em Santa Catarina agora contam com uma ferramenta digital que prevê a ocorrência da praga. O portal Agroconnect, desenvolvido pela Epagri/Ciram, calcula quantas gerações anuais da broca-do-abacate devem surgir em cada região, além da duração de cada ciclo, conforme a temperatura local. O sistema atualiza os dados diariamente.

    Ciclo de vida e danos da praga

    A broca-do-abacate completa um ciclo destrutivo nos pomares. As mariposas depositam ovos em fissuras, pedicelos e pedúnculos dos frutos. Após a eclosão, as lagartas perfuram a casca e se alimentam da polpa até atingir o caroço. O ataque causa perdas que podem chegar a 100% da produção.

    Cientistas identificaram a praga no Brasil pela primeira vez em 1923. A espécie neotropical ocorre na Venezuela, Peru e México. No território nacional, a broca-do-abacate se distribui amplamente e ataca com frequência os principais estados produtores: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

    Projeto Miríades amplia monitoramento de pragas

    A pesquisadora Iria Sartor Araújo coordena o projeto Miríades, da Epagri/Ciram, que desenvolveu a nova ferramenta. A iniciativa apoia o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e garante uma abordagem eficiente, econômica e sustentável no controle de infestações agrícolas.

    O projeto já calculou a favorabilidade para ocorrência de outras pragas importantes: cigarrinha-do-milho, lagarta-do-cartucho-do-milho, tripes e mariposa oriental das fruteiras. O Miríades também monitora a distribuição e duração de ciclos de vida do mosquito da dengue. Todas as informações estão disponíveis gratuitamente no Agroconnect.

    Cultura do abacate tem potencial em Santa Catarina

    O cultivo de abacate apresenta potencial significativo em Santa Catarina, especialmente nas regiões litorâneas e em áreas com clima ameno, que minimizam o risco de geadas.

    Reprodução – Mapa

    “Diante do cenário de mudanças climáticas, precisamos conhecer a influência das condições do clima tanto em insetos e culturas de grande importância socioeconômica, como também em pragas e culturas com potencial de desenvolvimento em Santa Catarina”, explica Hamilton Vieira, pesquisador da Epagri/Ciram e integrante do projeto Miríades.

    A divulgação antecipada da favorabilidade de ocorrência da broca-do-abacate no território catarinense ganha relevância econômica e ambiental. As informações permitem que produtores planejem a instalação de pomares considerando os riscos de cada região.

    Como funciona o cálculo de favorabilidade

    O sistema utiliza uma equação matemática para calcular a favorabilidade térmica e estimar o número de gerações anuais da praga, a duração de cada ciclo e a distribuição espacial em Santa Catarina.

    O cálculo considera a duração em horas do desenvolvimento da mariposa Stenoma catenifer, do ovo até a fase adulta, em função da temperatura média horária. “Os insetos têm pequena massa corporal e dependem altamente da temperatura ambiente”, explica Hamilton Vieira.

    https://www.youtube.com/watch?v=4ncl9U4EUUQ

  • Produção de abacate cresce 91% no Paraná, com Apucarana liderando

    Produção de abacate cresce 91% no Paraná, com Apucarana liderando

    A produção de abacate no Paraná cresceu 91% em área cultivada e 60,9% em volume de colheita entre 2014 e 2023. Os dados constam no Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

    Em 2014, o Paraná cultivava cerca de 1.000 hectares de abacate, com uma produção de 22,2 mil toneladas, gerando R$ 55,6 milhões em Valor Bruto de Produção (VBP). No ano passado, a área dobrou, atingindo 2.000 hectares, enquanto a colheita chegou a 35,8 mil toneladas, equivalendo a R$ 89,7 milhões em VBP. Essa produção representa 2,6% do total da fruticultura estadual.

    Os números parciais de 2024 indicam crescimento contínuo na produção. O Norte do Paraná lidera a produção, com 88,1% do total. O município de Apucarana destaca-se como maior produtor do Estado, respondendo por 14% da produção estadual. Arapongas e Assaí ocupam as segunda e terceira posições, com 7,3% e 6,7%, respectivamente.

    O engenheiro agrônomo Paulo Andrade, analista de fruticultura do Deral, atribui o crescimento à maior valorização do abacate como superalimento. “Antes visto com desconfiança nutricional, o abacate agora é reconhecido por seus benefícios à saúde pública”, afirma.

    No cenário nacional, o Brasil mantém sua posição entre os maiores produtores mundiais de abacate, ocupando o 7º lugar e respondendo por 4% da produção global. A exportação do fruto cresce de forma consistente. Em 2023, o país exportou cerca de 24 mil toneladas, gerando receitas de 36 milhões de dólares. O abacate figura como a oitava fruta mais exportada no Brasil, contribuindo para recordes na balança comercial do agronegócio.

  • Minas aposta no azeite de abacate para diversificar economia regional

    Minas aposta no azeite de abacate para diversificar economia regional

    A Serra da Mantiqueira está no centro de uma revolução agroindustrial: pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) buscam consolidar a cadeia produtiva do azeite de abacate, utilizando o maquinário das oliviculturas durante a entressafra da oliveira. A iniciativa visa ampliar a renda dos produtores, otimizar equipamentos e diversificar a produção regional. Com isso, aproveitar o potencial do abacate como matéria-prima de alto valor agregado.

    A safra da oliveira é curta, ocorrendo entre o fim de janeiro e o início de abril. Esse período deixa os lagares ociosos durante grande parte do ano. Pesquisadores da Epamig comprovaram que, com adaptações simples, é possível utilizar o mesmo maquinário para extrair o óleo do abacate. E assim, agregar valor e utilidade ao parque industrial já existente na região. Segundo Luiz Fernando de Oliveira, pesquisador da Epamig, cerca de 40 lagares do Sudeste podem ser adaptados para a extração do azeite de abacate. Para isso, basta ajustes como a despolpa da fruta e a regulagem das centrífugas horizontais (decanters), devido ao maior volume e teor de óleo do abacate em relação à azeitona.

    Dois projetos em andamento no Campo Experimental de Maria da Fé, ambos financiados por editais da Fapemig e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, avaliam a produção e a qualidade do óleo de abacate, além de processos inovadores para a agroindústria. A modernização da unidade permitiu ampliar a capacidade de processamento e análise físico-química, essencial para garantir a qualidade do produto final.

    Potencial produtivo e sustentabilidade

    O abacate apresenta vantagens estratégicas: variedades como Hass e Fuerte podem atingir até 26% de óleo na polpa, com colheita distribuída ao longo do ano, Assim, permitindo abastecimento contínuo das agroindústrias. O aproveitamento de frutos fora do padrão de mercado, que seriam descartados, contribui para a sustentabilidade e reduz o desperdício. Além de abrir caminho para exportações. Atualmente, o Brasil exporta cerca de 150 mil litros de azeite de abacate por ano, principalmente para Estados Unidos, Itália e Japão, com expectativa de crescimento de 10% até 2025.

    Reprodução – Mapa

    Empresas como Jaguacy e Fazenda Irarema já investem em fábricas com capacidade para processar até 3 mil quilos de abacate por hora. Enquanto produtores independentes, como José Carlos Gonçalves, destinam parte da produção para cosméticos e exportação para mercados asiáticos e americanos.

    Qualidade, benefícios e perspectivas de mercado

    O azeite de abacate possui perfil graxo semelhante ao azeite de oliva, com alto teor de ácido oleico, gordura monoinsaturada benéfica à saúde, além de compostos fenólicos antioxidantes. O consumo do óleo auxilia na redução do colesterol ruim (LDL) e no aumento do colesterol bom (HDL). Deste forma, contribuindo para a prevenção de doenças cardiovasculares e oftalmológicas, como catarata e cegueira noturna. Além do uso culinário, o óleo é aplicado na indústria de cosméticos e pode ser misturado ao azeite de oliva para criar novos produtos.

    O laboratório da Epamig, recentemente modernizado, realiza análises físico-químicas e sensoriais para assegurar a qualidade do azeite de abacate, seguindo padrões internacionais e buscando acreditação junto ao Inmetro e ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Com o avanço das pesquisas, a expectativa é que o azeite de abacate conquiste espaço no mercado nacional e internacional. Portanto, impulsionando a economia da Serra da Mantiqueira e promovendo a sustentabilidade da agroindústria mineira. As iniciativas da Epamig, em parceria com produtores e instituições de fomento, posicionam Minas Gerais como referência em inovação e diversificação agrícola.

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  • Governo de SP lança crédito de R$ 10 milhões para fruticultura

    Governo de SP lança crédito de R$ 10 milhões para fruticultura

    O Governo de São Paulo anunciou uma linha de crédito de R$ 10 milhões para apoiar a fruticultura paulista. A iniciativa divulgada no Parque do Morango Duílio Maziero, em Jarinu, é uma ação do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP).

    As operações começam em 2025, oferecendo taxa de 3% ao ano, prazo de 84 meses para pagamento e dois anos de carência. Ou seja, o objetivo é impulsionar a competitividade e a sustentabilidade da citricultura no estado, segundo o secretário executivo de Agricultura e Abastecimento, Edson Fernandes.

    “A assistência técnica já está disponível aos fruticultores. Agora, queremos garantir capital para que pequenas propriedades ganhem destaque no mercado externo”, explicou Fernandes.

    A fruticultura paulista tem papel relevante no comércio internacional. Apenas o setor de citros exportou mais de US$ 2,65 bilhões entre janeiro e novembro deste ano, conforme dados da Balança Comercial.

    Oswaldo Mazziero, presidente da Associação de Produtores de Morango de Atibaia e Jarinu, elogiou a iniciativa. “Este projeto vai beneficiar, principalmente, os pequenos e médios produtores, ajudando-os a expandir suas atividades”, afirmou.

    Em 2024, o FEAP disponibilizou R$ 290 milhões em crédito rural, beneficiando várias cadeias produtivas do estado. O montante representa um recorde de investimentos destinados ao setor agropecuário paulista.

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    Como acessar o crédito

    Os produtores interessados devem procurar a Casa da Agricultura de seus municípios para obter mais informações e formalizar o pedido.

    São Paulo lidera produção nacional de frutas

    O estado é destaque nacional na produção de frutas, com mais de 14,5 milhões de toneladas colhidas em 2023, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA). Os principais produtos são laranja (10,6 milhões de toneladas), limão (1,2 milhão), banana (1,12 milhão), abacate (192,16 mil) e caqui (84,23 mil).

    Em resumo, a nova linha de crédito promete reforçar o protagonismo paulista no setor e fomentar a expansão das exportações agrícolas.

     

  • Acordo Mercosul-UE: impactos nas exportações agrícolas do Brasil

    Acordo Mercosul-UE: impactos nas exportações agrícolas do Brasil

    O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), firmado nesta sexta-feira (6) após 25 anos de negociações, manteve as condições originais para o comércio de produtos agropecuários. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro esclareceu que não houve mudanças em relação ao texto de 2019.

    Porém, a decisão contraria países como França e Polônia, que buscavam restringir produtos sul-americanos para proteger seus mercados. Além disso, ainda há resistência de Itália, Países Baixos e Áustria, que podem se opor à ratificação do tratado.

    Produtos com tarifas zeradas e cotas definidas

    Conforme o documento divulgado pelo governo brasileiro, café e sete tipos de frutas do Mercosul poderão entrar na UE sem tarifas nem cotas. Ou seja, as frutas beneficiadas incluem abacate, limão, lima, melão, melancia, uva de mesa e maçã.

    Por outro lado, produtos como carne, etanol e açúcar terão tarifas reduzidas gradualmente e estarão sujeitos a cotas específicas. Portanto, se as exportações ultrapassarem essas cotas, pagarão as alíquotas atuais.

    Café e frutas

    • Café: tarifas entre 7,5% e 11% serão eliminadas em até sete anos.
    • Uvas de mesa: tarifa de 11% será zerada imediatamente.
    • Abacate: tarifa de 4% deixará de existir em quatro anos.
    • Limões e limas: alíquota de 14% cairá em até sete anos.
    • Melão e melancia: tarifa de 9% chegará a zero em sete anos.
    • Maçã: alíquota de 10% será eliminada em dez anos.

    Produtos agropecuários com tarifas e cotas

    • Etanol industrial: cota inicial de 450 mil toneladas isenta de tributos.
    • Etanol combustível: cota de 200 mil toneladas com tarifa reduzida, expandindo ao longo de cinco anos.
    • Açúcar: cota inicial de 180 mil toneladas sem tarifas; excedentes pagarão até €98 por tonelada.
    • Carne bovina: cota de 99 mil toneladas com tarifa reduzida para 7,5%.
    • Carne de aves: cota de 180 mil toneladas isenta, dividida entre cortes com osso e desossados.
    • Carne suína: cota inicial de 25 mil toneladas com tarifa reduzida de €83 por tonelada.

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    Outras mercadorias beneficiadas

    • Suco de laranja: o acordo prevê alíquota zerada em até 10 anos.
    • Cachaça: o acordo eliminará as tarifas para garrafas de até 2 litros em quatro anos.
    • Queijos: cota de 30 mil toneladas com tarifa decrescente em 10 anos.
    • Mel: cota inicial de 45 mil toneladas sem tributos, ampliando em cinco anos.

    Impacto econômico e equilíbrio

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o acordo beneficiará 95% dos bens exportados pelo Mercosul, representando 92% do valor das exportações brasileiras à UE. Contudo, 3% dos produtos, principalmente agrícolas, continuarão sujeitos a barreiras ambientais e sanitárias.

    Em resumo, o governo brasileiro destacou que o tratado busca equilibrar a abertura de mercados com a proteção de setores sensíveis, preservando os interesses de ambas as partes.

     

  • Perigo para o bolso – novas pragas ameaçam a fruticultura no Brasil

    Perigo para o bolso – novas pragas ameaçam a fruticultura no Brasil

    Recentemente, um estudo da Embrapa identificou áreas do Brasil vulneráveis a três novas pragas quarentenárias: Anastrepha curvicauda, Bactrocera dorsalis e Lobesia botrana. Embora essas pragas ainda não tenham sido registradas no país, elas já estão presentes em países vizinhos. Podendo representar uma ameaça significativa para a fruticultura brasileira. E também ao bolso do consumidor, pois podem impactar diretamente o preço das frutas no supermercado.

    Essas pragas afetam as plantações de diversas frutas, como mamão, manga, uva, maçã, entre outras. Quando uma praga se instala em uma área de cultivo, ela pode destruir uma parte significativa da produção, o que leva a uma menor oferta dessas frutas no mercado. Com menos frutas disponíveis, os preços tendem a subir, prejudicando o bolso do consumidor.

    Principais pragas e seus efeitos

    A praga Lobesia botrana pode afetar culturas como uva, ameixa e pêssego, com 561 municípios em risco de infecção. Ela tem potencial para reduzir a produção de vinho e sucos, encarecendo esses produtos. A Anastrepha curvicauda é uma preocupação para os cultivos de mamão e manga, impactando 721 municípios.

    Já a Bactrocera dorsalis, que afeta uma ampla gama de frutas, incluindo abacate, banana e laranja, representa um risco para 1.940 municípios. Ela já causou grandes danos em outros países e, se chegar ao Brasil, pode fazer o preço dessas frutas disparar.

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    Essas pragas podem causar danos significativos às plantações, resultando em perdas de produção. Com menos frutas disponíveis no mercado, a tendência é que os preços aumentem, afetando diretamente o bolso do consumidor. Quando a oferta de frutas diminui, os preços sobem, tornando produtos como morangos, laranjas e bananas mais caros nas prateleiras dos supermercados.

    Mapeamento e prevenção

    A pesquisadora Jeanne Scardini Marinho Prado, da Embrapa, explica que o mapeamento das áreas de risco ajuda a identificar onde as pragas podem surgir. Embora o estudo tenha focado nas áreas mais vulneráveis, é importante lembrar que essas pragas podem aparecer em outras regiões do Brasil.

    Pragas podem afetar produção de uvas e outras frutas

    A Embrapa também está trabalhando em estratégias de controle. Uma delas é a identificação de inimigos naturais que podem ser usados para combater essas pragas. Além da avaliação de produtos químicos que não afetem zonas sensíveis.

    A pesquisadora da Embrapa Jeanne Marinho Prado ressalta que a equipe selecionou pelo menos um inimigo natural para cada praga estudada, a partir de um levantamento bibliográfico, priorizando espécies já relatadas no Brasil para uma resposta mais rápida em caso de entrada das pragas no território nacional. “Foram realizados zoneamentos de áreas favoráveis com base nessas informações, tanto para as pragas quanto para os bioagentes, permitindo a combinação de dados e a orientação do manejo integrado de pragas, com vistas a minimizar o uso de agrotóxicos, em caso de necessidade, e reduzir os impactos ambientais”, relata.

    Prevenção

    Todos os resultados e informações foram compilados em relatórios detalhados para a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), visando subsidiar políticas públicas oficiais e regulamentações para o controle fitossanitário das pragas. “A identificação de potenciais agrotóxicos e agentes de controle biológico são fundamentais para que, no caso de ingresso das pragas em território nacional, possam ser realizadas medidas como a liberação emergencial de registro de produtos agrotóxicos e de controle biológico para fins de controle dos insetos. Existindo um referencial teórico sobre o assunto, facilita-se a tomada de decisão do gestor para fins de liberação de produtos mais efetivos e que não ponham em risco áreas vulneráveis”, diz José Victor Alves Costa, coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA/SDA) do Mapa.

    A equipe responsável pelo trabalho contou com a participação de diversas unidades da Embrapa: Meio Ambiente, Amapá, Semiárido, e Territorial, além de fiscais federais do Mapa.

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    Além disso, é importante que todos fiquem atentos e evitem trazer plantas ou sementes de outros países sem autorização, pois isso pode introduzir novas pragas no Brasil e agravar ainda mais o problema.

    As novas pragas identificadas podem impactar não apenas a produção de frutas, mas também os preços que os consumidores pagam. Com a diminuição da oferta, os preços tendem a subir, tornando as frutas menos acessíveis. A prevenção e o controle dessas pragas são essenciais para garantir a saúde das plantações e a estabilidade dos preços no mercado.