Tag: 8 de Março

  • Dia da Mulher: programas valorizam trabalhadoras rurais e agricultura familiar

    Dia da Mulher: programas valorizam trabalhadoras rurais e agricultura familiar

    Hoje, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas que valorizem as mulheres e garantam seus direitos. No campo, esse compromisso se traduz em programas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar voltados a ampliar a autonomia, a renda e as oportunidades para trabalhadoras rurais em todo o Brasil.

    ​As políticas reconhecem o papel central das mulheres na produção de alimentos, no fortalecimento da agricultura familiar e no desenvolvimento sustentável do país. Segundo o Censo Agropecuário 2017 (IBGE), 4,37 milhões de mulheres atuam como trabalhadoras rurais, 946 mil dirigem estabelecimentos e 817 mil participam como codiretoras, respondendo por 42,4% da renda familiar no meio rural.

    ​A recriação do MDA, em 2023, retomou e fortaleceu ações específicas para agricultoras familiares, com foco em produtividade, inclusão produtiva e igualdade de gênero. Os programas atendem mulheres do campo, das águas, das florestas e de povos e comunidades tradicionais, integrando crédito, assistência técnica, acesso à água, equipamentos e documentação básica.

    ​Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais

    Instituído pelo Decreto n° 11.452, de 22 de março de 2023, o Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais promove a autonomia econômica das mulheres do campo, das águas e das florestas. A política integra ações de fomento produtivo, crédito rural, assistência técnica e extensão rural, ampliando o acesso das mulheres e de suas organizações econômicas a mercados e infraestrutura.

    O programa incentiva a qualificação de processos produtivos, a geração de alimentos saudáveis e sustentáveis e a valorização do trabalho feminino. Também fortalece organizações coletivas de mulheres, estimula cooperativismo e amplia a participação feminina em cadeias produtivas estratégicas.

    Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais

    O Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais apoia a autonomia econômica a partir da estruturação de quintais produtivos em propriedades familiares. As iniciativas incluem acesso a políticas públicas de apoio à produção e comercialização de alimentos, além de equipamentos, máquinas, implementos, utensílios, insumos e tecnologias sociais de acesso à água.

    ​Os quintais produtivos contribuem para diversificar a produção, melhorar a segurança alimentar e gerar renda complementar para as famílias rurais. Conduzidos majoritariamente por mulheres, esses espaços fortalecem a soberania alimentar e a permanência da juventude no campo.

    Ater Mulheres Rurais

    O Ater Mulheres Rurais integra a política de assistência técnica e extensão rural com foco em trabalhadoras rurais. O serviço busca elevar produção, produtividade e qualidade dos produtos e serviços rurais, ao mesmo tempo em que melhora renda e qualidade de vida no campo.

    ​As equipes de Ater orientam projetos produtivos, gestão da propriedade e acesso a créditos e programas públicos, com recorte específico de gênero. A abordagem considera os desafios enfrentados pelas mulheres, como divisão desigual do trabalho doméstico e dificuldade de acesso a políticas.

    ​Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais

    O Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais garante acesso à documentação civil básica e à titulação conjunta da terra e do território onde essas mulheres vivem e trabalham. A iniciativa atende mulheres do campo, das florestas e das águas, com foco no reconhecimento de direitos civis, políticos e sociais.

    ​Ao assegurar documentação e titularidade, o programa amplia o acesso a políticas públicas, crédito e proteção social, fortalecendo a dignidade, a segurança e a autonomia das mulheres rurais.

    ​Projeto Jandaíras: Mulheres e Saberes Tradicionais

    O Projeto Jandaíras atua com mulheres de povos e comunidades tradicionais, articulando geração de renda, segurança alimentar e valorização de saberes ancestrais. A iniciativa incentiva o desenvolvimento e a melhoria de produtos da sociobiodiversidade em agroindústrias comunitárias e grupos produtivos.

    ​O projeto também facilita a inserção dessas mulheres em mercados institucionais e programas de compras públicas, ampliando a comercialização e o reconhecimento de seus produtos.

    Fomento Mulher

    O programa Fomento Mulher oferece recursos não reembolsáveis para mulheres titulares de lotes da reforma agrária. O benefício financia projetos produtivos sustentáveis, como hortas, criação de animais e artesanato, fortalecendo a autonomia financeira e a produção de alimentos.

    ​Com apoio técnico, as beneficiárias estruturam atividades geradoras de renda, agregam valor à produção e ampliam a segurança alimentar das famílias assentadas.

    ​Pronaf B para mulheres rurais

    O Pronaf B, linha do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar voltada a famílias de menor renda, ganhou condições especiais para mulheres rurais no Plano Safra 2025/2026. A política incentiva a autonomia econômica feminina, com foco em quintais produtivos, produção de alimentos saudáveis e segurança alimentar.

    O crédito do Pronaf B Quintais Produtivos oferece até R$ 20 mil, com juros de 0,5% ao ano e bônus de adimplência de até 40%, destinado prioritariamente às agricultoras. Essas condições estimulam investimentos em produção agroecológica e diversificada, ampliando renda e inclusão produtiva no meio rural.

    Lavanderias Coletivas Agroecológicas

    Lançado em 2023, o projeto-piloto de Lavanderias Coletivas Agroecológicas desenvolve tecnologias sociais e práticas sustentáveis voltadas ao bem viver das mulheres rurais. As estruturas reduzem o esforço físico e o tempo dedicado ao trabalho doméstico, liberando mais horas para atividades produtivas e de formação.

    ​As lavanderias utilizam soluções sustentáveis, como reuso de água e energia solar. E se somam a outras ações que melhoram condições de trabalho e qualidade de vida no campo.

     

  • O protagonismo feminino no mercado de trabalho

    O protagonismo feminino no mercado de trabalho

    No Dia Internacional da Mulher, destacamos o crescimento da participação feminina em diversas profissões. Empresas de diferentes setores têm investido em programas de inclusão e desenvolvimento para ampliar as oportunidades e valorizar o protagonismo das mulheres.

    A Eldorado Brasil Celulose é um exemplo de empresa que aposta na diversidade, garantindo a presença feminina em áreas antes dominadas por homens, como inovação, tecnologia, operações e sustentabilidade.

    Ana Carolina Tessarini, gerente de Desenvolvimento, Atração e seleção da Eldorado Brasil. Foto: Divulgação Eldorado Brasil Celulose

    “Empenhada cada vez mais em ter um olhar especial e inclusivo para as mulheres, desde o processo seletivo até a fomentacão de novas lideranças, a Eldorado ampliou a participação feminina. A empresa desenvolve programas específicos, como a mentoria, promovendo um ambiente de valorização”, explica Ana Carolina Tessarini, gerente de Desenvolvimento, Atração e Seleção da empresa.

    Agda Maria de Oliveira Silva, de 32 anos, da etnia Guarani Kaiowa, iniciou como ajudante florestal e, após um curso de operação de tratores, hoje comanda uma das máquinas em campo.

    Agda Maria, tratorista. Foto: Divulgação Eldorado Brasil Celulose

    “Me senti bem valorizada enquanto profissional, pessoa e mulher. Algumas pessoas pensam que ser tratorista é profissão masculina, mas mostramos que não. As mulheres podem estar onde quiserem”, destaca Agda.

    Para reforçar essa inclusão, a empresa criou em 2024 sua primeira turma de tratoristas composta apenas por mulheres. Formada por oito colaboradoras, o treinamento foi alinhado com o Programa Trilha de Carreira, que impulsiona o desenvolvimento profissional de forma igualitária, fortalecendo a confiança para que elas ocupem quaisquer posições almejadas, seja como tratorista ou em cargos de liderança.

    Mulheres nas estradas: força sobre rodas

    Letícia Rios de Lima, de 35 anos, é motorista de tritrem na Eldorado Brasil, transportando madeira em caminhões de até 30 metros e com capacidade para o transporte de até 74 toneladas.

    Letícia Rios, motorista tritrem na Eldorado Brasil. Foto: Divulgação Eldorado Brasil Celulose

    “Ser motorista de tritrem é uma conquista, pois estamos ocupando uma vaga que antes era só masculina. Mostramos nossa força para toda a sociedade”, enfatiza Letícia.

    A segurança é prioridade na empresa, que investe em tecnologia para otimizar a gestão logística e garantir melhores condições de trabalho para os condutores. Aliás, a tecnologia embarcada nesses veículos, aliada à gestão logística, permite tomadas de decisões rápidas, elevando o desempenho da operação e a disponibilidade dos caminhões e garantindo mais segurança para os condutores.

    Mulheres na liderança: transformando o setor portuário

    Em Santos (SP), Fernanda de Souza Machado atua como especialista em Segurança Aduaneira e Regulatória no Terminal EBLog.

    “A Eldorado Brasil tem dado abertura para que a presença feminina no setor portuário cresça, promovendo diversidade, inovação e competitividade”, ressalta Fernanda.

    Fernanda Machado, especialista em Segurança Aduaneira e Regulatória, no Terminal EBLog. Foto: Divulgação Eldorado Brasil Celulose

    Na rotina do trabalho, Fernanda alia resiliência, conhecimento técnico e capacidade de adaptação para lidar com uma estrutura complexa e um ambiente regulatório em constante evolução que exigem sustentabilidade nas operações logísticas, tecnologia e visão estratégica para antecipar e mitigar riscos. Além disso, como mulher, atuando em um ambiente historicamente masculino, um desafio adicional é reforçar a presença feminina em espaços de decisão. “Felizmente, vejo mudanças positivas e mais oportunidades para mulheres assumirem papéis estratégicos no setor”, diz a especialista

    Mulheres na indústria: crescimento e apoio

    A operadora de painel do setor de águas, Isabela Cristina da Silva Alves, de 18 anos, celebra a evolução da presença feminina na indústria.

    “Ver essa mudança e fazer parte de uma gestão que valoriza talentos é um orgulho. Sempre tive apoio para crescer profissionalmente e conciliar a carreira com a maternidade”, afirma Isabela, mãe de dois filhos.

    Isabela Alves, operadora de painel. Foto: Divulgação Eldorado Brasil Celulose

    Durante a segunda gravidez, ela recebeu apoio do programa “Gerar Saúde do Bebê”, que oferece suporte integral às gestantes da empresa.

    Engenharia: a evolução da presença feminina

    A presença feminina na engenharia também cresce. Em 2019, apenas 12% dos registros profissionais eram de mulheres, percentual que chegou a 20% em 2023. Do total de 1,1 milhão de registros profissionais, apenas 200 mil pertencem ao público feminino, incluindo, além de engenheiras, agrônomas, meteorologistas, geógrafas e geólogas, entre outras profissões do sistema.

    A engenharia civil é a preferência delas na hora da escolha do curso, conforme aponta a análise dos dados do Censo da Educação Superior, realizado pelo Ministério da Educação. Entre as 25.934 concluintes dos cursos de engenharia em todo o país no ano de 2023, pouco mais de 8 mil, ou 30%, optaram pela Civil.

    Victória Fassioni, de 27 anos, engenheira civil em Goiânia, comemora sua trajetória.

    “A engenharia me escolheu. Sempre fui determinada e nunca pensei que poderia ser subjugada por ser mulher. Com respeito e competência, vamos rompendo barreiras culturais”, conta Victória, que comanda sua primeira obra de grande porte.

    Engenheira civil Victoria Cunha Fassioni, que atualmente comanda obras do residencial Wellness Marista, da Sim Incorporadora. Foto: Arquivo pessoal

    Mas mesmo tendo consciência da enorme responsabilidade que tem, isso não assusta a jovem engenheira, que diz do que mais gosta em sua profissão. “O que me atraiu na Engenharia Civil é o dinamismo do dia a dia de uma obra, os desafios de subir uma obra do zero e ver as atividades acontecendo. Gosto muito também dessa questão de comandar as equipes de uma obra, que tem funções específicas, mas igualmente importantes para todo o conjunto da obra”, enfatiza.

    Empresas inclusivas transformam carreiras

    A Aperam South America, maior produtora de aços planos especiais da América Latina, criou um programa de inclusão em 2021, ampliando a contratação de mulheres e sua presença em cargos de liderança.

    Gisele Polati, que iniciou como estagiária, hoje é CFO da empresa, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora da Aperam. A promoção ao cargo de CFO (Chief Financial Officer) veio logo após seu retorno da licença-maternidade, algo ainda pouco comum no mundo corporativo.

    Gisele Polati se tornou, em setembro de 2024, a primeira mulher diretora da Aperam. Foto: Divulgação Aperam

    “Parece óbvio, mas não é como o mercado funciona para as mulheres. Fico feliz por ser a primeira e espero não ser a única”, afirma.

    Inclusão na indústria e no agro

    A Aperam não só incentiva a presença feminina em posições de liderança, mas também promove a inclusão das mulheres na indústria e no agronegócio. A operadora de alto-forno Jessica Fernandes Carvalho Sudário, que trabalha na siderúrgica de Timóteo (MG), ocupa uma função que ainda hoje, segundo ela, “muitos dizem ser para homem”

    Jessica Fernandes foi a primeira forneira da Aperam. Hoje, ela tem mais duas colegas na mesma função. Foto: Elvira Nascimento

    Edilaine Soares da Rocha conquistou o cargo de operadora de máquinas na Aperam BioEnergia. Ela opera pás carregadeiras e equipamentos específicos para efetuar a carga de madeira e a descarga de carvão na área dos fornos, bem como realiza o carregamento de carretas e a limpeza e conservação das praças de estocagem. “Lugar de mulher é onde ela quiser”, enfatiza Edilaine.

    Edilaine foi recentemente promovida ao cargo de operadora de máquinas – carga e descarga na Aperam BioEnergia. Foto: Divulgação Aperam BioEnergia

    Rayane Ferreira da Silva, inicialmente foi contratata como auxiliar de silvicultura, e ficou nesta função por dois anos. Rayane hoje, também atua como operadora de máquinas na empresa. “Meu primeiro dia foi muito difícil, achei que não ia dar conta, mas continuei. Às vezes, me pego pensando que, se estivesse desistido no início, não estaria aqui hoje onde estou, não teria conquistado as coisas que conquistei. Estou muito feliz e muito orgulhosa de mim”, conta

    Hoje operadora de máquinas, Rayane Ferreira da Silva foi a primeira mulher contratada para ser auxiliar de silvicultura. Foto: Divulgação

    Crescimento da mão de obra feminina no agronegócio impulsiona diversidade

    Entre 2023 e 2024, o setor registrou um aumento de mais de 300 mil mulheres, consolidando a presença feminina em diversas áreas, desde a gestão de propriedades rurais até os centros de pesquisa e cargos de representação técnica.

    De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), no terceiro trimestre de 2024, o número de mulheres no agronegócio alcançou 10.751.012, um aumento de 332.343 em relação ao mesmo período de 2023. Esse crescimento demonstra que o campo está se tornando mais jovem, tecnológico e, sobretudo, mais feminino.

    Foto: Divulgação BRANDT Brasil

    A valorização da experiência familiar e a busca por conhecimento técnico têm sido fatores determinantes para o sucesso das mulheres no agronegócio. Muitas, como Izabela Batalini, unem o legado familiar à formação acadêmica, aplicando seus conhecimentos em áreas como administração, finanças e agronomia.

    Foto: Divulgação BRANDT Brasil

    A pesquisa e o desenvolvimento de soluções inovadoras também atraem mulheres talentosas para o setor. Ana Claudia Ruschel, pesquisadora em Fitopatologia na Fundação MS, trilhou um caminho de dedicação e estudo para levar tecnologias eficientes aos produtores rurais.

    Foto: Divulgação BRANDT Brasil

    No campo, a presença feminina se destaca na representação técnica e nas vendas. Dayanne Mororó, Representante Técnica de Vendas da BRANDT Brasil, conecta inovações tecnológicas às necessidades dos produtores, contribuindo para otimizar resultados e garantir a produtividade.

    Investir em diversidade dá lucro

    As experiências dessas mulheres mostram que as empresas, como Eldorado e da Aperam, que investem em diversidade têm colhido resultados positivos, promovendo ambientes mais inovadores, igualitários e produtivos.

    Neste 8 de Março, Dia da Mulher, histórias como as dessas profissionais não apenas celebram conquistas, mas reforçam a urgência de ambientes inclusivos. Como ressalta Gisele Polati: “Diversidade não é só um ideal – é um motor para negócios mais competitivos e humanos”.

    Apesar dos avanços, a participação feminina no agronegócio ainda enfrenta desafios, como a desigualdade salarial e a necessidade de maior reconhecimento. No entanto, o crescimento do número de mulheres no setor e o destaque que vêm alcançando em diferentes áreas são sinais de que o agronegócio brasileiro está caminhando rumo a um futuro mais diverso e igualitário.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Piracanjuba investirá R$150 mi em biogás com apoio do BNDES
    + Agro em Campo: Pirarara: o gigante vermelho da Amazônia