Autor: Giovanna Costa

  • Fazenda Boiadeira: Ana Castela revela sua nova propriedade rural e reforça identidade com o agro

    Fazenda Boiadeira: Ana Castela revela sua nova propriedade rural e reforça identidade com o agro

    Aos 22 anos, Ana Castela já é um dos maiores nomes do sertanejo brasileiro. Agora, a cantora acrescenta mais um capítulo à sua trajetória: a aquisição da Fazenda Boiadeira, localizada em Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul. Além disso, a propriedade reforça algo que vai muito além de um investimento financeiro. Isso porque ela reflete, acima de tudo, a identidade de uma artista que, desde o início da carreira, construiu sua história com raízes profundas no universo rural.

    A primeira visita: conhecendo a Fazenda Boiadeira

    Esta semana, Ana Castela visitou pela primeira vez sua nova propriedade. “Hoje é dia de conhecer minha fazenda nova, que eu ainda não conhecia”, afirmou a cantora durante a apresentação do espaço.

    (Imagem: Divulgação/Redes Sociais)

    A Fazenda Boiadeira conta com ampla estrutura voltada à criação de gado, com espaço generoso para o rebanho e um sistema de abastecimento de água de grande porte, pensado especialmente para os animais. Com bom humor, a cantora brincou sobre a estrutura: “Não é uma piscina, mas se quiser dá pra ser também.”

    A propriedade ainda deve passar por reformas, segundo a própria artista.

    A identidade da Boiadeira em cada detalhe

    Quem conhece Ana Castela sabe que o apelido “Boiadeira” é mais do que um nome artístico, mas uma marca. E isso se reflete em cada canto da fazenda.

    Logo na entrada, uma placa identifica o local como Fazenda Boiadeira. Itens personalizados com o apelido da cantora aparecem distribuídos pela propriedade, criando uma atmosfera que mistura agro e identidade pessoal. Para Ana, esses detalhes são um diferencial do espaço.

    A fé também está presente. A cantora destacou um elemento com referência a Nossa Senhora, reforçando que mantém a espiritualidade como parte do ambiente da fazenda.

    (Imagem/Divulgação: Redes Sociais)

    Um detalhe chamou atenção nas redes sociais: alguns bebedouros para o gado aparecem na cor rosa, escolha da própria cantora. A ideia original era adotar o padrão em todos os itens da propriedade, mas a decisão foi revertida após intervenção da família.

    Do palco ao campo: Ana Castela e a nova geração do agro

    A aquisição da Fazenda Boiadeira não é apenas uma curiosidade da vida pessoal de uma celebridade. Ela faz parte de um movimento maior que vem transformando o perfil do agronegócio brasileiro.

    Nomes como Gusttavo Lima, Luan Santana, Wesley Safadão, Marcos Palmeira e Galvão Bueno também figuram entre as personalidades que investiram em fazendas e produção rural nos últimos anos. Para especialistas, esse interesse não é modismo, é estratégia.

    “O que estamos vendo é a ‘financeirização’ positiva do campo”, explica Lutz Brito, CEO da Fx4 Agro. Segundo ele, a tecnologia transformou o agronegócio: sistemas de monitoramento via satélite, contratos digitais e rastreabilidade em tempo real permitem que investidores acompanhem seus ativos de qualquer lugar. “O campo virou tech, e o acompanhamento do retorno passou a ser quase em tempo real”, afirma.

    (Imagem/Reprodução: Redes Sociais)

    O agro como investimento inteligente

    Em um cenário econômico volátil, o setor rural surge como ponto de equilíbrio entre solidez e modernidade. A possibilidade de acompanhar cotações de arrobas de boi e commodities diretamente pelo smartphone abriu as portas do agro para um novo perfil de investidor, urbano, conectado e em busca de diversificação de patrimônio.

    “O setor rural combina segurança, potencial de crescimento e rentabilidade. Esse interesse reflete o papel do campo como alternativa para diversificar e proteger patrimônio, unindo tradição e inovação de forma consistente”, conclui Lutz Brito.

    Para Ana Castela, no entanto, o investimento vai além dos números. A Fazenda Boiadeira é, antes de tudo, a materialização de uma identidade construída desde o início da carreira de uma artista que nunca escondeu suas raízes no campo.

  • Passaporte Equestre, novos mercados e capacitação: as prioridades do setor em 2026

    Passaporte Equestre, novos mercados e capacitação: as prioridades do setor em 2026

    A Comissão Nacional de Equideocultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu na última quinta-feira, dia 26, para definir as prioridades do plano de ação do setor. O encontro reuniu representantes do segmento e colocou em pauta temas que impactam diretamente a produção, a comercialização e a saúde dos equídeos no Brasil.

    Entre os principais temas discutidos, a comissão abordou a regulamentação da produção e da comercialização de material genético de equídeos. Em seguida, os membros debateram a implementação do Passaporte Equestre nos estados brasileiros. Além disso, trataram do seu reconhecimento como documento válido para o trânsito interestadual de animais.

    Essa iniciativa, portanto, representa um avanço importante para o setor. Isso porque facilita a movimentação de equídeos entre estados e, ao mesmo tempo, reduz a burocracia para produtores e criadores.

    O Passaporte Equestre é um documento oficial que reúne todas as informações sanitárias e de identificação de um equídeo. Entre os dados registrados, estão a origem do animal, seu histórico de vacinação, resultados de exames e eventuais tratamentos realizados. Dessa forma, o documento funciona como um prontuário individual do animal, facilitando tanto o controle sanitário quanto o trânsito seguro entre estados brasileiros.

    Novos mercados e projetos de lei

    A comissão também discutiu o acompanhamento de projetos de lei relacionados ao setor. Paralelamente, avaliou estratégias para a abertura de novos mercados, com foco especial na América Latina, tanto para a exportação de animais vivos quanto para a comercialização de material genético.

    Essa frente representa uma oportunidade concreta de expansão para o agronegócio equestre brasileiro, que já ocupa posição de destaque no cenário internacional.

    Centro de Excelência do Senar: referência nacional em equinocultura

    Outro ponto relevante da reunião foi a discussão sobre as atividades do Centro de Excelência em Zootecnia do Senar, localizado em Feira de Santana, na Bahia. O centro é considerado referência nacional em capacitação na área de equinocultura.

    A comissão destacou o curso técnico em equinocultura já em andamento. Além disso, apresentou os cursos de qualificação previstos e o Encontro Nacional de Treinamento Avançado em Casqueamento e Vaquejamento, programado para maio. O evento é voltado exclusivamente para instrutores do Senar em todo o país.

    Desabastecimento de vacina contra influenza equina preocupa o setor

    Um dos pontos mais urgentes da pauta foi o desabastecimento de vacina contra a influenza equina no mercado nacional. O problema tem origem na paralisação de um laboratório responsável por grande parte da produção do imunizante no Brasil.

    Diante disso, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) orientou os estados a suspenderem temporariamente a exigência do atestado de vacinação contra a influenza equina para a emissão da guia de trânsito animal. A medida visa, portanto, evitar impactos na movimentação de animais e na realização de eventos do setor durante o período de escassez.

  • Existe uma fazenda no Brasil maior que vários países

    Existe uma fazenda no Brasil maior que vários países

    A área que deixa países para trás

    No sudeste do Pará, existe uma área operacional que ocupa cerca de 646 mil hectares, o equivalente a 6.460 km². Esse número ganha outro significado quando comparado ao mapa mundial.

    Para começar, essa extensão supera com folga o território de Luxemburgo, que possui apenas 2.586 km². Além disso, equivale a 85% da Bélgica inteira, país com 30.528 km². Em termos urbanos, a área é 30 vezes maior que a cidade de São Paulo.

    Mas o dado mais impressionante vem do cenário global: essa única área no Brasil é maior que pelo menos 15 países membros da ONU. Não é exagero, é geografia.

    Mineração, pasto e sustentabilidade no mesmo território

    A área em questão abriga o projeto S11D, operado pela Vale, um dos maiores projetos de extração de minério de ferro do mundo. Contudo, a operação vai muito além da mineração.

    Dentro desse território, cerca de 150 mil hectares são destinados a atividades agropecuárias. O rebanho estimado chega a 45 mil cabeças de gado. Além disso, a área conta com projetos de recuperação ambiental e sistemas silvipastoris, que integram pecuária e vegetação nativa.

    Ou seja: dentro de uma única área no Pará, coexistem mineração, pecuária e preservação ambiental: tudo monitorado por satélites e drones em tempo real.

    (Imagem: Vale)

    O Brasil tem outras gigantes também

    O S11D não está sozinho nesse ranking. O Brasil concentra algumas das maiores propriedades rurais do planeta.

    A Fazenda Anna, localizada entre Mato Grosso e Pará, possui cerca de 575 mil hectares. Ela também supera o território de vários países europeus e integra produção de grãos e pecuária em larga escala.

    Já no oeste da Bahia, o Grupo Vanguarda administra aproximadamente 280 mil hectares, com forte investimento em irrigação e produção de soja. Juntas, essas três operações ilustram a escala impressionante do agronegócio brasileiro.

    Por que isso importa

    Essas áreas não são apenas grandes, elas são estratégicas. Combinam tecnologia avançada, produção diversificada e crescente preocupação com sustentabilidade.

    Portanto, quando o mundo debate segurança alimentar e produção sustentável, o Brasil aparece no centro dessa conversa. E não por acaso: o país tem terra, tecnologia e capacidade produtiva que poucos territórios no mundo conseguem reunir.

    O gigante do agro, afinal, é maior do que parece.

  • China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    China bloqueia carne argentina após detectar antibiótico proibido desde 1995

    A China suspendeu as importações de carne bovina da unidade nº 2082 da ArreBeef, localizada em Pérez Millán, distrito de Ramallo, província de Buenos Aires. A decisão veio após autoridades chinesas identificarem cloranfenicol, antibiótico proibido para bovinos desde 1995, em um contêiner da empresa, em 19 de março de 2026.

    O bloqueio atinge uma das principais exportadoras argentinas e chega em meio ao endurecimento dos controles chineses sobre carne importada. Apesar de envolver apenas um contêiner de 22 toneladas, a medida gerou preocupação imediata no setor e mobilizou o SENASA, o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria da Agricultura.

    Fiscalização mais rígida

    A decisão, no entanto, não foi isolada. Na semana anterior, a China já havia suspendido o frigorífico uruguaio San Jacinto após detectar fluazuron na carne. Juntos, os dois casos indicam uma postura crescentemente rigorosa do principal destino das exportações argentinas de proteína bovina.

    Nesse contexto, segundo o Clarín, a suspensão da ArreBeef ativou um protocolo de crise e deu início a uma investigação coordenada pelas autoridades argentinas. Os trabalhos continuaram durante o feriado prolongado no país, enquanto o governo aguarda mais detalhes da GACC sobre o lote afetado.

    O que as investigações buscam

    No centro da apuração está uma pergunta: como o cloranfenicol chegou à carga da ArreBeef? Para respondê-la, técnicos do SENASA ativaram o sistema nacional de rastreabilidade bovina e iniciaram o cruzamento de dados com as autoridades chinesas.

    As hipóteses iniciais apontam para um falso positivo ou para a derivação de outra substância com estrutura química semelhante. Com base nesse argumento, a defesa argentina já enviou a Pequim um dossiê com informações sobre o programa nacional de monitoramento de resíduos, apresentado como evidência do rigor sanitário do país. A expectativa é rastrear os animais até a fazenda de origem, algo que o sistema argentino permite tecnicamente nesses casos.

    Diplomacia corre para conter os danos

    Desde que a GACC bloqueou novos embarques da unidade da ArreBeef, o governo argentino concentra esforços em duas frentes. A primeira é limitar o problema ao contêiner específico, protegendo as cargas já em trânsito antes de 19 de março. A segunda é acelerar a retirada da restrição.

    Para isso, as autoridades consideram ainda enviar uma delegação à China. A iniciativa segue o precedente de 2016, quando um caso semelhante, envolvendo a Ecocarnes, exigiu negociação direta em Pequim e resultou na resolução do impasse.

    Operações seguem com alternativa

    Do ponto de vista operacional, porém, o impacto sobre a ArreBeef tende a ser limitado. A empresa mantém a CAIBER (antiga Finexcor, em Quilmes) como unidade alternativa para exportações à China e a outros mercados, o que preserva sua capacidade produtiva durante a vigência da suspensão.

    Ainda assim, o episódio expõe uma vulnerabilidade estrutural do agronegócio argentino: a dependência de um único grande comprador e a fragilidade diante de restrições sanitárias impostas por ele. Mais do que resolver o caso da ArreBeef, o momento exige do setor uma resposta rápida, coordenada e tecnicamente sólida, capaz de preservar o acesso ao mercado que mais importa.

  • Do palco ao campo: como celebridades brasileiras investem no agronegócio

    Do palco ao campo: como celebridades brasileiras investem no agronegócio

    O agronegócio brasileiro atrai cada vez mais investidores vindos do mundo do entretenimento. Cantores sertanejos e outras personalidades públicas têm destinado parte de suas fortunas à compra de fazendas, criação de gado de elite e produção agrícola em larga escala, transformando visibilidade em patrimônio rural sólido.

    O movimento revela uma mudança no perfil do setor: o agro deixou de ser apenas tradição para se tornar também estratégia financeira entre os grandes nomes da música brasileira.

    Gusttavo Lima: fazenda de até 39 mil hectares no Mato Grosso

    Entre os artistas com maior presença no campo, Gusttavo Lima se destaca pelo tamanho e pela estrutura de suas propriedades. O cantor possui fazendas em diferentes estados, com destaque para uma área no Mato Grosso de aproximadamente 39 mil hectares, voltada à produção de grãos e pecuária.

    A propriedade conta com estrutura para armazenamento de grãos, pista de pouso particular e criação de gado de corte. O modelo adotado segue o padrão dos grandes produtores rurais brasileiros: escala de produção, uso de tecnologia e diversificação de atividades.

    Leonardo e a Fazenda Talismã: 5 mil cabeças de gado em Goiás

    O cantor Leonardo é dono da Fazenda Talismã, localizada em Goiás, uma das propriedades rurais mais conhecidas no meio artístico brasileiro. Com cerca de 1.000 hectares e aproximadamente 5 mil cabeças de gado, o patrimônio é avaliado em torno de R$ 60 milhões.

    Além da pecuária de corte, Leonardo tem ampliado sua atuação no setor rural com a aquisição de novas áreas. Sua trajetória ilustra como artistas transformaram fazendas em verdadeiras operações produtivas, não apenas em símbolos de status.

    Luan Santana: produção aliada à sustentabilidade no Mato Grosso do Sul

    Com uma fazenda avaliada em cerca de R$ 40 milhões no Mato Grosso do Sul, Luan Santana representa uma tendência crescente no agronegócio: a integração entre produção pecuária e preservação ambiental.

    A propriedade mantém áreas de mata nativa e combina a criação de gado com práticas de conservação, alinhando-se às exigências do mercado consumidor e às políticas de ESG que ganham força no setor.

    Imagem: Divulgação

    Amado Batista: 7.200 hectares e mais de 20 mil cabeças de gado

    Mais discreto em relação à sua vida no campo, Amado Batista figura entre os maiores investidores rurais do meio artístico. Sua fazenda no Mato Grosso reúne cerca de 7.200 hectares, mais de 20 mil cabeças de gado e uma infraestrutura completa, com rios, lagos e pista de pouso.

    O patrimônio rural do cantor é avaliado em centenas de milhões de reais, consolidando-o como um dos exemplos mais expressivos dessa migração do entretenimento para o campo.

    Imagem: Divulgação

    Por que o agro atrai celebridades brasileiras?

    O agronegócio oferece valorização de longo prazo e proteção contra instabilidades econômicas. Além disso, gera renda real com produção agrícola e pecuária. Por essas razões, o setor se tornou uma das aplicações mais atrativas para grandes fortunas no Brasil.

    No caso dos artistas sertanejos, há ainda um diferencial importante: a proximidade cultural com o universo rural. Esse vínculo facilita a transição para o campo e, ao mesmo tempo, confere autenticidade ao investimento.

    Como resultado, celebridades brasileiras participam hoje de leilões de gado de elite. Produzem, ainda, soja, milho e café em escala comercial. Além disso, utilizam tecnologias avançadas de genética e manejo. Portanto, o que antes era símbolo de status tornou-se uma operação empresarial estruturada.

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    Agro como destino de grandes fortunas

    A trajetória de nomes como Gusttavo Lima, Leonardo, Luan Santana e Amado Batista evidencia uma transformação importante no agronegócio brasileiro: o setor se consolida como um dos principais destinos de capital privado no país e como uma nova forma de demonstrar sucesso e visão de futuro.

  • Tecnoshow Comigo 2026: feira do agro em Goiás projeta R$ 10 bilhões em negócios

    Tecnoshow Comigo 2026: feira do agro em Goiás projeta R$ 10 bilhões em negócios

    A Tecnoshow Comigo 2026 deve movimentar cerca de R$ 10 bilhões em negócios e reunir quase 700 expositores em Rio Verde, consolidando-se como uma das principais feiras agro do Brasil. O evento ocorre de 6 a 10 de abril, no Centro Tecnológico Comigo (CTC), referência em tecnologia agrícola aplicada ao agronegócio.

    Com 130 hectares, o espaço permite que empresas e instituições apresentem soluções em condições reais de produção. Esse formato aproxima a tecnologia agrícola da rotina do produtor rural, fator decisivo para acelerar a adoção de inovação no campo.

    A Comigo organiza a feira e mantém, há décadas, parcerias com a Embrapa e universidades. Esse investimento contínuo em pesquisa fortalece a base tecnológica do evento e consolida a Tecnoshow como vitrine estratégica do agronegócio no Centro-Oeste.

    Números mostram força da feira agro

    A edição de 2025 reforçou a dimensão da Tecnoshow no agronegócio brasileiro. O evento reuniu 695 expositores e atraiu cerca de 140 mil visitantes. Mais de 3 mil máquinas e equipamentos ficaram em exposição, com foco em tecnologia agrícola e mecanização.

    A programação incluiu mais de 100 palestras técnicas, com público superior a 7 mil pessoas. Além disso, a feira gerou aproximadamente 12,8 mil empregos diretos e indiretos e movimentou R$ 9,24 bilhões em negócios, consolidando seu papel como uma das maiores feiras agro do país.

    Termômetro do agronegócio no Centro-Oeste

    Mais do que uma vitrine de lançamentos, a Tecnoshow funciona como termômetro do agronegócio, especialmente no Centro-Oeste, região estratégica para a produção de grãos no Brasil.

    A presença de fabricantes de máquinas, empresas de insumos, soluções em tecnologia agrícola e crédito rural indica o nível de investimento do produtor rural e o avanço da tecnificação no campo.

    Diante de custos elevados e maior pressão por produtividade, o setor amplia a busca por eficiência. Nesse cenário, a adoção de tecnologia agrícola e ferramentas de gestão de risco se torna essencial para manter a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Tecnoshow Comigo 2026 deve refletir esse movimento e transformar inovação em negócios concretos para o produtor rural.

    Serviço Tecnoshow Comigo 2026

    • Datas: 6 a 10 de abril de 2026
    • Local: Centro Tecnológico Comigo (CTC), Rio Verde (GO)
    • Realização: Comigo — Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano
  • Como o Ibama e os quilombolas Kalunga estão mudando o combate a incêndios no Cerrado

    Como o Ibama e os quilombolas Kalunga estão mudando o combate a incêndios no Cerrado

    O Ibama concluiu, em Engenho II, a primeira etapa das Oficinas de Mapeamento da Cultura do Fogo no Território Kalunga, no interior de Goiás. A iniciativa do Prevfogo integra dados técnicos e saberes tradicionais quilombolas para fortalecer a prevenção de incêndios no Cerrado. As atividades ocorrem em Vão de Almas, nos dias 27 e 28 de março, e em Procópia, nos dias 30 e 31.

    Na comunidade de Engenho II, brigadistas e moradores construíram, de forma coletiva, estratégias locais de proteção territorial. O modelo segue o Manejo Integrado do Fogo (MIF), que orienta o uso planejado e controlado do fogo e substitui a lógica da proibição total.

    Oficina Kalunga
    Foto: Divulgação/Ibama

    A proposta busca reduzir o acúmulo de biomassa seca, proteger nascentes e matas de galeria, preservar Áreas de Proteção Permanente (APPs) e evitar incêndios descontrolados durante o período seco.

    Tecnologia e memória ancestral se integram no mapeamento

    A metodologia do Prevfogo em Goiás cruza dois tipos de conhecimento. De um lado, o Ibama fornece dados técnicos e geoespaciais, como mapas de material combustível, histórico de focos de calor e registros de incêndios e queimas prescritas. De outro, anciãos, lideranças comunitárias e brigadistas quilombolas compartilham saberes sobre a paisagem. Esse processo resulta na construção do chamado “mapa vivo” do território.

    A integração transforma dados técnicos em ações práticas de manejo. O processo respeita os ciclos naturais do Cerrado e os modos tradicionais de uso da terra. Durante as oficinas, os participantes desenham coletivamente sobre mapas georreferenciados em grande escala, o que permite um zoneamento estratégico do território.

    Esse zoneamento define duas categorias principais:

    • Áreas sensíveis, onde o fogo deve ser evitado, como matas de galeria, nascentes, veredas e zonas de extrativismo;
    • Áreas de manejo com fogo, onde a queima planejada reduz material combustível, protege regiões sensíveis e atende demandas da comunidade, como manejo de pastagens e preparo do solo.

    Política nacional reforça o modelo

    A Lei nº 14.944/2024 instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) e colocou a prevenção e a participação comunitária no centro das ações contra incêndios florestais.

    A legislação reconhece o uso seguro e planejado do fogo em ecossistemas adaptados, como o Cerrado. Com isso, o país supera o antigo paradigma do “fogo zero”, que orientou por anos as políticas ambientais brasileiras.